
Ucrânia atinge fábrica de mísseis em Voronej e crise de combustíveis se alastra à Sibéria
O ataque com mísseis a uma unidade de semicondutores matou cinco pessoas, enquanto o racionamento de gasolina e diesel se estende a regiões siberianas, no quadro de uma campanha de drones que já contabiliza mais de 800 mil impactos contra alvos russos em 2026.
Um ataque com mísseis de cruzeiro ucranianos contra a Fábrica de Dispositivos Semicondutores de Voronej, no sudoeste da Rússia, matou cinco pessoas e feriu dezenas na segunda-feira, confirmou o governador regional Alexander Gusev. Kiev reivindicou a operação, afirmando que a unidade produz componentes eletrónicos para mísseis russos utilizados contra o território ucraniano. O episódio insere-se numa ofensiva aérea de longo alcance que, segundo o Ministério da Defesa da Ucrânia, registou mais de 800 mil impactos verificados por vídeo contra alvos russos no primeiro semestre de 2026 — o dobro do ritmo do ano anterior. A campanha, conduzida por drones kamikaze Liutyi com alcance superior a 2.000 quilómetros, tem como alvos prioritários refinarias, depósitos de combustível e infraestruturas militares, e já provocou escassez de gasolina e diesel em várias regiões da Rússia.
Na perspetiva de Kiev, os ataques funcionam como “sanções de longo alcance” destinadas a degradar a capacidade bélica e a financiar a máquina de guerra russa. O presidente Volodymyr Zelenskyy tem sublinhado que a distância não limita as capacidades ucranianas e que a guerra “chegou agora às vossas casas”. Moscovo, por seu lado, condena as incursões como atos terroristas e assegura que os sistemas de defesa aérea operam “a alto nível”. Contudo, uma análise do The New York Times a vídeos verificados indica que a explosão de um silo de combustível numa refinaria de Kapotnia, a sudeste de Moscovo, na quinta-feira passada, poderá ter sido causada por um míssil de defesa aérea portátil russo, e não por um drone ucraniano. O episódio ilustra as dificuldades que os escudos antiaéreos enfrentam perante enxames de drones baratos, um desafio reconhecido por especialistas britânicos em defesa.
A crise de abastecimento de combustíveis, inicialmente circunscrita à Crimeia anexada — onde as vendas a civis foram suspensas —, alastrou às regiões de Omsk e Novosibirsk, na Sibéria, a mais de 2.500 quilómetros da frente de batalha. As autoridades locais impuseram limites de 40 litros de gasolina por viatura e proibiram o enchimento de bidões, invocando a necessidade de evitar compras de pânico e especulação. O vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, reconheceu publicamente uma quebra na produção petrolífera devido a “trabalhos de manutenção não programados” em refinarias — eufemismo para instalações danificadas pelos ataques. Em paralelo, as forças russas mantêm bombardeamentos diários sobre cidades ucranianas: ataques noturnos feriram seis civis em Sumy, Zaporizhzhia e Kharkiv, e um projétil guiado destruiu um tróleibus vazio em Sumy, deixando o motorista em estado crítico.
O dossier diplomático conhece novos movimentos. Os líderes das principais potências militares europeias — Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Polónia — reúnem-se na quarta-feira em Berlim, com a participação por videoconferência do secretário-geral da NATO, para coordenar posições antes da cimeira da Aliança em Ancara, em julho. A Ucrânia, através do seu enviado às Nações Unidas, advertiu que a proposta de cessar-fogo ao longo da linha da frente poderá ser recalibrada se não houver um impulso internacional significativo, afirmando que “a nossa paciência não é infinita”. A partir de Brasília, a escalada é acompanhada com preocupação pelos seus efeitos nos preços globais de alimentos e energia, que oneram importadores da África lusófona. Em Lisboa, alinhada com a posição europeia, observa-se o impasse com a expectativa de que a pressão económica sobre Moscovo possa criar condições para uma negociação, ainda que o horizonte temporal permaneça incerto.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
2 grupos editoriais · 1 idiomas
As forças ucranianas atingiram uma fábrica russa que produz componentes de mísseis, causando vítimas. Ataques simultâneos de drones tiveram como alvo a ponte de Kerch e a infraestrutura energética na Crimeia. As principais potências militares europeias reúnem-se em Berlim para coordenar um papel mais forte nos esforços de paz.
Um ataque russo com drones em Sumy matou uma família de três pessoas, incluindo um menino de 13 anos, enquanto um ataque ucraniano a uma fábrica russa deixou cinco mortos. Ambos os lados continuam a atingir áreas civis, e a ONU contabilizou mais de 16.000 mortes civis desde o início da invasão em grande escala.
Artigos relacionados
Colômbia vence RD Congo por 1-0 e carimba vaga nas 16 avos de final
9 idiomas · 34 veículos
EsporteCroácia vence Panamá por 1-0 e segue viva no Grupo L; canaleros eliminados
6 idiomas · 27 veículos
EsporteLumumba Vea, a estátua viva do Congo, estreia no Mundial em derrota para a Colômbia
8 idiomas · 17 veículos