
Reservas cambiais de Taiwan, China e Rússia recuam em junho com fortalecimento do dólar
A valorização da moeda norte-americana e a queda do preço do ouro pressionaram os ativos de reserva, enquanto Pequim e Moscovo continuam a acumular ouro físico.
As reservas cambiais de três das maiores economias emergentes registaram quedas expressivas em junho de 2026, pressionadas pelo fortalecimento generalizado do dólar e pela desvalorização do ouro nos mercados internacionais. Taiwan viu as suas reservas descerem abaixo da marca simbólica dos 600 mil milhões de dólares, para 597,15 mil milhões, uma redução de 7,9 mil milhões face a maio. A China reportou um recuo de 26 mil milhões de dólares, para 3,416 biliões, interrompendo dois meses consecutivos de alta. Já a Rússia contabilizou uma contração de 3,6%, ou 26,9 mil milhões de dólares, fixando o total em 720,4 mil milhões. Em todos os casos, a reavaliação de ativos denominados noutras moedas e a queda das cotações do metal precioso foram os vetores dominantes.
O dólar norte-americano valorizou-se 2,26% face a um cabaz das principais divisas em junho, o maior avanço mensal em quase um ano, enquanto o preço do ouro no mercado à vista recuou 11,65% — a queda mais acentuada desde outubro de 2008. Este duplo movimento comprimiu o valor em dólares das reservas. No caso de Taiwan, o banco central atuou diretamente no mercado cambial, vendendo dólares para conter a depreciação do dólar taiwanês, que ultrapassou a barreira dos NT$32, num contexto de saída de capitais de investidores institucionais estrangeiros. A China e a Rússia, por seu lado, viram o valor das suas reservas em ouro encolher, apesar de terem aumentado as quantidades físicas do metal sob custódia.
O Banco do Povo da China adquiriu 480 mil onças troy (cerca de 15 toneladas) em junho, o maior volume desde outubro de 2023, prolongando para vinte meses consecutivos a estratégia de acumulação de ouro. Na perspetiva de Pequim, a medida insere-se num esforço de diversificação de ativos de reserva e de redução da dependência de instrumentos denominados em dólares, num contexto de tensões geopolíticas e de volatilidade do sistema financeiro norte-americano. A Rússia, cujas reservas em ouro representavam 41,5% do total no final de junho, também manteve a aposta no metal, embora a fatia tenha diminuído face aos 43,6% de maio exclusivamente por efeito da desvalorização. Observadores em Moscovo sublinham que, após as sanções ocidentais de 2022, o banco central russo está limitado na gestão de parte das suas reservas, mas o ouro e os ativos em yuan permanecem fora do alcance das restrições.
O próximo marco factual a acompanhar será a divulgação das atas da reunião de junho da Reserva Federal norte-americana, que poderão oferecer pistas sobre a trajetória das taxas de juro. O mercado antecipa pelo menos uma subida até ao final do ano, o que tenderia a reforçar o dólar e a manter a pressão sobre as reservas cambiais das economias emergentes. A autoridade cambial chinesa afirmou esperar uma estabilização das reservas no longo prazo, mas a evolução dos preços do ouro e as decisões de política monetária em Washington continuarão a ditar a dinâmica dos próximos meses.
| Imprensa chinesa | +0.70 | aligned |
|---|---|---|
| Imprensa russa e CEI | −0.30 | critical |
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
A China reafirma sua soberania monetária comprando ouro e reduzindo a dependência do dólar.
O mecanismo consiste em apresentar as compras de ouro como um movimento defensivo inevitável e sábio, normalizando a desdolarização como estratégia global.
Omite que a queda nas reservas cambiais também se deve à intervenção para apoiar o yuan, e a situação de Taiwan.
A Rússia observa que as reservas chinesas caem e suas próprias reservas diminuem devido à queda no preço do ouro, destacando a vulnerabilidade das economias emergentes ao dólar forte.
O mecanismo consiste em justapor dados chineses e russos para sugerir uma tendência comum, sem atribuir responsabilidades ou estratégias.
Omite mencionar a estratégia de desdolarização da China e o fato de que as reservas russas são afetadas por sanções.
O Atlântico registra a compra de ouro da China como um ponto de dados de mercado, sem atribuir significado geopolítico.
O mecanismo é a descrição pura dos dados, evitando qualquer interpretação estratégica.
Omite ligar a compra de ouro à desdolarização ou ao declínio das reservas cambiais.
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