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Geopolítica & Políticaterça-feira, 23 de junho de 2026

Líbano e Israel retomam negociações diretas em Washington sob sombra de acordo EUA-Irão

Quinta ronda de conversações arranca com cessar-fogo frágil, enquanto Beirute tenta afirmar soberania face a um memorando americano-iraniano que incluiu o teatro libanês.

A quinta ronda de negociações diretas entre o Líbano e Israel teve início esta terça-feira em Washington, mediada pelos Estados Unidos, num contexto marcado pela entrada em vigor de um cessar-fogo precário no sul do Líbano. A trégua, a mais prolongada desde o começo da guerra a 2 de março, decorre do memorando de entendimento assinado entre Washington e Teerão na semana passada, que estipulou a suspensão das hostilidades em todas as frentes, incluindo o território libanês. Paralelamente, os mediadores Paquistão e Qatar anunciaram a criação de uma “célula de desconflito” com a participação do governo libanês, destinada a garantir a adesão ao fim das operações militares. O presidente norte-americano, Donald Trump, condicionou a continuidade do processo ao comportamento do Hezbollah, ameaçando atingir o Irão “com mais dureza” caso os seus “proxies” no Líbano continuem a gerar instabilidade.

Na perspetiva de Beirute, as conversações frente a frente com Israel representam a única via para assegurar a retirada das tropas israelitas e recuperar o controlo do sul do país. O presidente libanês, Joseph Aoun, reiterou que “negociamos por nós próprios e não aceitamos que outra parte o faça”, numa alusão ao papel de Teerão, que através do Hezbollah mantém influência política e militar no Líbano. Fontes libanesas ouvidas pela Reuters manifestaram ceticismo quanto a progressos tangíveis, sublinhando um “problema fundamental de confiança” e a incapacidade de satisfazer as exigências israelitas. Beirute pretende arrancar um calendário “razoável” para a retirada israelita, enquanto Israel, segundo o porta-voz do governo David Mencer, vê as conversações como um caminho para “desarmar e desmantelar o Hezbollah” e alcançar um “acordo de paz genuíno”. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu reafirmou que as forças israelitas manterão “liberdade de ação” e permanecerão indefinidamente na “zona de segurança” a sul do rio Litani.

O acordo EUA-Irão alterou o equilíbrio de forças na mesa negocial. De acordo com responsáveis libaneses e diplomatas estrangeiros citados pela Reuters, o memorando “retirou o tapete” ao Estado libanês, reforçando a posição do Hezbollah e deixando Beirute na sua posição mais frágil desde o início do conflito. O grupo armado, que rejeita o desarmamento total e apela ao governo para abandonar as conversações diretas, aposta agora na capacidade de Teerão de exigir a retirada israelita no quadro das negociações finais com Washington. Observadores em Washington, como Karim Safieddine do Tahrir Institute, alertam para o risco de Israel adotar uma postura ainda mais intransigente, dada a irritação dos seus responsáveis com o acordo americano-iraniano, e notam que não houve “mudança estrutural” nas posições que indicie progressos.

As conversações, que decorrerão durante três dias, foram estruturadas em dois trilhos separados — político e militar — e incluem uma sessão conjunta inicial, seguida de reuniões especializadas. A delegação norte-americana é chefiada pelo conselheiro do Departamento de Estado Dan Holler e pelo secretário-adjunto de Defesa Daniel Zimmerman. Do lado libanês, a embaixadora em Washington, Nada Maouad, lidera a representação, enquanto o embaixador israelita Yechiel Leiter encabeça a equipa de Telavive. O Secretário de Estado Marco Rubio manteve contactos telefónicos preparatórios com Aoun e Netanyahu, e o Comando Central dos EUA (CENTCOM) ativou um mecanismo de monitorização para fornecer informações em tempo real sobre a situação no terreno. A guerra, desencadeada por disparos do Hezbollah em apoio ao Irão e pela subsequente invasão israelita, já provocou mais de quatro mil mortos no Líbano. As quatro rondas anteriores, realizadas desde abril, não produziram um cessar-fogo duradouro, e a atual trégua depende da consolidação dos canais de desconflito e da evolução das conversações técnicas entre EUA e Irão, que prosseguem com grupos de trabalho sobre sanções, programa nuclear e verificação.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Imprensa iraniana e afinsImprensa atlântica / anglosfera
Imprensa iraniana e afins/ Regime
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Israel, sob Netanyahu, declarou que manterá a ocupação do sul do Líbano e continuará as ofensivas militares, sob o pretexto de uma 'zona de segurança' e de 'neutralizar ameaças'. Isso ocorre apesar das negociações entre EUA e Irã e de um suposto mecanismo de desconflito, expondo a verdadeira natureza agressiva do regime sionista.

Imprensa atlântica / anglosfera/ Segurança
DistanciamentoPragmatismo

Líbano e Israel iniciam uma quinta rodada de conversações diretas em Washington, ofuscadas pelo acordo EUA-Irã que produziu uma calmaria temporária nos combates. Autoridades libanesas insistem que negociações presenciais são o único caminho para encerrar uma guerra que matou mais de 4.000 pessoas desde março, mas as rodadas anteriores não conseguiram garantir um cessar-fogo duradouro.

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terça-feira, 23 de junho de 2026

Líbano e Israel retomam negociações diretas em Washington sob sombra de acordo EUA-Irão

Quinta ronda de conversações arranca com cessar-fogo frágil, enquanto Beirute tenta afirmar soberania face a um memorando americano-iraniano que incluiu o teatro libanês.

A quinta ronda de negociações diretas entre o Líbano e Israel teve início esta terça-feira em Washington, mediada pelos Estados Unidos, num contexto marcado pela entrada em vigor de um cessar-fogo precário no sul do Líbano. A trégua, a mais prolongada desde o começo da guerra a 2 de março, decorre do memorando de entendimento assinado entre Washington e Teerão na semana passada, que estipulou a suspensão das hostilidades em todas as frentes, incluindo o território libanês. Paralelamente, os mediadores Paquistão e Qatar anunciaram a criação de uma “célula de desconflito” com a participação do governo libanês, destinada a garantir a adesão ao fim das operações militares. O presidente norte-americano, Donald Trump, condicionou a continuidade do processo ao comportamento do Hezbollah, ameaçando atingir o Irão “com mais dureza” caso os seus “proxies” no Líbano continuem a gerar instabilidade.

Na perspetiva de Beirute, as conversações frente a frente com Israel representam a única via para assegurar a retirada das tropas israelitas e recuperar o controlo do sul do país. O presidente libanês, Joseph Aoun, reiterou que “negociamos por nós próprios e não aceitamos que outra parte o faça”, numa alusão ao papel de Teerão, que através do Hezbollah mantém influência política e militar no Líbano. Fontes libanesas ouvidas pela Reuters manifestaram ceticismo quanto a progressos tangíveis, sublinhando um “problema fundamental de confiança” e a incapacidade de satisfazer as exigências israelitas. Beirute pretende arrancar um calendário “razoável” para a retirada israelita, enquanto Israel, segundo o porta-voz do governo David Mencer, vê as conversações como um caminho para “desarmar e desmantelar o Hezbollah” e alcançar um “acordo de paz genuíno”. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu reafirmou que as forças israelitas manterão “liberdade de ação” e permanecerão indefinidamente na “zona de segurança” a sul do rio Litani.

O acordo EUA-Irão alterou o equilíbrio de forças na mesa negocial. De acordo com responsáveis libaneses e diplomatas estrangeiros citados pela Reuters, o memorando “retirou o tapete” ao Estado libanês, reforçando a posição do Hezbollah e deixando Beirute na sua posição mais frágil desde o início do conflito. O grupo armado, que rejeita o desarmamento total e apela ao governo para abandonar as conversações diretas, aposta agora na capacidade de Teerão de exigir a retirada israelita no quadro das negociações finais com Washington. Observadores em Washington, como Karim Safieddine do Tahrir Institute, alertam para o risco de Israel adotar uma postura ainda mais intransigente, dada a irritação dos seus responsáveis com o acordo americano-iraniano, e notam que não houve “mudança estrutural” nas posições que indicie progressos.

As conversações, que decorrerão durante três dias, foram estruturadas em dois trilhos separados — político e militar — e incluem uma sessão conjunta inicial, seguida de reuniões especializadas. A delegação norte-americana é chefiada pelo conselheiro do Departamento de Estado Dan Holler e pelo secretário-adjunto de Defesa Daniel Zimmerman. Do lado libanês, a embaixadora em Washington, Nada Maouad, lidera a representação, enquanto o embaixador israelita Yechiel Leiter encabeça a equipa de Telavive. O Secretário de Estado Marco Rubio manteve contactos telefónicos preparatórios com Aoun e Netanyahu, e o Comando Central dos EUA (CENTCOM) ativou um mecanismo de monitorização para fornecer informações em tempo real sobre a situação no terreno. A guerra, desencadeada por disparos do Hezbollah em apoio ao Irão e pela subsequente invasão israelita, já provocou mais de quatro mil mortos no Líbano. As quatro rondas anteriores, realizadas desde abril, não produziram um cessar-fogo duradouro, e a atual trégua depende da consolidação dos canais de desconflito e da evolução das conversações técnicas entre EUA e Irão, que prosseguem com grupos de trabalho sobre sanções, programa nuclear e verificação.

Divergência das fontes

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Como a mesma história é contada em outros lugares.

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IndignaçãoRevanchismo

Israel, sob Netanyahu, declarou que manterá a ocupação do sul do Líbano e continuará as ofensivas militares, sob o pretexto de uma 'zona de segurança' e de 'neutralizar ameaças'. Isso ocorre apesar das negociações entre EUA e Irã e de um suposto mecanismo de desconflito, expondo a verdadeira natureza agressiva do regime sionista.

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Líbano e Israel iniciam uma quinta rodada de conversações diretas em Washington, ofuscadas pelo acordo EUA-Irã que produziu uma calmaria temporária nos combates. Autoridades libanesas insistem que negociações presenciais são o único caminho para encerrar uma guerra que matou mais de 4.000 pessoas desde março, mas as rodadas anteriores não conseguiram garantir um cessar-fogo duradouro.

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