
Cometa interestelar 3I/ATLAS formou-se há 12 mil milhões de anos, indica análise isotópica na Nature
Observações dos telescópios James Webb e ALMA revelam composição química única e origem num sistema planetário primitivo, enquanto a sonda Voyager-1 atinge a marca de um dia-luz da Terra.
O cometa interestelar 3I/ATLAS, detetado em julho de 2025, conserva a assinatura química de um sistema planetário ancestral com cerca de 12 mil milhões de anos — quase o triplo da idade do Sistema Solar. A conclusão, publicada esta semana na revista Nature, baseia-se em medições espectroscópicas de alta precisão realizadas durante o afastamento do objeto após o periélio, em dezembro passado. A equipa internacional, liderada pelo Centro Goddard da NASA, nos Estados Unidos, e com participação do observatório ALMA, no Chile, analisou a coma gasosa do cometa e encontrou uma proporção de deutério na água de 0,98%, mais de dez vezes superior à dos cometas conhecidos do Sistema Solar, e uma razão anómala entre os isótopos de carbono-12 e carbono-13.
A concentração extrema de deutério indica que o gelo do cometa se formou sobre grãos de poeira cósmica a temperaturas iguais ou inferiores a 30 Kelvin (–243 °C), condições típicas de nuvens moleculares primordiais. Já a escassez relativa de carbono-13 situa a origem do objeto numa fase muito precoce da evolução química da Via Láctea, antes de as gerações sucessivas de estrelas enriquecerem o meio interestelar com isótopos mais pesados. Trata-se do primeiro planetesimal gelado de outro sistema planetário cuja composição pôde ser dissecada com este detalhe, funcionando como uma cápsula do tempo da formação de exoplanetas.
Enquanto a natureza envia mensageiros de outras eras, a engenharia humana prolonga a sua própria exploração. A sonda Voyager-1, lançada pela NASA em 1977, deverá atingir em novembro a distância de um dia-luz (cerca de 26 mil milhões de quilómetros) e continua a transmitir dados científicos com computadores cuja memória é comparável à de um comando de chave de automóvel. Concebida para uma missão de cinco anos, a dupla Voyager já atravessou a heliopausa e fornece medições diretas do espaço interestelar, complementando, com informação in situ, o retrato que objetos como o 3I/ATLAS oferecem de sistemas distantes.
O cometa, agora em rota de saída do Sistema Solar, não voltará a ser observado, mas o seu legado científico reside na demonstração de que é possível reconstituir o ambiente de formação de planetesimais extrassolares a partir de uma única passagem. O próximo marco instrumental será a entrada em operação plena do Observatório Vera Rubin, no Chile, cuja capacidade de mapeamento contínuo do céu austral deverá multiplicar a deteção de visitantes interestelares, permitindo estudos comparativos. A Voyager-1, por seu lado, continuará a enviar dados enquanto os geradores termoelétricos de radioisótopos mantiverem potência suficiente, horizonte que a NASA estima poder prolongar-se até meados da próxima década.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A humanidade celebra um marco histórico: a sonda Voyager-1 atingiu a distância de um dia-luz, consolidando seu recorde como o objeto artificial mais distante. Este feito coroa décadas de descobertas que revolucionaram nossa compreensão do Sistema Solar, demonstrando a capacidade da tecnologia de superar todos os limites.
Um cometa 'nave alienígena' invadiu o Sistema Solar, revelando uma origem de 12 bilhões de anos, três vezes a idade do Sol. Cientistas soam o alarme sobre esse intruso cósmico, cuja composição isotópica única aponta para um sistema planetário primordial, levantando questões sobre sua verdadeira natureza.
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