
Bruxelas nega plano de proibição total de vistos turísticos para russos, mas prepara restrições direcionadas
Comissão Europeia desmente discussões sobre veto absoluto, enquanto avança com medidas seletivas no âmbito do 21.º pacote de sanções, em meio a divisões entre Estados-membros.
A Comissão Europeia não confirmou a existência de um plano para proibir totalmente a emissão de vistos de turismo a cidadãos russos, contrariando notícias veiculadas pela imprensa de Moscovo. Um porta-voz do executivo comunitário afirmou que Bruxelas trabalha em “medidas direcionadas” para adaptar o regime de vistos às ameaças de segurança que possam representar antigos combatentes da guerra na Ucrânia, no quadro do 21.º pacote de sanções. A mesma fonte não esclareceu, contudo, o mecanismo previsto para identificar esses ex-participantes. A posição surge depois de o diário Izvestia ter citado uma fonte europeia anónima segundo a qual a Comissão discute um veto absoluto às viagens de lazer de russos, proposta inicialmente apresentada pela bancada democrata-cristã alemã no Parlamento Europeu.
A hipótese de um encerramento total expõe divisões entre os Estados-membros. Países como a Estónia, Letónia, Lituânia, Polónia e Eslováquia suspenderam unilateralmente a emissão de vistos turísticos a russos já em 2022. Em contraste, Itália, França, Espanha, Grécia e Hungria mantêm uma política mais permissiva, justificada pelo peso do turismo russo nas respetivas economias. Segundo dados da Comissão, estas nações foram responsáveis por cerca de 470 mil dos 500 a 550 mil vistos Schengen concedidos a cidadãos da Federação Russa em 2024. A própria arquitetura jurídica da União limita a margem de manobra de Bruxelas: a política de vistos é competência nacional, cabendo à Comissão coordenar regras e emitir recomendações, mas não impor uma proibição geral.
Em Moscovo, a reação dividiu-se entre o cepticismo e a denúncia política. O vice-presidente da comissão de Assuntos Internacionais da Duma, Alexei Chepa, considerou “real” a possibilidade de um veto total, argumentando que a Europa estaria disposta a suportar perdas económicas para “desestabilizar a sociedade russa” antes das eleições legislativas. Já o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo declarou que não responderá de forma espelhada, mas adotará contramedidas baseadas no interesse nacional, sem penalizar cidadãos estrangeiros pela sua nacionalidade. No setor turístico, o especialista Egor Kail, da União Russa da Indústria do Turismo, avaliou como improvável um bloqueio súbito e total, antevendo antes um endurecimento gradual e assimétrico, com prazos de processamento já dilatados para 60 dias em Itália e 45 dias em Espanha.
O endurecimento da política de vistos europeia face à Rússia é progressivo desde a suspensão do acordo de facilitação, em 2022, que elevou a taxa de 35 para 80 euros e alongou os prazos de decisão. Em novembro de 2025, a Comissão praticamente eliminou os vistos de entradas múltiplas para a generalidade dos russos, com exceções para familiares diretos de cidadãos da UE, transportadores, jornalistas independentes e defensores de direitos humanos. O número total de vistos Schengen emitidos a russos caiu de 4 milhões em 2019 para cerca de 541 mil em 2024, embora no primeiro semestre de 2026 se tenha registado um aumento de 21% face ao período homólogo, impulsionado pela necessidade de vistos de curta duração após o fim das autorizações múltiplas. A Comissão anunciou ainda a intenção de apresentar, em 2027, uma iniciativa legislativa para reforçar o controlo na emissão de vistos a cidadãos russos. O 21.º pacote de sanções, atualmente em discussão, inclui a proposta de proibição de entrada a todos os que tenham servido nas forças armadas russas após 24 de fevereiro de 2022, mas a sua aprovação depende de consenso entre os 27, num contexto em que Roma e Paris já manifestaram reservas quanto à exequibilidade da medida.
| Imprensa russa e CEI | −0.60 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | 0.00 | neutral |
| Imprensa europeia continental | +0.20 | neutral |
Moscou denuncia as sanções direcionadas da UE como uma meia medida hipócrita que ainda pune os russos comuns, enquanto o verdadeiro agressor é ignorado.
O bloco reformula as restrições da UE como uma perseguição injusta de civis inocentes, projetando a culpa no Ocidente pela escalada e ignorando as ações da Rússia.
Os materiais omitem qualquer menção à invasão russa da Ucrânia como causa das sanções da UE, concentrando-se na hipocrisia ocidental.
A abordagem calibrada da UE é um compromisso sensato que equilibra preocupações de segurança com abertura econômica.
O bloco apresenta a história como uma decisão técnica, usando linguagem neutra e focando em impactos mensuráveis como viagens e comércio, evitando qualquer enquadramento moral ou político.
Os materiais omitem qualquer discussão sobre o conflito subjacente ou aspectos de direitos humanos, tratando a questão dos vistos como puramente administrativa.
A UE age dentro do seu quadro legal, equilibrando as necessidades de segurança com as liberdades fundamentais através de medidas direcionadas.
O bloco legitima a decisão enquadrando-a como um processo técnico baseado no estado de direito, enfatizando a correção processual e a proporcionalidade em vez de argumentos políticos ou emocionais.
Os materiais omitem qualquer avaliação crítica da eficácia das sanções direcionadas ou do contexto geopolítico mais amplo, concentrando-se exclusivamente na tomada de decisão interna da UE.
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