
Meloni contesta secretário-geral da NATO sobre papel italiano em operação contra o Irão
Primeira-ministra italiana rejeita declarações de Mark Rutte e insiste que Roma apenas autorizou voos logísticos, enquanto Teerão denuncia “admissão clara” de envolvimento da Aliança.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, contestou publicamente o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, depois de este ter afirmado que cerca de 500 aeronaves norte-americanas operaram a partir de bases em Itália no âmbito da operação “Epic Fury” contra o Irão. Em conferência de imprensa conjunta com o presidente francês, Emmanuel Macron, Meloni declarou que “a Itália não participou no conflito com o Irão” e que a reconstituição de Rutte foi “simplista”, confundindo voos de natureza logística e técnica com ações cinéticas. A líder italiana sublinhou que o seu governo cumpriu estritamente o que comunicou ao Parlamento e que o próprio Rutte, após a controvérsia, corrigiu e precisou a tipologia dos voos autorizados.
A posição de Roma foi reiterada em múltiplas frentes. O ministro da Defesa, Guido Crosetto, classificou a mensagem do secretário-geral como “completamente incorreta”, enquanto o ministro dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, telefonou ao homólogo iraniano, Abbas Araghchi, para assegurar que “nenhuma base militar italiana foi utilizada para ações militares contra o Irão”. Do lado de Teerão, o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei, interpretou as declarações de Rutte como uma “admissão clara e incriminatória” do envolvimento ativo da NATO no conflito. Um porta-voz da Aliança clarificou posteriormente que Rutte se referia a apoio logístico e técnico prestado ao abrigo de acordos bilaterais, sem sugerir participação direta em ataques.
O episódio expõe as tensões transatlânticas em torno da operação contra o Irão. Na perspetiva de analistas europeus, a insistência de Meloni em demarcar-se do esforço de guerra norte-americano visa preservar os canais diplomáticos com Teerão e evitar que a Itália seja percecionada como beligerante numa região onde mantém interesses económicos e de segurança energética. Ao mesmo tempo, a primeira-ministra fez referência às críticas reiteradas do presidente dos EUA, Donald Trump, que acusou Roma de não apoiar Washington e chegou a ameaçar retirar o contingente militar americano do país. Para observadores em Roma, a referência de Meloni à “desilusão” de Trump serve como argumento indireto de que a ausência de participação italiana no conflito é real, pois, caso contrário, a insatisfação da Casa Branca não faria sentido.
A controvérsia insere-se num contexto mais amplo de fricção sobre o papel dos aliados europeus na estratégia de pressão máxima contra o Irão. Enquanto a administração Trump considera que a NATO deve partilhar os custos e os riscos das operações militares, várias capitais europeias, incluindo Roma, têm optado por uma postura de não beligerância, limitando-se ao apoio logístico previsto nos acordos bilaterais de defesa. A cimeira da NATO, prevista para as próximas semanas, deverá ser palco de novas discussões sobre os mecanismos de consulta prévia e o envolvimento dos Estados-membros em operações fora do quadro do artigo 5.º, num momento em que a Aliança procura conciliar a unidade interna com as diferentes sensibilidades nacionais face ao Médio Oriente.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A primeira-ministra italiana rejeitou firmemente as alegações do chefe da OTAN, insistindo que Roma não participou do conflito contra o Irã e apenas forneceu apoio técnico e logístico. O desmentido, acompanhado de um telefonema do ministro das Relações Exteriores para Teerã, desmonta a narrativa ocidental de amplo envolvimento aliado. O episódio expõe fissuras na unidade atlântica e alimenta o ceticismo em relação às operações militares no Oriente Médio.
O ministro das Relações Exteriores italiano esclareceu ao seu homólogo iraniano que a Itália não participou de nenhuma iniciativa militar contra o Irã e não autorizou o uso de suas bases. O esclarecimento ocorre após as declarações do secretário-geral da OTAN sobre um suposto envolvimento italiano. Roma reafirma o cumprimento dos acordos bilaterais com Washington.
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