
Trump ironiza sobre terceiro mandato e ataca imprensa em jantar com correspondentes em Washington
No evento remarcado após atentado de abril, presidente dos EUA adotou tom de provocação, mencionando candidatura em 2028 proibida pela Constituição e criticando jornalistas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participou nesta sexta-feira (24) da versão remarcada do jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca, evento interrompido em 25 de abril por uma tentativa de atentado contra o próprio mandatário. Num discurso de mais de uma hora no hotel Waldorf Astoria, em Washington, Trump recorreu a um tom frequentemente jocoso e agressivo, sugerindo a intenção de concorrer a um terceiro mandato em 2028 — possibilidade vedada pela 22ª Emenda da Constituição americana — e atacando nominalmente jornalistas e adversários políticos. "Assim como na minha presidência, a segunda vez é sempre melhor; e a terceira será ainda melhor", afirmou, antes de acrescentar que "só estava brincando" e, em seguida, exibir um boné vermelho com os dizeres "Trump 2028".
Fontes diplomáticas na Europa e meios de comunicação na América Latina observam que a performance no jantar sintetizou o duplo registo que marca a relação de Trump com a imprensa: enquanto reafirmou ter "imenso respeito" pela profissão, qualificou o salão como "o maior grupo de pessoas com a síndrome da obsessão anti-Trump alguma vez reunido". Na perspetiva de analistas em Lisboa e São Paulo, o episódio revela uma estratégia deliberada de manter em aberto a hipótese de um novo mandato — mais como instrumento de mobilização da base do que como projeto jurídico viável — ao mesmo tempo que procura descredibilizar coberturas jornalísticas críticas. A Associação de Correspondentes, por sua vez, sublinhou o caráter de resistência do encontro: "Recusamo-nos a deixar que um ato de violência tenha a última palavra", declarou a presidente Weijia Jiang, da CBS.
A cerimónia deste ano adquiriu contornos simbólicos adicionais por homenagear o agente do Serviço Secreto Victor Gonzales, ferido no ataque de abril, e por premiar equipas de jornalistas cujas investigações atingiram diretamente o presidente — como a do Wall Street Journal sobre os vínculos com o financista Jeffrey Epstein. Trump reagiu com um encolher de ombros e um riso antes de apertar a mão dos repórteres, gesto interpretado por comentadores norte-americanos como uma encenação de indiferença calculada. O presidente reclamou ainda que 93% da cobertura noticiosa a seu respeito seria negativa, questionando como teria vencido as eleições com tamanha desvantagem mediática, e brincou que os jornalistas "vão todos à falência" quando ele sair da Casa Branca.
No plano internacional, Trump dedicou escassas linhas à guerra contra o Irão, afirmando que as forças armadas do país foram "muito duramente atingidas" e que Teerão gostaria de negociar, mas ressalvou que "não podem ter uma arma nuclear". A mesma ambiguidade foi notada em relação à política doméstica: o presidente defendeu limites de mandato para o Congresso, ironizou sobre o seu próprio secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., e insultou diversos políticos democratas, numa lista que incluiu o governador da Califórnia Gavin Newsom e a congressista Ilhan Omar. Para observadores em Brasília, o formato híbrido entre comício e comédia reflete a consolidação de um estilo de governação que utiliza plataformas cerimoniais para amplificar mensagens de campanha.
O dossier do evento prossegue com a perspetiva de que Trump compareça a edições futuras do jantar, tendo anunciado a intenção de regressar já em 2027. A associação de correspondentes sinalizou que o próximo encontro voltará ao Washington Hilton, palco do atentado de abril, mantendo o formato tradicional mas com segurança reforçada. Permanece em aberto o impacto jurídico das sugestões de uma terceira candidatura: embora o presidente as tenha classificado como piada, representantes do Partido Democrata alertam para o que consideram uma normalização de discursos que desafiam limites constitucionais. Enquanto isso, o caso do atirador Cole Allen, que se declarou inocente, aguarda julgamento.
| Imprensa atlântica / anglosfera | +0.70 | aligned |
|---|---|---|
| Imprensa israelense | 0.00 | neutral |
| Imprensa latino-americana | −0.30 | critical |
| Imprensa europeia continental | −0.60 | critical |
Trump keeps his promise and celebrates American greatness, showing that nothing stops the nation.
The story turns a failed assassination into a narrative victory, projecting the president's resilience onto the entire country.
The atlantica bloc omits any criticism of Trump's relationship with the press, focusing only on the positive outcome.
The event takes place under tight security, with the suspect having already pleaded not guilty.
The report sticks to facts, avoiding judgments or emotions, to normalize a potentially destabilizing event.
The israeliana bloc omits any discussion of the political implications or the broader context of press attacks.
A cena recomeça após o caos de abril, um lembrete do absurdo e do perigo da violência política.
Usando detalhes vívidos e irônicos, a história destaca o contraste entre a solenidade do evento e a farsa do caos.
O bloco latino-americano omite a narrativa positiva e resiliente e qualquer menção à determinação de Trump.
The dinner goes ahead despite the violence, but journalists remain alert against Trump's attacks on the press.
The article links the event to the 250th American anniversary to raise the democratic stakes and moralize the situation.
The europea_continentale bloc omits the celebrative aspects and the security details, focusing on press criticism.
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