
Mortes por Ébola superam 500 no Congo e ensaio clínico com anticorpos é iniciado
OMS começa a testar cocktail de anticorpos e antiviral remdesivir contra a estirpe Bundibugyo, para a qual não há vacina aprovada, enquanto o surto já causou 506 óbitos e se alastra por três províncias.
O número de mortes confirmadas pelo vírus Ébola na República Democrática do Congo (RDC) ultrapassou as cinco centenas, atingindo 506 óbitos entre 1.561 casos confirmados, de acordo com o último boletim do Ministério da Comunicação congolês. A taxa de letalidade situa-se nos 32,4%. Em simultâneo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou o arranque de um ensaio clínico de plataforma adaptativa na província de Ituri, epicentro do surto, para avaliar pela primeira vez tratamentos específicos contra a estirpe Bundibugyo, que nunca dispôs de vacinas ou terapêuticas aprovadas.
O ensaio, designado Partners, é patrocinado pela OMS e coordenado pela Universidade de Oxford. Irá testar o cocktail de anticorpos monoclonais MBP134, da Mapp Biopharmaceutical, e o antiviral remdesivir, da Gilead Sciences, isoladamente ou em combinação, sempre acompanhados de cuidados de suporte otimizados. O desenho adaptativo permite adicionar ou retirar braços de tratamento à medida que surgem novas evidências, suspender o recrutamento quando o surto terminar e reativá-lo em epidemias futuras causadas por diferentes vírus Ébola ou pelo vírus de Marburg. O critério principal de avaliação é a mortalidade por qualquer causa aos 28 dias; os investigadores preveem recrutar várias centenas de doentes ao longo do tempo, sem uma meta fixa para o atual episódio. Grávidas, lactantes e crianças podem participar, colmatando uma lacuna histórica na investigação durante surtos.
O atual foco epidémico, declarado oficialmente a 15 de maio, é o maior de sempre provocado pela estirpe Bundibugyo. Além dos casos confirmados, as autoridades monitorizam 354 casos suspeitos, dos quais 110 resultaram em morte. A transmissão comunitária mantém-se intensa, com as semanas epidemiológicas 25 e 26 a registarem os picos mais elevados de novos contágios. A resposta no terreno é dificultada por ataques a equipas médicas e a hospitais, vandalismo e desconfiança das populações locais, agravados pelo conflito armado no leste do país. O Uganda contabiliza 20 casos confirmados, dois deles mortais, e a França detetou um caso importado num médico regressado de uma missão na RDC.
A OMS declarou o surto como emergência de saúde pública de importância internacional e considera elevado o risco de propagação na África subsaariana. Na perspetiva de Luanda e de outras capitais da África lusófona, a evolução da epidemia é acompanhada com atenção, embora não tenham sido reportados casos suspeitos fora da região dos Grandes Lagos. O próximo marco factual será a conclusão do recrutamento de doentes para o ensaio Partners, cujos resultados poderão não estar disponíveis antes do fim do atual surto, mas que estabelecerão uma base de evidência para futuras respostas a este e a outros filovírus.
| Imprensa russa e CEI | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa do Sudeste Asiático | 0.00 | neutral |
| Imprensa latino-americana | +0.20 | neutral |
A Rússia relata dados oficiais sem comentários, apresentando o ensaio como um fato clínico.
O uso de porcentagens e números precisos (32,4% de mortalidade, 81,6% de rastreamento de contatos) cria uma aura de objetividade, enquanto a menção da falta de vacina para a cepa Bundibugyo destaca a gravidade sem alarmismo.
O bloco russo omite a transmissão comunitária e o risco de propagação para outras regiões, concentrando-se apenas nos números e no ensaio.
O Sudeste Asiático soa o alarme sobre a transmissão comunitária e o risco de expansão, alertando as autoridades de saúde.
A ênfase em 'aumento da transmissão comunitária' e 'risco crescente de propagação' cria uma sensação de perigo iminente, enquanto a ausência de detalhes do ensaio desloca o foco para a ameaça.
O bloco do sudeste asiático omite o ensaio terapêutico em andamento, concentrando-se exclusivamente no aumento de infecções e mortes.
A América Latina apresenta o ensaio como um passo à frente na luta contra o Ebola, destacando o papel da OMS e das empresas farmacêuticas.
A pergunta retórica '¿Vacuna contra el ébola?' e a descrição detalhada dos medicamentos (MBP134, remdesivir) criam uma expectativa positiva, enquanto o número de 500 mortes é mencionado, mas não enfatizado.
O bloco latino-americano omite a falta de uma vacina específica para a cepa Bundibugyo e não menciona a transmissão comunitária.
Amplie o olhar
Trump declara fim do cessar-fogo com o Irão mas aceita prosseguir negociações
6 idiomas · 37 veículos
De Economy & MarketsSK Hynix estreia em Wall Street com o maior IPO estrangeiro da história
7 idiomas · 14 veículos
De TechnologyChina recupera pela primeira vez estágio de foguete orbital em plataforma marítima
8 idiomas · 20 veículos