
Inflação nos EUA cai para 3,5% e reduz apostas em alta de juros
O índice de preços ao consumidor americano desacelerou mais do que o esperado em junho, provocando alívio nos mercados e queda do dólar.
O índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos subiu 3,5% em junho na comparação anual, uma desaceleração acentuada face aos 4,2% de maio e abaixo dos 3,8% projetados por analistas. Na variação mensal, os preços recuaram 0,4%, a primeira queda desde maio de 2020, impulsionada pela retração dos custos de energia. O dado, divulgado na terça-feira, alterou de imediato as expectativas para a política monetária: a probabilidade de uma subida dos juros pela Reserva Federal (Fed) na reunião de julho caiu de cerca de 40% para 16%, segundo os futuros de fundos federais.
O abrandamento da inflação alimentou uma rotação de ativos. Os rendimentos das obrigações do Tesouro a dois anos recuaram 11 pontos base, para 4,19%, afastando-se de máximos de 17 meses. O índice do dólar cedeu 0,33%, aliviando a pressão sobre divisas de economias emergentes, como o real brasileiro, que se beneficiam de um diferencial de juros mais estável. As bolsas de Nova Iorque fecharam em alta, com o Nasdaq a subir 0,90% e o S&P 500 a ganhar 0,38%, enquanto o Dow Jones ficou praticamente estável, travado pela queda de 25% da IBM. Na Europa, o Stoxx 600 inverteu perdas de 0,9% e terminou com valorização de 0,17%, refletindo a leitura de que a Fed poderá adiar novos apertos.
A sessão foi também marcada pela abertura da temporada de resultados trimestrais dos grandes bancos. O JPMorgan Chase reportou um lucro líquido recorde de 21,2 mil milhões de dólares, impulsionando as suas ações para máximos históricos. O Goldman Sachs subiu 9%, enquanto o Bank of America avançou 1,9%. Em contraste, a IBM desabou 25% após alertar que a sua receita trimestral ficou aquém do esperado, com o CEO a apontar um desvio da procura empresarial para infraestruturas de inteligência artificial. A tensão geopolítica no Golfo Pérsico manteve o petróleo em alta, com o Brent a subir 1,7% para 84,73 dólares, depois de os EUA reimporem um bloqueio naval a portos iranianos e de Teerão reivindicar soberania sobre o Estreito de Ormuz.
O presidente da Fed, Kevin Warsh, no seu primeiro testemunho semestral ao Congresso, afirmou que a autoridade monetária tem “tolerância zero” com uma inflação persistentemente elevada, sinalizando que um único dado positivo não altera a trajetória de vigilância. Os mercados aguardam agora a divulgação dos preços no produtor (PPI) nos EUA, prevista para os próximos dias, e a decisão da Fed no final de julho. A evolução das hostilidades no Médio Oriente e o seu impacto nos custos energéticos permanecem como fatores de risco para a trajetória da inflação global.
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