
Irão e Bélgica empatam sem golos, guarda-redes Beiranvand segura o nulo em Los Angeles
O empate a zero no Grupo G do Mundial 2026 mantém as duas seleções com dois pontos, atrás do Egito, enquanto autoridades iranianas usam a exibição para mensagens de defesa nacional.
O Irão e a Bélgica empataram 0-0 na segunda jornada do Grupo G do Campeonato do Mundo de 2026, disputado no Estádio SoFi, em Los Angeles. O guarda-redes iraniano Alireza Beiranvand foi eleito o homem do jogo, após uma série de defesas decisivas que mantiveram a baliza inviolada, incluindo uma intervenção considerada a defesa do encontro, aos 67 minutos, pouco antes da expulsão do defesa belga Nathan Ngoy.
A Bélgica, liderada por Kevin De Bruyne e Romelu Lukaku, exerceu pressão inicial e dominou a posse de bola, mas esbarrou na organização defensiva iraniana e nas intervenções de Beiranvand. O Irão respondeu em contra-ataque e chegou a marcar por Mehdi Taremi aos 24 minutos, mas o golo foi anulado por fora de jogo após revisão do VAR. Na segunda parte, a expulsão de Ngoy, por falta sobre um atacante iraniano em situação de isolamento, deixou a Bélgica com dez jogadores a partir dos 67 minutos. Apesar da inferioridade numérica, os belgas ainda criaram a oportunidade mais perigosa nos descontos, com um remate de Dodi Lukebakio a passar rente ao poste.
Com este resultado, ambas as seleções somam dois pontos, fruto de dois empates consecutivos — o Irão havia empatado 2-2 com a Nova Zelândia na estreia, e a Bélgica dividiu pontos com o Egito (1-1). O Egito lidera o grupo com quatro pontos, enquanto a Nova Zelândia, com um ponto, ocupa o último lugar. O regulamento apura os dois primeiros de cada grupo e os oito melhores terceiros para a fase de 32 avos.
A exibição da equipa iraniana foi imediatamente apropriada pelo discurso político interno. O presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, publicou nas redes sociais uma fotografia do momento em que Beiranvand e a defesa bloqueiam um remate belga, com a legenda: “É assim que protegemos a nossa terra”. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, partilhou a mesma imagem, acrescentando uma montagem com vítimas de um ataque a uma escola em Minab e escrevendo que cada passo dos iranianos, “do campo de futebol à mesa de negociações e ao campo de batalha”, integra uma luta pela honra e dignidade nacionais. A seleção iraniana está alojada em Tijuana, no México, e disputa os jogos do grupo em território norte-americano, num contexto de tensão diplomática entre Teerão e Washington, país coanfitrião do torneio.
O Irão encerra a fase de grupos contra o Egito, enquanto a Bélgica defronta a Nova Zelândia, em jornada que definirá os classificados do Grupo G.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O empate sem gols contra a Bélgica é celebrado como uma resistência heroica, com as defesas de Beiranvand transformadas em símbolo da proteção da pátria. Figuras políticas ligaram a partida à luta mais ampla contra os Estados Unidos, enquadrando-a como parte da defesa da honra e dignidade iranianas. O gol anulado de Taremi traz pesar, mas não ofusca a atuação corajosa.
Autoridades iranianas exploraram a partida da Copa do Mundo para promover uma narrativa política, compartilhando a imagem de uma defesa do goleiro e comparando-a à defesa do país contra os Estados Unidos. A reportagem destaca que o ministro das Relações Exteriores chegou a inserir fotos de vítimas de um ataque a uma escola, misturando esporte e propaganda. O enquadramento transmite uma visão crítica da politização do evento esportivo.
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