
Leão XIV suplica aos lefebvrianos: 'Voltem atrás, rasgar a túnica de Cristo é pecado grave'
Na véspera das consagrações episcopais sem mandato papal, o Papa envia carta dramática à Fraternidade São Pio X, enquanto comunidades tradicionais na América Latina e na Europa acompanham o risco de cisma.
Sob o sol da Praça de São Pedro, na solenidade dos apóstolos Pedro e Paulo, o Papa Leão XIV inclinou-se sobre o parapeito da janela do Palácio Apostólico. A sua voz, amplificada pelas colunas da praça, recordou que os dois santos foram diferentes, mas nunca adversários. A poucas horas de um gesto que poderia consumar uma rutura de décadas, a homilia do Angelus soou como um prelúdio. No dia seguinte, a Sala de Imprensa da Santa Sé divulgava uma carta dirigida ao superior da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, o italiano Davide Pagliarani, com um apelo que ecoaria muito além dos muros do Vaticano.
Datada de 29 de junho, a missiva trazia um tom ao mesmo tempo paterno e angustiado. 'Colmo de afeto cristão, suplico-vos e peço-vos de todo o coração: voltem atrás!', escreveu o pontífice, alertando que a ordenação de quatro novos bispos sem mandato pontifício, prevista para 1.º de julho no seminário de Écône, na Suíça, constituiria um 'ato cismático' e privaria os fiéis da receção lícita – e, em certos casos, válida – dos sacramentos. A linguagem era a de um pastor que teme a laceração da 'túnica inconsútil de Cristo', expressão que o Papa usou para classificar o gesto como 'pecado de extrema gravidade'.
A Fraternidade, fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre como reação às reformas do Concílio Vaticano II, mantém a liturgia tridentina em latim e rejeita o ecumenismo e a liberdade religiosa. O conflito atual reedita o trauma de 1988, quando Lefebvre consagrou quatro bispos sem autorização e foi excomungado por João Paulo II. As excomunhões foram retiradas por Bento XVI em 2009, num gesto de reconciliação que, contudo, não regularizou canonicamente o grupo. Agora, com apenas dois bispos idosos, a Fraternidade alega 'estado de necessidade' para garantir a sua continuidade pastoral, enquanto Roma insiste que a via do diálogo permanece aberta.
A iminência do cisma mobilizou atenções em várias latitudes. No Brasil, onde a Fraternidade conta com dezenas de priorados, escolas e um número expressivo de fiéis – herança do apoio do bispo Antônio de Castro Mayer às consagrações de 1988 –, a carta papal foi recebida com apreensão por comunidades que desejam permanecer fiéis a Roma sem renunciar ao rito antigo. Em Portugal e em países africanos de língua portuguesa, a presença do movimento é menor, mas o debate sobre a liturgia tradicional ecoa entre setores conservadores. A cerimónia de Écône, transmitida em seis línguas, incluindo o português, transformou a pequena localidade do Valais num palco global.
Na manhã de quarta-feira, o seminário de Écône, aninhado entre montanhas, preparava-se para a celebração. Os sinos ainda não tinham soado, mas o ar carregava a gravidade de uma carta que terminava com uma súplica: 'O Senhor ilumine as vossas consciências e desperte os vossos corações'. Enquanto o mundo católico aguardava, a imagem do Papa, com o coração aflito mas ainda cheio de esperança, confiando a questão ao Imaculado Coração de Maria, permanecia como a última ponte antes do silêncio.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A poucas horas das ordenações ilícitas, o Papa faz um apelo comovente aos lefebvrianos, implorando-lhes que voltem atrás para evitar um cisma de extrema gravidade. A Fraternidade São Pio X, nascida da rejeição do Vaticano II, arrisca uma rutura definitiva, privando os fiéis dos sacramentos. A Igreja diz-se ainda aberta ao diálogo, mas o ato seria um pecado gravíssimo contra a unidade.
O Papa faz um duro alerta aos lefebvrianos diante do risco iminente de cisma pela ordenação de bispos sem autorização do Vaticano. A consagração prevista na Suíça desencadearia uma rutura automática com a Igreja. O Sumo Pontífice exorta a considerar o bem espiritual dos fiéis e a deter o ato.
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