
Investimento global sobe 6% em 2025, mas recuperação é frágil e concentrada, alerta ONU
Relatório da UNCTAD mostra que crescimento foi puxado por megaprojetos de IA e data centers, enquanto países em desenvolvimento avançam apenas 2% e África recua 26%.
O investimento direto estrangeiro (IDE) mundial cresceu 6% em 2025, atingindo 1,6 biliões de dólares, após dois anos consecutivos de queda, segundo o relatório World Investment Report 2026 da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). A expansão, contudo, foi classificada pela própria agência como “estreita, frágil e desigual”, concentrada em poucos países, setores e megaprojetos — sobretudo infraestruturas ligadas à inteligência artificial, data centers, petróleo e gás e semicondutores. A maioria dos restantes setores, incluindo energias renováveis, indústria transformadora e infraestruturas, registou declínios, o que revela uma base de recuperação limitada.
A distribuição geográfica do investimento acentuou assimetrias. As economias desenvolvidas captaram um aumento de 11% nas entradas (723 mil milhões de dólares), enquanto o mundo em desenvolvimento cresceu apenas 2% (901 mil milhões). A Ásia em desenvolvimento manteve-se como principal destino (644 mil milhões), mas a América do Norte recuou 2% e África sofreu uma contração de 26%, para 70 mil milhões. O grupo de países menos avançados registou uma subida de 21% (43 mil milhões), porém esse montante representou apenas 2,7% do IDE global e ficou quase integralmente concentrado num pequeno número de economias ricas em recursos naturais — um padrão que, na perspetiva de analistas africanos, perpetua a dependência de matérias-primas em nações lusófonas como Moçambique e Angola.
Entre as maiores economias emergentes, o Brasil consolidou-se como quinto recetor mundial (77 mil milhões de dólares), impulsionado pela reinversão de capitais e pelo setor de recursos naturais, enquanto o México regressou ao top 10 (41 mil milhões), beneficiando da relocalização de cadeias de abastecimento (nearshoring) na indústria transformadora, mas com um abrandamento nos anúncios de projetos de energias limpas. A Índia viu o IDE subir 44% para 39 mil milhões, embora o valor dos novos projetos greenfield tenha caído de 111 mil milhões para 74 mil milhões, com a indústria transformadora a recuar de 65 mil milhões para 27 mil milhões, sinal de maior cautela dos investidores.
O relatório sublinha que os governos estão a intervir de forma mais ativa na orientação dos fluxos de investimento: foram adotadas 229 medidas de política de investimento em 2025, um recorde, a maioria favorável ao investidor, mas muitas concebidas para atrair capital para indústrias estratégicas ou responder a preocupações de segurança económica. Para 2026, a UNCTAD antecipa um cenário complexo, marcado pela incerteza da política comercial, tensões geopolíticas, custos de financiamento elevados e uma competição acrescida por projetos em setores tecnológicos. O próximo marco factual será a divulgação dos dados preliminares de IDE do primeiro semestre de 2026, que permitirão avaliar se a fragmentação e a concentração setorial se mantêm como traços dominantes do novo panorama de investimento.
| Imprensa africana subsaariana | −0.20 | neutral |
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| Imprensa latino-americana | +0.70 | aligned |
| Imprensa indiana e sul-asiática | +0.80 | aligned |
O relatório da UNCTAD adverte: a recuperação é frágil e desigual, concentrada em poucos países e setores.
Utiliza dados agregados e advertências para criar um quadro cauteloso, sem enfatizar sucessos locais.
Não menciona os sucessos específicos de países como Índia ou México, que poderiam oferecer uma visão mais otimista.
O México celebra seu retorno ao top 10, destacando seu próprio sucesso em atrair investimentos.
Seleciona e coloca em primeiro plano o dado nacional positivo, isolando-o do contexto global de fragilidade.
Deixa de fora o fato de que a recuperação global é frágil e desigual, e que muitos países em desenvolvimento tiveram apenas aumentos modestos.
A Índia reivindica um aumento de 44% no IDE, reforçando sua imagem como destino de investimento preferido.
Enfatiza o crescimento percentual e o contexto político favorável, minimizando as reservas globais.
Não destaca que o crescimento global está concentrado em poucos países e que a recuperação é descrita como frágil pelo mesmo relatório da UNCTAD.
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