
Gaza fica de fora do acordo EUA-Irão e violência persiste após mil dias de guerra
Memorando de entendimento entre Washington e Teerão ignora o território palestiniano, enquanto ataques israelitas e crise humanitária se mantêm apesar do cessar-fogo de 2025.
O memorando de entendimento assinado por Estados Unidos e Irão em meados de junho, com o objetivo de pôr fim à guerra regional, não contém qualquer menção à Faixa de Gaza. No terreno, o cessar-fogo acordado entre Israel e o Hamas em outubro de 2025 continua a ser violado: a 3 de julho, um drone israelita matou uma criança palestiniana que recolhia água na Cidade de Gaza, e tanques e helicópteros dispararam sobre Khan Younis, Rafah e o campo de Bureij. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), 275 crianças foram mortas por forças israelitas desde a entrada em vigor da trégua.
Na perspetiva de analistas europeus, a exclusão de Gaza do acordo reflete uma alteração de prioridades regionais. Hugh Lovatt, do Conselho Europeu de Relações Externas, afirma que “o valor estratégico do Hamas aos olhos do Irão diminuiu”. Fontes militares israelitas, como o especialista Eado Hecht, sustentam que o Hamas “traiu” Teerão ao lançar o ataque de outubro de 2023 sem o seu aval, num momento em que o Irão não desejava uma guerra. Diplomatas ocidentais baseados em Jerusalém descrevem a ausência de Gaza nas negociações como sintoma de paralisia política: “não existe um quadro político credível para o dia seguinte”, afirmou um deles à AFP.
Apesar da superioridade militar israelita, o objetivo político de desmantelar a resistência palestiniana não foi alcançado, como notam analistas no Médio Oriente. A destruição de cidades inteiras e a crise humanitária coexistem com um impasse diplomático. Relatórios das Nações Unidas indicam que 96% das crianças em Gaza sentem que a morte é iminente e uma comissão independente da ONU concluiu que Israel dirigiu ataques deliberados contra menores, mesmo após o cessar-fogo — acusação que o governo israelita rejeita. A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) tem manifestado preocupação com a situação humanitária e reiterado o apoio à solução de dois Estados, embora a sua influência nas atuais negociações seja limitada.
O conflito teve início com o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, alastrou-se ao Líbano e ao Iémen através do Hezbollah e dos Houthis, e culminou numa guerra direta entre os EUA e o Irão. O cessar-fogo de outubro de 2025, baseado num plano do presidente Donald Trump, previa o fim definitivo das hostilidades e a reconstrução de Gaza, mas as negociações estão paralisadas há meses. Nos bastidores, decorrem no Cairo conversações entre fações palestinianas, incluindo o Hamas, o Conselho de Paz criado por Trump e mediadores como o Qatar e a Turquia. Discute-se um roteiro que combine o desarmamento gradual do Hamas com a criação de autoridades transitórias. No entanto, a imprensa israelita noticia que o governo de Israel rejeitará esse quadro. Para já, a próxima ronda de conversações entre Washington e Teerão está prevista, mas Gaza permanece à margem da agenda diplomática.
| Imprensa do Sudeste Asiático | −0.70 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.20 | neutral |
Palestinians denounce international abandonment and the marginalization of Gaza in US-Iran negotiations.
Direct testimony of a Palestinian is used to create empathy and denounce global hypocrisy, without delving into regional political dynamics.
The geopolitical reasons for Gaza's exclusion, such as parallel US-Iran deals and the Lebanon ceasefire, are omitted.
Lebanon and its political factions recalibrate priorities, setting aside the Gaza cause to ensure internal stability.
The national Lebanese dimension is emphasized and Hezbollah's sincerity is questioned, downplaying Gaza's relevance in the regional context.
The humanitarian suffering in Gaza and the Palestinian perspective are omitted, focusing only on Lebanese political maneuvers.
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