
SpaceX desaba 16% e fortuna de Musk perde US$ 350 bilhões em três dias
Ações fecham abaixo do preço de estreia na Nasdaq após anúncio de emissão de dívida de US$ 20 bilhões e rating ESG negativo.
Na segunda-feira, 22 de junho, as ações da SpaceX caíram 16,4%, para US$ 154,60, abaixo do fechamento do dia de estreia na Nasdaq, há dez dias. A terceira sessão consecutiva de perdas eliminou mais de US$ 600 bilhões em valor de mercado desde o pico de US$ 225,64 em 16 de junho. A fortuna pessoal de Elon Musk, que detém cerca de 38% da empresa, encolheu US$ 350 bilhões no período, embora ele permaneça o único trilionário do planeta, com patrimônio estimado em US$ 1,1 trilhão.
O gatilho imediato para a correção foi o anúncio da primeira emissão de títulos de dívida da empresa, uma oferta de notas sênior sem garantia com grau de investimento, que busca levantar ao menos US$ 20 bilhões. Os recursos destinam-se a refinanciar um empréstimo-ponte usado na aquisição da xAI, startup de inteligência artificial de Musk, e para fins corporativos gerais. A operação acendeu preocupações sobre o endividamento futuro e potencial diluição para acionistas, em um momento em que a MSCI atribuiu à SpaceX a nota mais baixa em sua escala de sustentabilidade (CCC), citando riscos ambientais e de governança.
O movimento de venda foi amplificado pela baixa liquidez inicial: apenas 4,2% das ações estavam disponíveis para negociação no primeiro dia, e o interesse de investidores de varejo, que receberam 30% da oferta pública inicial (IPO) recorde de US$ 75 bilhões, havia impulsionado os preços nos primeiros dias. Dados da Vanda Research mostram que, na semana anterior, os pequenos investidores compraram mais ações da SpaceX do que de todas as sete gigantes tecnológicas juntas, mas o fluxo diminuiu na segunda-feira. Analistas do KeyBanc iniciaram cobertura com recomendação neutra, enquanto o Morningstar manteve estimativa de valor justo de apenas US$ 62 por ação, alertando para sobrevalorização.
Para investidores lusófonos, a dimensão da empresa — capitalização de cerca de US$ 2 trilhões, superior ao PIB combinado de Brasil e Portugal — ilustra a concentração de riqueza no setor tecnológico global. O episódio também se insere em um contexto mais amplo de realização de lucros em ações de inteligência artificial, com Alphabet, Amazon e Meta recuando, e de expectativa por dados de inflação nos EUA. Os próximos marcos incluem a definição do preço final dos títulos, a liberação gradual de ações bloqueadas a partir de agosto e a divulgação do índice de preços PCE na quinta-feira, que pode calibrar as apostas sobre a política monetária do Federal Reserve sob nova liderança.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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