
Líder do Irão ordena ação judicial contra EUA e Israel por crimes de guerra
Mojtaba Khamenei invoca confissões públicas dos adversários e aponta morte do antecessor, Ali Khamenei, como caso central; Teerão assume controlo exclusivo do Estreito de Ormuz.
O novo líder supremo do Irão, aiatolá Mojtaba Khamenei, determinou no domingo que o poder judicial iraniano persiga, em tribunais nacionais e internacionais, os responsáveis pelos crimes de guerra cometidos durante os conflitos de 2025 e 2026 contra o país. Numa mensagem divulgada por ocasião da Semana do Judiciário, que assinala o aniversário da morte do aiatolá Mohammad Beheshti em 1981, Khamenei argumentou que declarações de dirigentes norte-americanos e israelitas — incluindo o que classificou como “jactância descarada” — constituem confissões inequívocas e abrem caminho à reparação dos direitos violados da nação iraniana.
Na perspetiva de Teerão, o caso mais grave é o assassinato do anterior guia supremo, aiatolá Ali Khamenei, descrito pelo sucessor como “a jóia única da nossa era”. A ofensiva judicial abrange ainda o bombardeamento da escola primária de Minab, em 28 de fevereiro de 2026, que matou mais de 170 pessoas, na maioria crianças, e ataques a centros médicos e a outras infraestruturas civis. O líder iraniano sustentou que os danos físicos, psicológicos e materiais infligidos à população, desde recém-nascidos a idosos, devem ser transformados em milhares de processos judiciais, dando seguimento a uma diretiva do antecessor para investigar os crimes da guerra de 2025.
A par da iniciativa judicial, o Irão anunciou que assumirá, durante 30 dias, o controlo exclusivo do Estreito de Ormuz, via marítima por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial e que é vital para economias lusófonas como a brasileira, a portuguesa e a de países africanos dependentes da importação de crude. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, advertiu que qualquer intervenção unilateral agravaria as tensões e atrasaria a reabertura da rota. Em paralelo, a Guarda Revolucionária iraniana reivindicou a destruição de oito instalações militares dos EUA no Kuwait e no Barém, em retaliação por novos bombardeamentos americanos contra alvos costeiros iranianos, no que descreveu como violações do cessar-fogo.
A sucessão na liderança iraniana ocorreu num contexto de dois conflitos armados com uma coligação liderada por Washington e Telavive — em junho de 2025 e em fevereiro de 2026 — que, segundo fontes oficiais iranianas, causaram milhares de vítimas civis e culminaram na morte de Ali Khamenei. A invocação de tribunais internacionais por Mojtaba Khamenei é interpretada por analistas em capitais europeias como um esforço para consolidar a legitimidade interna do novo líder e para projetar a narrativa de vitimização no plano diplomático, num momento em que a trégua se revela frágil e ambos os lados trocam acusações de incumprimento.
Até ao momento, não houve reação oficial de Washington ou de Telavive à ordem judicial iraniana. O poder judicial de Teerão deverá agora abrir os primeiros processos, enquanto o período de controlo exclusivo do Estreito de Ormuz já está em vigor. A comunidade internacional acompanha os desenvolvimentos com preocupação, dada a centralidade da via marítima para o abastecimento energético global e o risco de uma nova escalada militar no Golfo.
| Imprensa iraniana e afins | +0.70 | aligned |
|---|---|---|
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | +0.50 | aligned |
| Imprensa indiana e sul-asiática | −0.30 | critical |
Iran demands justice for US and Israeli war crimes, standing as a champion of trampled human rights.
It uses the technique of 'sovereign victimization': the narrative reverses the accusation, turning the Iranian regime into a legitimate accuser, while omitting the context of its own violations.
There is no mention of Iran's role in supporting groups accused of war crimes, nor its own human rights violations.
The resistance supports the demand to prosecute American and Israeli war criminals, seeing it as a step towards justice for the Arab world.
It employs the technique of 'hierarchy of threats': the accusation is placed in a framework of ongoing oppression, where the common enemy is identified and a collective moral condemnation is sought.
The complexity of regional alliances and the fact that some Arab countries have normalized relations with Israel are omitted.
India observes the Iranian demand with detachment, considering it a political maneuver not worthy of serious consideration, prioritizing regional stability.
It employs the technique of 'detached pragmatism': the news is framed as irrelevant to Indian interests, downplaying the importance of the demand through a neutral and skeptical tone.
The validity of the war crimes accusations is not discussed, nor the historical context of US and Israeli actions in the Middle East.
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