Entrar
Edição das 06:00 CETdomingo, 26 de julho de 2026
325 veículos · 17 idiomas171 briefing hoje
Geopolítica & Políticasábado, 25 de julho de 2026

Guterres visita Damasco e apela a apoio internacional à transição síria

O secretário-geral da ONU, António Guterres, reuniu-se com o presidente interino Ahmad al-Sharaa e pediu à comunidade internacional que se empenhe na reconstrução do país.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, chegou este sábado a Damasco para uma visita de três dias, a primeira de um chefe da ONU à Síria desde 2009. Recebido pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Asaad al-Shaibani, Guterres encontrou-se com o presidente interino Ahmad al-Sharaa no palácio presidencial e apelou, nas redes sociais, a que a comunidade internacional “não poupe esforços” no apoio ao povo sírio. “As Nações Unidas estão ao lado da Síria neste momento crucial”, escreveu, classificando a deslocação como uma “visita de solidariedade”.

A visita ocorre num país ainda a sarar as feridas de quase 14 anos de guerra civil, que deixou mais de meio milhão de mortos e milhões de deslocados. Desde a queda do regime da família Assad, em dezembro de 2024, o novo governo de liderança islamita procura reconstruir as relações internacionais e relançar uma economia devastada. Contudo, a transição tem sido marcada por episódios de violência sectária — nomeadamente a morte de centenas de alauitas e drusos — e pela expansão militar de Israel no sul do país, que Damasco exige que se retire para o acordado em 1974. A ONU estima que 90% da população viva na pobreza e que a reconstrução exigirá cerca de 216 mil milhões de dólares, segundo o Banco Mundial.

Na perspetiva das capitais ocidentais, analistas europeus observam que a visita sinaliza um envolvimento cauteloso com as novas autoridades, condicionado a progressos na inclusão política e na responsabilização por abusos. Os Estados Unidos levantaram a maior parte das sanções e Donald Trump notificou Sharaa da intenção de retirar a Síria da lista de patrocinadores do terrorismo, mas a normalização plena depende de gestos concretos. A Rússia, tradicional aliada do regime deposto, acompanha a reaproximação com a ONU enquanto procura preservar influência, designadamente através das bases militares que mantém no terreno. Já Israel justifica as incursões no sul com a necessidade de criar uma “zona de segurança”, tendo acordado com Damasco um mecanismo de partilha de informações, sem que isso tenha travado as operações militares condenadas pela comunidade internacional.

O programa de Guterres inclui uma visita à força de manutenção da paz da ONU nos Montes Golã (UNDOF) e um discurso perante o novo parlamento transitório. A presença do secretário-geral, a mais elevada desde a queda de Assad, visa reforçar o compromisso da organização com a estabilização do país e a aplicação de programas nas áreas da saúde, educação, energia e agricultura. Para o Brasil, membro não permanente do Conselho de Segurança, o momento é acompanhado com interesse, dado o histórico engajamento em missões de paz e a defesa do multilateralismo. A visita poderá abrir espaço para uma maior coordenação de esforços humanitários e políticos, num dossiê em que os próximos passos dependerão da capacidade do novo executivo de garantir uma governação representativa e de conter as tensões internas e regionais.

Amplie o olhar

Ler mais
Últimas notícias
Ataque ucraniano a navio iraniano no mar Cáspio mata tripulante e acirra atrito entre Kiev e Teerã·Trump ameaça retomar guerra total com Irão se exigências não forem totalmente atendidas·Marvel anuncia Pantera Negra 3 e Motoqueiro Fantasma com Ryan Gosling·Retórica inflamada em Nova Iorque e promessas por cumprir em África: o desafio da governação local·América Latina navega entre estímulos e ajustes num cenário de alerta fiscal global·EUA aplicam nova tarifa de 12,5% a produtos de 60 países por falhas contra trabalho forçado·Quando o mundo gira ao ritmo das loterias: um sábado de sorteios e sonhos·RS em alerta para novas tempestades; calor extremo atinge 70 milhões nos EUA·Ataque ucraniano a navio iraniano no mar Cáspio mata tripulante e acirra atrito entre Kiev e Teerã·Trump ameaça retomar guerra total com Irão se exigências não forem totalmente atendidas·Marvel anuncia Pantera Negra 3 e Motoqueiro Fantasma com Ryan Gosling·Retórica inflamada em Nova Iorque e promessas por cumprir em África: o desafio da governação local·América Latina navega entre estímulos e ajustes num cenário de alerta fiscal global·EUA aplicam nova tarifa de 12,5% a produtos de 60 países por falhas contra trabalho forçado·Quando o mundo gira ao ritmo das loterias: um sábado de sorteios e sonhos·RS em alerta para novas tempestades; calor extremo atinge 70 milhões nos EUA·
Atualizado 13:157 idiomas · 18 veículos
AnteriorGeopolítica & PolíticaPróximo
18 veículos|7 idiomas|3 min de leitura
sábado, 25 de julho de 2026

Guterres visita Damasco e apela a apoio internacional à transição síria

O secretário-geral da ONU, António Guterres, reuniu-se com o presidente interino Ahmad al-Sharaa e pediu à comunidade internacional que se empenhe na reconstrução do país.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, chegou este sábado a Damasco para uma visita de três dias, a primeira de um chefe da ONU à Síria desde 2009. Recebido pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Asaad al-Shaibani, Guterres encontrou-se com o presidente interino Ahmad al-Sharaa no palácio presidencial e apelou, nas redes sociais, a que a comunidade internacional “não poupe esforços” no apoio ao povo sírio. “As Nações Unidas estão ao lado da Síria neste momento crucial”, escreveu, classificando a deslocação como uma “visita de solidariedade”.

A visita ocorre num país ainda a sarar as feridas de quase 14 anos de guerra civil, que deixou mais de meio milhão de mortos e milhões de deslocados. Desde a queda do regime da família Assad, em dezembro de 2024, o novo governo de liderança islamita procura reconstruir as relações internacionais e relançar uma economia devastada. Contudo, a transição tem sido marcada por episódios de violência sectária — nomeadamente a morte de centenas de alauitas e drusos — e pela expansão militar de Israel no sul do país, que Damasco exige que se retire para o acordado em 1974. A ONU estima que 90% da população viva na pobreza e que a reconstrução exigirá cerca de 216 mil milhões de dólares, segundo o Banco Mundial.

Na perspetiva das capitais ocidentais, analistas europeus observam que a visita sinaliza um envolvimento cauteloso com as novas autoridades, condicionado a progressos na inclusão política e na responsabilização por abusos. Os Estados Unidos levantaram a maior parte das sanções e Donald Trump notificou Sharaa da intenção de retirar a Síria da lista de patrocinadores do terrorismo, mas a normalização plena depende de gestos concretos. A Rússia, tradicional aliada do regime deposto, acompanha a reaproximação com a ONU enquanto procura preservar influência, designadamente através das bases militares que mantém no terreno. Já Israel justifica as incursões no sul com a necessidade de criar uma “zona de segurança”, tendo acordado com Damasco um mecanismo de partilha de informações, sem que isso tenha travado as operações militares condenadas pela comunidade internacional.

O programa de Guterres inclui uma visita à força de manutenção da paz da ONU nos Montes Golã (UNDOF) e um discurso perante o novo parlamento transitório. A presença do secretário-geral, a mais elevada desde a queda de Assad, visa reforçar o compromisso da organização com a estabilização do país e a aplicação de programas nas áreas da saúde, educação, energia e agricultura. Para o Brasil, membro não permanente do Conselho de Segurança, o momento é acompanhado com interesse, dado o histórico engajamento em missões de paz e a defesa do multilateralismo. A visita poderá abrir espaço para uma maior coordenação de esforços humanitários e políticos, num dossiê em que os próximos passos dependerão da capacidade do novo executivo de garantir uma governação representativa e de conter as tensões internas e regionais.

Divergência das fontes

Geopolítica & Política · 18 veículos · 7 idiomas

0%Baixa

Quanto as fontes relatam os mesmos fatos de maneira diferente.

Esta notícia apareceu em

18 veículos · 7 idiomas

Amplie o olhar

De Economy & Markets

UniCredit eleva metas de lucro e avança sobre Commerzbank com resultados recorde

3 idiomas · 6 veículos

De Technology

Musk confessa envolvimento político excessivo, mas mantém defesa do DOGE

3 idiomas · 5 veículos

De Science & Health

Terapias de precisão avançam contra doenças raras na China, Reino Unido e Américas

4 idiomas · 6 veículos

Ler mais