
Endividamento recorde expõe fragilidade fiscal nas Américas
Brasil atinge 83,5 milhões de inadimplentes enquanto análise da Câmara alerta que só um superávit de 2% do PIB estabilizaria a dívida pública, num contexto de pressão fiscal que se estende de Washington a Buenos Aires.
O Brasil encerrou 2026 com um recorde de 83,5 milhões de pessoas com contas em atraso — mais da metade da população adulta — e um montante total superior a R$ 570 mil milhões, segundo dados da Serasa. Em simultâneo, um estudo da Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados projeta que a dívida pública federal ultrapassará 100% do PIB entre 2032 e 2035, a menos que o país gere um superávit primário equivalente a 2% do PIB, algo entre R$ 250 mil milhões e R$ 300 mil milhões por ano. A análise indica que o orçamento discricionário, de apenas R$ 250 mil milhões, é insuficiente para o ajuste, forçando o debate sobre cortes em gastos obrigatórios e a desindexação de despesas atreladas ao salário mínimo e à inflação.
A pressão das dívidas não é exclusiva do Brasil. Nos Estados Unidos, o número de mutuários de empréstimos estudantis em incumprimento saltou 4,2 milhões entre abril de 2025 e março de 2026, atingindo 9,5 milhões de pessoas — uma em cada cinco com financiamento federal. O valor total em default chega a US$ 233,3 mil milhões, e analistas em Washington alertam para uma nova vaga de calotes após o fim do plano SAVE, que reduzia as prestações. Na Argentina, o governo de Javier Milei descumpriu a meta fiscal acordada com o FMI no primeiro semestre, registrando um déficit de 1,02 biliões de pesos em junho, o que deverá exigir um waiver. A Colômbia, por sua vez, vê a nova administração De la Espriella anunciar um corte de 60 biliões de pesos (11% do orçamento) para lidar com um déficit fiscal próximo de 8% do PIB, o mais alto desde a Guerra dos Mil Dias.
A dimensão humana da crise de endividamento é visível nos relatos de quem recorre a crédito para cobrir despesas básicas de saúde. No Brasil, a professora Barbara Boaventura acumulou R$ 120 mil em dívidas após um câncer de língua, usando cartão de crédito e empréstimos para tratamentos. Nos EUA, Ashley Dreahn viu sua dívida estudantil, que julgava extinta por falência, saltar para US$ 94 mil. Em contraste, a filantropa MacKenzie Scott, que já colou um dente quebrado com adesivo para dentadura por não poder pagar um dentista, doou US$ 20 milhões à saúde mental juvenil — valor que dobra a receita anual da entidade beneficiada. Observadores em Lisboa notam que, embora a filantropia privada cresça, a escala do endividamento das famílias exige respostas estruturais.
O caminho à frente é estreito. No Brasil, a composição da dívida — fortemente atrelada à Selic — cria um ciclo vicioso em que juros altos para conter a inflação encarecem o serviço da própria dívida pública. A próxima etapa concreta será a visita da diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, a Buenos Aires no final de julho, onde se discutirá o waiver e as condições para manter o programa argentino. O desfecho desse encontro dará o tom para a credibilidade fiscal da região nos mercados internacionais.
| Imprensa indiana e sul-asiática | +1.00 | aligned |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | −0.70 | critical |
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.30 | critical |
MacKenzie Scott, que experimentou a pobreza ela mesma, mostra que a filantropia pode salvar vidas jovens.
A história de sua dificuldade passada torna a doação não um ato de distanciamento, mas de solidariedade vivida.
Não menciona a dívida estudantil como um problema sistêmico nem as políticas públicas necessárias.
O Brasil está à beira de uma crise fiscal; o governo deve impor austeridade e superávit.
Usa projeções de dívida e metas do FMI para criar um senso de inevitabilidade e urgência.
Ignora as histórias individuais de endividamento e as soluções filantrópicas, concentrando-se apenas na responsabilidade fiscal do Estado.
Milhões de americanos estão se afogando em dívidas estudantis; o sistema os abandonou.
Usa histórias pessoais e dados de inadimplência para humanizar a crise e pressionar por ação.
Não aborda as dimensões globais da dívida nem as soluções filantrópicas, focando apenas no problema doméstico dos EUA.
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