
Vitaminas e hormônios em xeque: o que a ciência revela sobre energia, desejo e humor na meia-idade
Da deficiência de vitaminas do complexo B ao impacto da testosterona, novos dados mostram como corpo e mente se afetam mutuamente em homens e mulheres após os 50 anos.
Mais de dois mil milhões de pessoas em todo o mundo apresentam défices de vitaminas e minerais essenciais, segundo a Organização Mundial da Saúde. A carência de vitaminas do complexo B e de vitamina D, em particular, está associada a fadiga crónica, oscilações de humor, declínio cognitivo e fragilidade do sistema imunitário. As vitaminas B convertem os alimentos em energia e regulam o sistema nervoso, enquanto a vitamina D – obtida sobretudo pela exposição solar – modula o sono e a resposta inflamatória. Para a população em transição para a menopausa e andropausa, estes défices agravam sintomas como cansaço persistente, dores osteomusculares e instabilidade emocional.
A queda progressiva de estrogénios e testosterona na meia-idade compromete a saúde sexual e o equilíbrio metabólico. Nas mulheres, a secura vaginal e a redução da libido, muitas vezes agravadas pela deficiência de B12 e ferritina, dificultam a intimidade e geram ansiedade. Nos homens, níveis baixos de testosterona afetam o desejo e a função erétil, mas também disparam irritabilidade, depressão e lapsos de memória, devido à presença de recetores hormonais no sistema nervoso central. O consumo de álcool e canábis intensifica esses problemas, ao inibir a resposta sexual e alterar a arquitetura do sono, enquanto a cafeína parece exercer um efeito neutro ou ligeiramente positivo na função erétil.
Especialistas brasileiros sublinham que os sintomas que surgem após os 45 anos não podem ser automaticamente atribuídos à menopausa. Exames como a dosagem de vitamina D, B12, ferritina e proteína C-reativa permitem identificar deficiências subclínicas e processos inflamatórios que frequentemente passam despercebidos. Em Portugal e nos países africanos de língua portuguesa, a ausência de rastreios sistemáticos e a baixa exposição solar em regiões temperadas agravam o subdiagnóstico, embora dados populacionais ainda sejam escassos. Observadores em Lisboa notam que a adoção de protocolos personalizados reduziria intervenções desnecessárias e encargos para os sistemas de saúde.
A reposição de vitaminas e a suplementação hormonal devem ser individualizadas. A vitamina B12, obtida exclusivamente de fontes animais, exige atenção especial em vegetarianos e veganos, assim como em populações idosas com dificuldade de absorção. A exposição solar diária de 10 a 30 minutos, recomendada por sociedades médicas, é suficiente para sintetizar a vitamina D na maioria das latitudes, mas o uso de protetor solar e o estilo de vida indoor limitam essa produção. Iniciativas de fortificação de alimentos com B12 e D, já adotadas em países como o Brasil, mostram impacto positivo na redução de carências.
O próximo marco a observar será a revisão das diretrizes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia sobre o rastreamento de deficiências vitamínicas, prevista para o primeiro semestre de 2025. A atualização deverá incorporar critérios mais precisos para a solicitação de exames e a indicação de suplementação no sistema público de saúde, influenciando também protocolos em países lusófonos que se baseiam nas referências brasileiras.
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