
Envelhecimento biológico acelerado em jovens eleva risco de cancro precoce
Estudo com 165 mil adultos revela que gerações recentes envelhecem mais depressa, enquanto novas diretrizes reforçam rastreio a partir dos 45 anos.
Investigadores da Universidade de Washington em St. Louis analisaram dados de cerca de 165 mil adultos no Reino Unido e nos EUA e concluíram que as gerações mais jovens estão a envelhecer biologicamente mais rápido do que as anteriores. Nos EUA, os nascidos entre 1990 e 1999 apresentaram uma aceleração do envelhecimento 92% superior à dos nascidos entre 1965 e 1969. Esta aceleração, medida por relógios epigenéticos, associou-se a um risco 8% a 15% maior de desenvolver cancro em idade precoce, com destaque para tumores do pulmão, gastrointestinais e do útero, segundo o trabalho publicado na Nature Medicine. Os autores não estabelecem causalidade, mas apontam fatores como tabagismo, alimentação e sedentarismo como possíveis contribuintes.
O achado coincide com o aumento global de casos de cancro colorrectal em menores de 50 anos. A Sociedade Americana do Cancro atualizou as suas diretrizes e passou a recomendar dois novos testes de fezes (baseados em ARN e ADN) com elevada sensibilidade, insistindo na colonoscopia imediata após qualquer resultado positivo. Os testes de sangue, porém, ainda não são considerados fiáveis para rastreio. Em Espanha, o programa nacional começa aos 50 anos, mas especialistas alertam para sintomas silenciosos — sangramento retal, anemia, alterações intestinais — frequentemente ignorados por adultos jovens. A deteção precoce é crucial para melhorar as taxas de sobrevivência.
O peso cultural agrava o problema na saúde masculina. Na Nigéria, os homens são minoria nas consultas, apesar de a hipertensão afetar mais de um terço dos adultos e o cancro da próstata ter mortalidade duas vezes superior à norte-americana. A norma de 'ser homem' — não mostrar fraqueza, não procurar ajuda — atrasa diagnósticos, um padrão documentado pela OMS em todas as regiões. Em contraponto, um estudo do National Bureau of Economic Research nos EUA mostra que, entre 1993 e 2017, a esperança de vida aos 66 anos aumentou 2,4 anos, vividos com menos limitações físicas e cognitivas. O tempo em incapacidade severa caiu 30%, aliviando a pressão sobre lares de idosos.
Esta dualidade tem implicações financeiras. Nos EUA, a maior longevidade elevou em 14% a despesa projetada com a Segurança Social, mas o aumento dos custos do Medicare foi de apenas 6%, reflexo da melhor saúde no final da vida. Reformados com dívidas podem recorrer à falência, mas os benefícios da Segurança Social estão protegidos. Para os trabalhadores, o sistema permite levantamentos sem penalização a partir dos 50 anos para profissionais essenciais do setor público e aos 55 para os restantes. O próximo marco será a adoção alargada dos novos testes de rastreio e a possível incorporação da idade biológica nos protocolos de prevenção.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A expectativa de vida nos EUA atingiu um recorde histórico e a saúde na velhice está em constante melhoria. As pessoas passam os últimos anos de vida com menos limitações físicas e melhor condição física do que as gerações anteriores.
Pesquisadores descobriram uma razão inesperada para o aumento do câncer entre os jovens: as gerações mais novas estão envelhecendo biologicamente mais rápido que seus pais. Esse envelhecimento acelerado está associado a um risco maior de câncer precoce.
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