
Médicos residentes na Inglaterra aprovam acordo salarial e encerram greves
Votação põe fim a um ano de paralisações no NHS, enquanto médicos no estado australiano de Victoria se aproximam da primeira greve em duas décadas.
Os médicos residentes do Serviço Nacional de Saúde (NHS) da Inglaterra votaram pela aceitação da proposta salarial do governo, encerrando formalmente um ciclo de 21 dias de greve distribuídos por 15 rondas negociais desde julho de 2025. A decisão, anunciada pelo Departamento de Saúde e Assistência Social, suspendeu de imediato a ameaça de uma nova paralisação de quatro dias que estava prevista para 15 de junho e que teria sido a 16.ª interrupção desde 2023. O referendo online, realizado entre 18 e 26 de junho, registou uma participação de 57% dos membros da British Medical Association (BMA), com 53% de votos favoráveis, segundo dados divulgados pela própria associação médica.
O acordo estabelece um aumento salarial médio de 6,6% a ser integralmente aplicado até abril de 2027, além da incorporação dos termos contratuais padronizados de 2016 para todos os médicos contratados localmente. O pacote prevê ainda a criação de 4.500 vagas adicionais de formação especializada ao longo dos próximos três anos. De acordo com o governo britânico, a combinação destas medidas fará com que a remuneração dos residentes seja, em média, 35,2% superior à de quatro anos antes. O secretário de Estado da Saúde, James Murray, afirmou que o entendimento permite “fazer um ponto final na disrupção dos meses anteriores” e concentrar esforços na reconstrução do serviço de saúde.
Enquanto o NHS inglês recupera a normalidade operacional, do outro lado do mundo os médicos dos hospitais públicos do estado australiano de Victoria preparam-se para um cenário oposto. Após dez meses de negociações infrutíferas com o governo estadual, a Australian Medical Association Victoria e o sindicato da categoria decidiram, numa assembleia com mais de dois mil participantes, avançar com um pedido de autorização de ação sindical protegida junto da Fair Work Commission. Apenas 12 votos se opuseram à medida. Se aprovada, a iniciativa abrirá caminho a uma votação que poderá legitimar desde campanhas públicas e recusa de horas extraordinárias não remuneradas até paralisações, o que constituiria a primeira greve de médicos hospitalares no estado em duas décadas.
O impasse em Victoria centra-se na dificuldade de acesso ao pagamento de horas extraordinárias e na recusa do governo em equiparar as licenças parentais às de outros setores do funcionalismo público. A reivindicação salarial inicial de 30% em quatro anos ainda não obteve uma contraproposta formal. Observadores em Melbourne notam que a trajetória de conflito laboral ecoa tensões vividas em sistemas de saúde de outros países, incluindo Portugal, onde os médicos também recorreram a greves para pressionar melhorias salariais e de condições de trabalho. O próximo marco concreto será a análise do pedido de ação sindical pela comissão australiana, enquanto na Inglaterra o foco se desloca para a implementação faseada do acordo e para a estabilização do NHS num momento de transição política, com a demissão anunciada do primeiro-ministro Keir Starmer.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Médicos residentes na Inglaterra aceitaram um acordo salarial que encerra um ano de greves, com aumento médio de 6,6% e novas vagas de especialização. Na Austrália, os médicos de Victoria caminham para a primeira paralisação em vinte anos, acusando o governo de recuar em promessas. A imprensa anglo-saxônica registra a solução pragmática no Reino Unido, mas mantém ceticismo diante do conflito iminente do outro lado do mundo.
Os médicos da Inglaterra votaram para aceitar a oferta salarial do governo, encerrando um ano de greves que pressionaram o serviço de saúde. O acordo prevê um aumento médio de 6,6% e milhares de vagas de formação adicionais, sendo saudado como uma boa notícia para os profissionais, os pacientes e o NHS.
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