
Irã reivindica administração permanente do Estreito de Ormuz e acorda canal direto com Washington
Após primeira ronda de negociações na Suíça, Teerã declara que a via marítima estratégica não voltará ao status anterior à guerra, enquanto os EUA suspendem temporariamente sanções petrolíferas.
O negociador-chefe iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou nesta segunda-feira que o Estreito de Ormuz “nunca voltará às condições anteriores à guerra” e passará a ser administrado pela República Islâmica, em conformidade com o direito internacional. A declaração foi feita após o regresso da primeira ronda de conversações com os Estados Unidos na Suíça, destinada a encerrar de forma permanente o conflito que envolveu também Israel. No mesmo dia, Teerã e Washington acordaram estabelecer uma linha direta de comunicação e um centro de coordenação para evitar incidentes e garantir a passagem segura de navios comerciais pelo estreito, por onde transitava cerca de um quinto das exportações mundiais de energia antes das hostilidades.
Na perspetiva de Teerã, o controlo do estreito insere-se numa nova arquitetura de segurança regional que combina poder militar e diplomacia. Ghalibaf descreveu as negociações como “continuação da luta” e advertiu que, perante problemas de implementação, o Irã pode responder “tanto com mísseis como através de negociações”. Fontes iranianas confirmaram ainda a finalização de um acordo para a libertação de 12 mil milhões de dólares em ativos congelados e a suspensão temporária de sanções sobre petróleo, petroquímicos, banca, seguros e transportes, até à conclusão de um pacto definitivo. Em contrapartida, o vice-presidente norte-americano J.D. Vance anunciou que o Irã permitirá o regresso dos inspetores nucleares da ONU. Apesar dos avanços, Ghalibaf reiterou que o Irã “nunca confiou nos americanos e nunca confiará”, sublinhando a desconfiança estrutural entre as partes.
A administração Trump, por seu lado, sustenta que os Estados Unidos mantêm “controlo total” do Estreito de Ormuz, atribuindo a reabertura da via à superioridade naval americana. O presidente Donald Trump advertiu que tomará as medidas necessárias se o Irã não cumprir os compromissos e classificou a prevenção de uma arma nuclear iraniana como prioridade superior aos riscos de depressão económica global. A divergência de narrativas sobre quem exerce a autoridade no estreito expõe a fragilidade do memorando de entendimento assinado na semana passada, que fixa um prazo de 60 dias para negociar um tratado de paz abrangente, incluindo o futuro do programa nuclear iraniano.
Observadores no Golfo Pérsico manifestam inquietação com os termos do pré-acordo. Monarquias árabes como os Emirados Árabes Unidos, o Kuwait e o Bahrein, que albergam bases militares norte-americanas e foram alvo de ataques iranianos durante o conflito, receiam que o fundo de reconstrução de 300 mil milhões de dólares previsto para o Irã e a omissão de exigências sobre o desmantelamento de mísseis balísticos reforcem a capacidade militar de Teerã. O secretário de Estado Marco Rubio iniciou uma visita urgente a esses países para apresentar os detalhes do memorando ao Conselho de Cooperação do Golfo. Israel, por sua vez, opõe-se “ferozmente” ao processo negocial, segundo o negociador iraniano, por considerá-lo uma ameaça existencial, enquanto exige que qualquer cessar-fogo no Líbano não implique a retirada das suas forças do sul do país.
Para economias lusófonas dependentes de importações energéticas, como o Brasil e Portugal, a estabilidade do Estreito de Ormuz é uma variável crítica. O Brasil importa volumes significativos de petróleo do Oriente Médio, e uma alteração duradoura no regime de passagem ou na cobrança de taxas — Teerã já criou uma entidade para arrecadar fundos de navios — pode repercutir nos mercados globais. O Irã anunciou ainda uma parceria com Omã, país que partilha o estreito, para coordenar o tráfego marítimo, enquanto as negociações técnicas prosseguem na Suíça. O dossier permanece em aberto: o acordo final deverá ser concluído no prazo de 60 dias, mas a reabertura intermitente do estreito — encerrado novamente no sábado em retaliação a ataques israelitas no Líbano — evidencia a volatilidade do processo.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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European continental press reports Iran's claim that the Strait of Hormuz will be administered by Tehran, citing the chief negotiator. The coverage remains neutral, presenting the statement as a development in ongoing talks without explicit judgment. It notes that Washington maintains its position of control.
Indian and South Asian media emphasize Iran's firm stance that the Strait will not return to pre-war conditions and that it will be administered by Tehran. They also report US assertions of control, creating a narrative of ongoing tension. The coverage balances the competing claims with a skeptical tone.
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