
Israel insiste em manter tropas em zonas de segurança no Líbano, Síria e Gaza após conversa com Pentágono
Ministro da Defesa israelita comunicou a Pete Hegseth a determinação de permanecer nos territórios ocupados, enquanto Washington relata pressão de Trump para a retirada e negociações com Beirute.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou na quinta-feira que o país manterá as suas forças nas chamadas “zonas de segurança” que estabeleceu no Líbano, na Síria e na Faixa de Gaza. A declaração, divulgada pelo seu gabinete após uma conversa telefónica noturna com o secretário de Guerra norte-americano, Pete Hegseth, sublinha que Israel “nunca pediu aos Estados Unidos que atuassem em nosso lugar ao longo das nossas fronteiras” e que está “empenhado em proteger os cidadãos israelitas de qualquer ameaça”.
Segundo o comunicado israelita, Hegseth partilhou informações sobre as operações militares dos EUA contra o Irão e ambos acordaram manter a coordenação bilateral face a eventuais desenvolvimentos. A administração norte-americana, contudo, tem pressionado em sentido contrário: o site Axios noticiou que o presidente Donald Trump pediu ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, numa chamada na semana anterior, que retirasse as forças israelitas da Síria e do Líbano, argumentando que a presença militar gera tensões. “Eles não vos querem lá. Devem reposicionar-se”, terá dito Trump, segundo uma fonte citada pelo Axios. Em paralelo, os EUA mediaram em Roma uma nova ronda de conversações entre Israel e o Líbano, classificada como “positiva”, prevendo-se para os próximos dias o início da retirada israelita de duas “zonas-piloto” no sul libanês.
Na perspetiva de Beirute e de Damasco, a insistência de Israel em permanecer nos territórios é interpretada como uma consolidação da ocupação. No Líbano, as forças israelitas mantêm-se numa faixa de cerca de dez quilómetros a norte da fronteira, enquanto em Gaza controlam 60% do território e todo o perímetro exterior. Na Síria, após a queda do regime de Bashar al-Assad em dezembro de 2024, Israel enviou tropas para a zona tampão dos Montes Golã patrulhada pela ONU e realizou repetidas incursões e bombardeamentos, exigindo a desmilitarização do sul do país. Katz justificou a presença militar como “a lição central” dos ataques de 7 de outubro, invocando a necessidade de proteger as comunidades fronteiriças de “forças jihadistas”.
O anúncio israelita surge num momento de reconfiguração diplomática. Netanyahu adiou a viagem prevista para Washington na próxima semana, depois de o funeral do senador Lindsey Graham ter sido reagendado para o final do mês. A administração Trump, que durante meses procurou um novo acordo de segurança entre Israel e a Síria, terá concluído que o governo israelita não pretende fazer as concessões exigidas, incluindo a retirada gradual do território sírio ocupado. O dossier permanece em aberto, com as negociações trilaterais sobre o Líbano a avançar, mas sem um calendário público para a retirada total das forças israelitas das três frentes.
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O Irão denuncia a presença israelita como uma ameaça à soberania regional e um fracasso estratégico.
Ao recordar as derrotas passadas de Israel e dos EUA no Irão, constrói uma narrativa de fracasso inevitável para as operações atuais.
Omite as ameaças jihadistas que Israel cita como justificação, nem a pressão dos EUA para uma retirada.
Israel afirma o seu direito à autodefesa e a necessidade de permanecer nas zonas de segurança para proteger os seus cidadãos das ameaças jihadistas.
Ao enfatizar a ameaça jihadista como justificação primária, cria uma hierarquia de prioridades que legitima a presença militar.
Omite a pressão dos EUA para uma retirada e a crítica internacional que rotula as zonas como uma ocupação dissimulada.
A Europa critica a presença israelita como uma ocupação dissimulada e destaca a divergência com os Estados Unidos, que pedem uma retirada.
Ao enquadrar a presença israelita como uma ocupação dissimulada, aplica normas internacionais universais para deslegitimar a ação israelita.
Omite as ameaças jihadistas específicas que Israel cita como justificação, nem a declaração de Israel de que não pediu aos EUA que agissem em seu nome.
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