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Geopolítica & Políticaterça-feira, 23 de junho de 2026

Quinta ronda de negociações Líbano-Israel arranca em Washington marcada pelo acordo EUA-Irão

As conversações diretas foram retomadas esta terça-feira, mas a criação de uma célula tripartida com Teerão e a exclusão de Israel desse mecanismo paralelo lançam incerteza sobre o processo bilateral.

A quinta ronda de negociações diretas entre o Líbano e Israel teve início na terça-feira em Washington, sob os auspícios do Departamento de Estado norte-americano, poucos dias depois de os Estados Unidos e o Irão terem assinado um memorando de entendimento que inclui disposições sobre a soberania libanesa e um mecanismo de cessar-fogo. A sessão inaugural combinou os trilhos militar e político, seguindo-se encontros separados, e as listas de participantes mantiveram-se inalteradas, segundo um responsável da administração norte-americana citado pela Sky News Arabia. Em paralelo, a Presidência libanesa confirmou que o chefe de Estado, Joseph Aoun, recebeu uma chamada do vice-presidente JD Vance e do secretário de Estado Marco Rubio, na qual foi discutida a formação de uma “célula conjunta EUA-Líbano-Irão” para consolidar a trégua e monitorizar a aplicação das medidas acordadas.

Na perspetiva de Beirute, o objetivo central é arrancar um calendário “razoável” para a retirada total das forças israelitas do sul do país, condição que Aoun classificou como irrenunciável, a par da rejeição de “todas as tutelas externas” — uma alusão implícita à influência de Teerão. O governo libanês insiste que as conversações presenciais com Israel são a única via para pôr fim a uma guerra que, desde 2 de março, já causou mais de 4.100 mortos no Líbano, de acordo com números oficiais libaneses. Do lado israelita, o embaixador em Washington, Yechiel Leiter, advertiu que as negociações caminham para um “acidente de comboio”, porque, na sua leitura, o foco inicial no desarmamento do Hezbollah e na expulsão da influência iraniana se diluiu. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu reiterou que as tropas manterão a “zona de segurança” no sul do Líbano e que a batalha contra o Irão e os seus representantes “ainda não terminou”.

A dinâmica negocial expõe uma divisão no seio da administração norte-americana, segundo fontes diplomáticas em Washington. O secretário de Estado Rubio e o embaixador dos EUA em Beirute continuam a privilegiar o trilho bilateral Líbano-Israel como instrumento para restaurar a soberania libanesa e desarmar o Hezbollah. Já a equipa do vice-presidente Vance, de acordo com as mesmas fontes, mostra-se mais inclinada para uma solução imposta por Washington e Teerão, que exija contenção ao Hezbollah em troca de garantias de segurança israelitas limitadas, sem chegar a exigir a soberania plena do Líbano. A célula tripartida — que integra também o Catar e o Paquistão, mas exclui Israel — é vista por diplomatas próximos de Rubio como um “erro estrutural” que legitima o papel desestabilizador do Irão nos assuntos libaneses. Em contrapartida, fontes próximas de Vance sustentam que o objetivo é pressionar Teerão a travar o seu aliado, e não entregar-lhe a chave do futuro libanês.

O pano de fundo é o memorando EUA-Irão de 18 de junho, que vinculou a interrupção das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano, e que, na avaliação de responsáveis libaneses e estrangeiros citados pela Reuters, retirou apoio político ao Estado libanês, fortalecendo o Hezbollah. Apesar da trégua mais prolongada desde o início da escalada, a violência persiste: na véspera da ronda, dois civis foram mortos por fogo israelita no sul, segundo a defesa civil libanesa. As conversações prosseguirão nos próximos dias com a ambição de um “acordo abrangente de paz e segurança”, mas a coexistência de dois mecanismos — o bilateral e a célula com o Irão — mantém o dossiê num equilíbrio precário. O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, qualificou a célula como o “primeiro teste real” do entendimento com Washington, enquanto se aguarda uma eventual visita sua a Beirute e deslocações de Aoun ao Catar e à Arábia Saudita.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Imprensa do Golfo árabeImprensa israelense
Imprensa do Golfo árabe
PragmatismoDistanciamento

As conversações Líbano-Israel foram retomadas em Washington com o objetivo comum de acabar definitivamente com o ciclo de violência. Os EUA facilitam negociações estruturadas, com sessões conjuntas e separadas, políticas e militares, para permitir que ambos os países negociem como Estados soberanos. A abordagem é pragmática e visa um acordo abrangente de paz e segurança.

Imprensa israelense/ Segurança
AlarmeCeticismo

As conversações correm o risco de descarrilar, alertam fontes israelenses, pois o entendimento EUA-Irã alterou o equilíbrio regional, fortalecendo o Hezbollah e enfraquecendo a posição negociadora de Beirute. A sombra desse acordo põe em risco os esforços para estabilizar a fronteira e alimenta o ceticismo sobre qualquer progresso real.

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terça-feira, 23 de junho de 2026

Quinta ronda de negociações Líbano-Israel arranca em Washington marcada pelo acordo EUA-Irão

As conversações diretas foram retomadas esta terça-feira, mas a criação de uma célula tripartida com Teerão e a exclusão de Israel desse mecanismo paralelo lançam incerteza sobre o processo bilateral.

A quinta ronda de negociações diretas entre o Líbano e Israel teve início na terça-feira em Washington, sob os auspícios do Departamento de Estado norte-americano, poucos dias depois de os Estados Unidos e o Irão terem assinado um memorando de entendimento que inclui disposições sobre a soberania libanesa e um mecanismo de cessar-fogo. A sessão inaugural combinou os trilhos militar e político, seguindo-se encontros separados, e as listas de participantes mantiveram-se inalteradas, segundo um responsável da administração norte-americana citado pela Sky News Arabia. Em paralelo, a Presidência libanesa confirmou que o chefe de Estado, Joseph Aoun, recebeu uma chamada do vice-presidente JD Vance e do secretário de Estado Marco Rubio, na qual foi discutida a formação de uma “célula conjunta EUA-Líbano-Irão” para consolidar a trégua e monitorizar a aplicação das medidas acordadas.

Na perspetiva de Beirute, o objetivo central é arrancar um calendário “razoável” para a retirada total das forças israelitas do sul do país, condição que Aoun classificou como irrenunciável, a par da rejeição de “todas as tutelas externas” — uma alusão implícita à influência de Teerão. O governo libanês insiste que as conversações presenciais com Israel são a única via para pôr fim a uma guerra que, desde 2 de março, já causou mais de 4.100 mortos no Líbano, de acordo com números oficiais libaneses. Do lado israelita, o embaixador em Washington, Yechiel Leiter, advertiu que as negociações caminham para um “acidente de comboio”, porque, na sua leitura, o foco inicial no desarmamento do Hezbollah e na expulsão da influência iraniana se diluiu. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu reiterou que as tropas manterão a “zona de segurança” no sul do Líbano e que a batalha contra o Irão e os seus representantes “ainda não terminou”.

A dinâmica negocial expõe uma divisão no seio da administração norte-americana, segundo fontes diplomáticas em Washington. O secretário de Estado Rubio e o embaixador dos EUA em Beirute continuam a privilegiar o trilho bilateral Líbano-Israel como instrumento para restaurar a soberania libanesa e desarmar o Hezbollah. Já a equipa do vice-presidente Vance, de acordo com as mesmas fontes, mostra-se mais inclinada para uma solução imposta por Washington e Teerão, que exija contenção ao Hezbollah em troca de garantias de segurança israelitas limitadas, sem chegar a exigir a soberania plena do Líbano. A célula tripartida — que integra também o Catar e o Paquistão, mas exclui Israel — é vista por diplomatas próximos de Rubio como um “erro estrutural” que legitima o papel desestabilizador do Irão nos assuntos libaneses. Em contrapartida, fontes próximas de Vance sustentam que o objetivo é pressionar Teerão a travar o seu aliado, e não entregar-lhe a chave do futuro libanês.

O pano de fundo é o memorando EUA-Irão de 18 de junho, que vinculou a interrupção das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano, e que, na avaliação de responsáveis libaneses e estrangeiros citados pela Reuters, retirou apoio político ao Estado libanês, fortalecendo o Hezbollah. Apesar da trégua mais prolongada desde o início da escalada, a violência persiste: na véspera da ronda, dois civis foram mortos por fogo israelita no sul, segundo a defesa civil libanesa. As conversações prosseguirão nos próximos dias com a ambição de um “acordo abrangente de paz e segurança”, mas a coexistência de dois mecanismos — o bilateral e a célula com o Irão — mantém o dossiê num equilíbrio precário. O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, qualificou a célula como o “primeiro teste real” do entendimento com Washington, enquanto se aguarda uma eventual visita sua a Beirute e deslocações de Aoun ao Catar e à Arábia Saudita.

Divergência das fontes

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38%Média

Quanto as fontes relatam os mesmos fatos de maneira diferente.

Como se dividem

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Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Imprensa do Golfo árabe
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As conversações Líbano-Israel foram retomadas em Washington com o objetivo comum de acabar definitivamente com o ciclo de violência. Os EUA facilitam negociações estruturadas, com sessões conjuntas e separadas, políticas e militares, para permitir que ambos os países negociem como Estados soberanos. A abordagem é pragmática e visa um acordo abrangente de paz e segurança.

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As conversações correm o risco de descarrilar, alertam fontes israelenses, pois o entendimento EUA-Irã alterou o equilíbrio regional, fortalecendo o Hezbollah e enfraquecendo a posição negociadora de Beirute. A sombra desse acordo põe em risco os esforços para estabilizar a fronteira e alimenta o ceticismo sobre qualquer progresso real.

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