
Omã e Irã reiteram livre navegação no Estreito de Ormuz após memorando com EUA
Encontro em Mascate entre o chanceler omanita e líderes iranianos discutiu cláusula do entendimento Teerã-Washington e reafirmou compromisso com passagem segura e sem taxas no estratégico canal.
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã, Badr bin Hamad al-Busaidi, recebeu em Mascate o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o chanceler Abbas Araghchi para discutir o memorando de entendimento assinado entre Teerão e Washington, com destaque para a cláusula relativa ao Estreito de Ormuz. Após o encontro, al-Busaidi declarou que as conversas foram “construtivas” e que Omã sublinhou o compromisso com o direito internacional e a garantia de passagem segura e gratuita de navios pelo canal — uma via por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial. A reunião insere-se na visita oficial de Ghalibaf ao sultanato, que tem atuado como mediador entre o Irão e os Estados Unidos.
Segundo fontes oficiais omanitas, ambas as partes enfatizaram a importância de aproveitar a atual janela diplomática para apoiar os esforços de paz, reduzir as tensões regionais e consolidar a estabilidade com base nos princípios do direito internacional e da boa vizinhança. A chancelaria de Omã reiterou que não serão cobradas taxas de passagem, contrariando alegações recentes de que o Irão pretendia impor portagens. Na perspetiva de Teerão, a agência oficial Fars destacou que as discussões incidiram sobre o acompanhamento do memorando e a segurança da navegação, sem detalhar compromissos específicos.
A cláusula de não ingerência incluída no memorando gerou leituras divergentes. Para analistas da diáspora iraniana e setores da oposição no exílio, o entendimento representa um recuo de Washington face ao apoio aos manifestantes no Irão, ao comprometer-se a não interferir nos assuntos internos do país. Estes críticos recordam que o presidente norte-americano, Donald Trump, havia encorajado repetidamente os iranianos a “retomar as suas instituições”, mas que o acordo agora sinalizaria uma normalização de relações sem exigir responsabilização por décadas de repressão e desestabilização regional. A administração norte-americana, por sua vez, não comentou oficialmente o teor das conversas em Mascate, mas fontes diplomáticas em Washington indicam que o memorando visa sobretudo congelar as tensões no Golfo Pérsico durante o cessar-fogo de 60 dias.
O Estreito de Ormuz, ponto nevrálgico para o abastecimento energético global, tem estado no centro das preocupações de países lusófonos como Brasil e Portugal, cujas economias são sensíveis às flutuações do preço do petróleo. A garantia de livre circulação sem taxas adicionais é vista por analistas em Lisboa e Brasília como um fator de estabilização dos mercados, embora persistam dúvidas sobre a implementação efetiva do memorando. Os próximos passos incluem a monitorização do cumprimento das cláusulas acordadas e a continuação das conversações indiretas entre Teerão e Washington, com Omã a manter o papel de facilitador regional.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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As autoridades iranianas foram calorosamente recebidas em Mascate para conversações construtivas sobre o memorando de entendimento, com foco no Estreito de Ormuz. Ambos os lados sublinharam o respeito pelo direito internacional e a navegação segura e gratuita, consolidando ao mesmo tempo os acordos de gestão iranianos para o estreito. A visita realçou os fortes laços bilaterais e o papel central do Irão na segurança marítima regional.
Omã e Irão realizaram conversações em Mascate centradas no reforço dos laços bilaterais e no aproveitamento do momento diplomático para reduzir as tensões regionais. As discussões abordaram de forma construtiva o Estreito de Ormuz, tendo ambos os lados sublinhado a necessidade de uma passagem segura e gratuita, em conformidade com o direito internacional. O encontro refletiu um compromisso partilhado com a estabilidade e a procura de soluções pacíficas.
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