
Kremlin saúda possível encontro Lavrov-Rubio em Manila, mas nega contactos recentes
Moscovo diz que não houve contactos ao nível do Kremlin, mas acolhe com agrado a hipótese de uma reunião ministerial à margem da cimeira da ASEAN, enquanto Berlim é acusada de não dar passos concretos para o diálogo.
A possibilidade de um encontro entre os ministros dos Negócios Estrangeiros da Rússia e dos Estados Unidos nas Filipinas foi recebida com satisfação pelo Kremlin, embora Moscovo sublinhe que não se registaram contactos recentes ao mais alto nível. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, declarou-se disponível para reunir com Sergei Lavrov e com o homólogo chinês, Wang Yi, à margem dos encontros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que decorrem em Manila entre 19 e 23 de julho. O porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov, afirmou que "se houver um contacto ao nível dos ministros dos Negócios Estrangeiros, só o saudaremos", mas frisou que, nos últimos dias, "não houve quaisquer contactos" pela via do Kremlin, existindo apenas "contactos mais técnicos" entre as diplomacias.
A reação de Moscovo insere-se num quadro de relações bilaterais que o próprio Kremlin descreve como estando em "escombros". Apesar de consultas de alto nível terem ocorrido em Riade e Istambul no início de 2025, com vista à normalização do funcionamento das missões diplomáticas e à criação de grupos de trabalho sobre a Ucrânia, Washington propôs, em junho, uma pausa nesses contactos. Na perspetiva de Moscovo, o diálogo prossegue em formato técnico e por canais escritos e orais entre Lavrov e Rubio, mas a administração norte-americana, sob a presidência de Donald Trump, mantém uma postura que combina a ameaça de novas sanções com a disponibilidade para o diálogo. A ida de Rubio a Manila ocorre num momento em que os EUA procuram contrabalançar a influência chinesa na região, dias depois de Trump ter acusado Pequim de interferir nas eleições norte-americanas de 2020.
Em paralelo, o Kremlin comentou notícias da imprensa britânica sobre uma alegada "mudança de humor" na Alemanha quanto a negociações com a Rússia. O jornal The Times noticiou que Berlim estaria a adotar uma abordagem mais construtiva, com esforços não coordenados para restabelecer canais de comunicação, e apontou o antigo chefe da chancelaria federal, Ronald Pofalla, como possível intermediário. Peskov respondeu que "não vemos passos práticos" por parte de Berlim, embora a Rússia "continue aberta ao diálogo". Esta leitura é reforçada por relatos do Financial Times, que indicam uma erosão do apoio a novas sanções anti-russas em Estados-membros como a Grécia, Portugal e a própria Alemanha, preocupados com os efeitos económicos das medidas restritivas.
A cimeira da ASEAN nas Filipinas funciona, assim, como palco para uma densa agenda diplomática que inclui encontros trilaterais entre EUA, Japão e Coreia do Sul, bem como reuniões do Quad (EUA, Japão, Austrália e Índia). Rubio indicou ainda que a visita do presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos está prevista para setembro, sinalizando que os canais de alto nível entre Washington e Pequim se mantêm abertos, apesar das tensões. Os encontros bilaterais com Lavrov e Wang Yi não estão confirmados, mas a presença simultânea dos três ministros em Manila cria uma janela para contactos que Moscovo diz valorizar, num momento em que a arquitetura de diálogo entre as grandes potências permanece fragmentada.
| Imprensa russa e CEI | +0.20 | neutral |
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| Imprensa europeia continental | 0.00 | neutral |
| Imprensa do Sudeste Asiático | 0.00 | neutral |
O Kremlin acolhe a reunião mas insiste que a Alemanha não agiu, projetando sobre Berlim a responsabilidade pela falta de progresso.
A Rússia é retratada como aberta enquanto a culpa pelo diálogo parado é transferida para o lado alemão, criando uma narrativa de vitimização diplomática.
Omite-se que os EUA estão simultaneamente fortalecendo alianças asiáticas (Japão, Coreia do Sul) e que a reunião com Lavrov é apenas uma possibilidade entre muitas.
Os Estados Unidos e seus aliados asiáticos fortalecem a cooperação trilateral, ignorando completamente a perspectiva de diálogo com a Rússia.
A história principal (encontro Rubio-Lavrov) é omitida deliberadamente para focar nas alianças antichinesas, redefinindo a agenda diplomática.
Todo o tópico do encontro Rubio-Lavrov é omitido, assim como as declarações do Kremlin sobre a Alemanha.
Os Estados Unidos mostram abertura ao diálogo com a Rússia e a China, mas o contexto de rivalidade com Pequim permanece em segundo plano.
A disposição americana é apresentada como um gesto neutro, mas a referência às tensões com a China é inserida para equilibrar a narrativa, criando uma impressão de equidistância.
Omite o ceticismo do Kremlin sobre a Alemanha e a natureza técnica dos contatos EUA-Rússia, bem como a reunião trilateral EUA-Japão-Coreia do Sul.
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