
Irão e EUA concluem ronda técnica na Suíça e criam quatro grupos de trabalho para acordo final
As delegações preparam a fase de alto nível, que envolverá os vice-presidentes dos dois países e os mediadores do Catar e do Paquistão, enquanto Washington emite uma licença temporária para a venda de petróleo iraniano.
As conversações técnicas entre o Irão e os Estados Unidos, mediadas pelo Catar e pelo Paquistão, foram concluídas na madrugada de terça-feira em Bürgenstock, na Suíça, com a decisão de criar quatro grupos de trabalho especializados. O anúncio foi feito pelo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, que liderou a equipa técnica de Teerão. Os grupos cobrem o levantamento de sanções, o programa nuclear, a reconstrução e o desenvolvimento económico, e a monitorização e implementação dos compromissos. A fase seguinte, segundo Gharibabadi, será supervisionada por um comité de alto nível que integrará o presidente do parlamento iraniano, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, o vice-presidente norte-americano e os primeiros-ministros do Catar e do Paquistão.
Na perspetiva de Teerão, a estrutura de trabalhos reflete o conteúdo do memorando de entendimento assinado à distância a 18 de junho, que prevê o fim das hostilidades militares iniciadas em 28 de fevereiro, o levantamento do bloqueio naval imposto por Washington aos portos iranianos e a reabertura do estreito de Ormuz. Do lado norte-americano, o Departamento do Tesouro emitiu na segunda-feira uma licença válida por 60 dias — até 21 de agosto — que autoriza a produção, venda, transporte e importação de crude, produtos petroquímicos e derivados do petróleo iraniano, apesar de as sanções económicas mais amplas continuarem em vigor. O vice-presidente J.D. Vance afirmou que o Irão se comprometeu a garantir a livre circulação no estreito de Ormuz e a permitir a entrada de inspetores da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) no seu território. A mesma fonte indicou que foi acordada a criação de uma célula de desconflito para o cessar-fogo regional, incluindo o Líbano.
Observadores europeus notam que a libertação imediata de 12 mil milhões de dólares de fundos iranianos congelados, confirmada por Gharibabadi, e a licença petrolífera constituem gestos de construção de confiança, mas sublinham que o caminho até um acordo abrangente permanece incerto. A ronda técnica foi antecedida por um episódio de tensão: no domingo, a delegação iraniana abandonou a sala após o presidente Donald Trump repetir ameaças contra o Irão na rede social X, regressando às conversações na segunda-feira. Analistas do Médio Oriente recordam que, antes do bloqueio naval de abril, o Irão exportava mais de 1,5 milhões de barris diários de petróleo, volume que caiu para 260 mil barris em maio, segundo cálculos citados pela imprensa económica.
O memorando de entendimento estabelece um prazo de 60 dias para a negociação de um acordo final. O comité de alto nível agora anunciado deverá orientar as discussões substantivas sobre o levantamento de sanções, as garantias nucleares e a estabilização regional. Na perspetiva de Brasília, o formato que associa mediadores do Golfo Pérsico e do Sul da Ásia é observado como um modelo de diplomacia multilateral que pode influenciar outras crises. O dossiê entra, assim, numa etapa em que os compromissos técnicos já alcançados terão de ser convertidos em decisões políticas vinculativas, com a próxima reunião de alto nível ainda sem data confirmada.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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As conversações técnicas terminaram, mas Washington vinculou o alívio das sanções ao progresso nas negociações de trégua, lançando dúvidas sobre o compromisso iraniano. Os grupos de trabalho são um passo processual; o verdadeiro teste é a vontade de Teerã de desescalar conflitos regionais.
As negociações avançaram para a 'segunda base', com grupos de trabalho formados e vendas de petróleo autorizadas, sinalizando um avanço pragmático. O comitê de alto nível supervisionará o caminho para um acordo final, com a reconstrução econômica do Irã no centro.
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