
Irão rejeita interferência dos EUA no Estreito de Ormuz e articula gestão com Omã
Presidente do Parlamento iraniano afirma que qualquer presença americana na via marítima não será tolerada, enquanto Teerão e Mascate preparam proposta de taxas voluntárias para financiar a segurança da passagem.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou esta sexta-feira que a República Islâmica não permitirá qualquer interferência dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz. A afirmação foi feita durante um encontro em Teerão com o vice-presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional da China, He Wei, que se deslocou à capital iraniana para as cerimónias fúnebres do Líder da Revolução, ayatollah Ali Khamenei. Segundo a imprensa estatal iraniana, Ghalibaf revelou que, no quadro do artigo 5.º do memorando de entendimento celebrado com Washington, o Irão e Omã acordaram mecanismos para regular o tráfego no estreito, sublinhando que a coordenação com os países ribeirinhos do Golfo Pérsico, incluindo o Iraque, será prosseguida.
De acordo com fontes diplomáticas em Mascate e com a imprensa indonésia, o entendimento entre Irão e Omã prevê a criação de um sistema de contribuições voluntárias por parte das companhias de navegação, à semelhança do modelo aplicado no Estreito de Malaca, destinado a financiar a manutenção da via, a proteção ambiental e as operações de salvamento marítimo. O ministro dos Negócios Estrangeiros omanita, Sayyid Badr bin Hamad Al Busaidi, clarificou que não se trata de uma taxa obrigatória, mas de um pagamento facultativo. A proposta deverá ser submetida aos Estados Unidos, que já manifestaram oposição a qualquer cobrança numa via marítima internacional. Em Teerão, Ghalibaf garantiu ainda que foram resolvidos os problemas de trânsito para os navios chineses, país que descreveu como parceiro nos momentos difíceis.
A imprensa iraniana no exílio reporta que a Guarda Revolucionária destacou forças especiais ao longo da costa do Golfo Pérsico com a missão de identificar previamente as embarcações que utilizam o corredor sul do estreito, próximo de Omã, e de obter, através de fontes omanitas, informações sobre os horários de passagem. Esta medida surge depois de um ataque a um navio de carga com bandeira de Singapura, atribuído a forças navais iranianas, e dos subsequentes bombardeamentos norte-americanos a instalações costeiras iranianas. Atualmente, coexistem três rotas de trânsito: a setentrional, sob controlo iraniano; a meridional, junto à costa omanita; e a central, encerrada devido a minas navais que Teerão se comprometeu a remover no prazo de trinta dias.
Na perspetiva de Bagdade, o presidente do Parlamento iraquiano, Mohammed al-Halbousi, também presente nas cerimónias fúnebres, saudou o acordo e manifestou a expectativa de que a reabertura do estreito permita retomar as exportações de petróleo e compensar os prejuízos sofridos durante a guerra de quarenta dias, na qual o Iraque foi igualmente alvo de ataques israelitas. Ghalibaf, por seu turno, acusou Israel de procurar sabotar o memorando de entendimento entre o Irão e os EUA, mas assegurou que a capacidade de dissuasão iraniana impedirá o reinício das hostilidades. A China, através de He Wei, reiterou o compromisso de aprofundar a parceria estratégica bilateral, assinalando o 55.º aniversário das relações diplomáticas e os dez anos da parceria estratégica.
As negociações prosseguem em Doha com base numa nova proposta omanita, enquanto o dossier do Estreito de Ormuz permanece em aberto. A concretização do modelo de taxas voluntárias e a normalização do tráfego dependerão da aceitação por Washington e da consulta aos Estados costeiros do Golfo, num contexto em que a gestão da via marítima se mantém no centro das tensões regionais.
| Imprensa iraniana e afins | +0.70 | aligned |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.70 | critical |
O Irã proclama seu direito inalienável sobre o Estreito de Ormuz, desafiando qualquer interferência externa.
A repetição do termo 'exclusivo' e a referência a um acordo com a China criam uma estrutura de legitimidade internacional, enquanto a ameaça implícita de bloquear o tráfego marítimo fortalece a posição de negociação.
O contexto das sanções internacionais e das acusações de ataques a navios mercantes é omitido, o que enfraqueceria a alegação de mera defesa.
O Ocidente denuncia as reivindicações iranianas como uma ameaça à liberdade de navegação e à estabilidade regional.
O uso de fontes de inteligência anônimas e o quadro de 'ameaça iminente' criam um senso de urgência, enquanto a referência a planos de assassinato israelenses desloca o foco para o perigo do regime iraniano.
O ponto de vista iraniano sobre a legítima defesa e o contexto das provocações dos EUA na região são omitidos.
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