
Maioria nos EUA vê guerra com Irão como erro e duvida de acordo de paz
Sondagem do Financial Times mostra que 58% dos eleitores consideram o conflito demasiado oneroso e 66% estão céticos quanto ao memorando assinado em junho.
Uma sondagem realizada pela Focaldata para o Financial Times entre 26 e 30 de junho revela que a maioria dos eleitores norte-americanos avalia negativamente a guerra contra o Irão e desconfia do memorando de entendimento assinado a 18 de junho. De acordo com os dados, 58% dos inquiridos consideram que o conflito não justificou os custos económicos, num momento em que a Casa Branca pediu ao Congresso mais 67 mil milhões de dólares para financiar as operações, que já terão consumido pelo menos 30 mil milhões. Apenas 31% acreditam que Washington saiu fortalecido face a Teerão, enquanto 44% afirmam que a posição norte-americana se enfraqueceu.
A desconfiança estende-se ao memorando de entendimento negociado com mediação de Omã, Suíça e Paquistão. Dois terços dos eleitores (66%) duvidam que o documento contribua para a paz no Médio Oriente, receando inclusive que possa aumentar a instabilidade. Na perspetiva de Teerão, o acordo está longe de ser uma formalidade. O artigo 1.º, relativo à segurança e soberania do Líbano, é apresentado por fontes iranianas como condição incontornável: exige o fim permanente das operações militares, a garantia da integridade territorial libanesa e a retirada das forças israelitas do sul do país. Para o Irão, a presença do Hezbollah a sul do rio Litani constitui uma camada de dissuasão estratégica que liga o Golfo Pérsico ao Mediterrâneo, e Teerão condiciona o cumprimento de outras cláusulas — como a mistura de material nuclear enriquecido e a reabertura do estreito de Ormuz — à operacionalização prévia dos compromissos sobre o Líbano.
O impasse tem reflexos na economia global. A ameaça iraniana de bloquear o estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo, é interpretada por analistas em Moscovo e em Jacarta como um instrumento de pressão assimétrica para forçar Washington a conter Israel. Ao mesmo tempo, o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, lembrou à administração Trump que o programa de rearmamento europeu, com encomendas de 300 mil milhões de dólares, sustenta 195 mil empregos na indústria de defesa norte-americana — um argumento que ressoa num país onde 53% dos eleitores defendem a permanência na Aliança, contra 23% que preferem a saída.
No plano interno, o desgaste da guerra acelerou a erosão da popularidade de Donald Trump. A taxa de aprovação do presidente caiu para 36%, com uma quebra de oito pontos entre os independentes, que agora lhe dão apenas 21% de apoio. A quatro meses das eleições intercalares de novembro, os democratas lideram as intenções de voto por 44% contra 38% dos republicanos, embora os eleitores conservadores mostrem maior motivação para comparecer às urnas. O dossier nuclear será discutido num prazo de 60 dias em negociações separadas, das quais Teerão espera o levantamento de sanções, enquanto o cessar-fogo frágil mantém a região num equilíbrio precário.
| Imprensa iraniana e afins | −0.60 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa russa e CEI | 0.00 | neutral |
| Imprensa do Sudeste Asiático | −0.20 | neutral |
| Imprensa latino-americana | 0.00 | neutral |
Iran emphasizes that the war weakened the United States and that the cost is unsustainable, using poll data to reverse the American narrative.
It uses survey numbers to turn a US military initiative into a strategic failure, highlighting the cost-benefit ratio against Washington.
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