
Incêndios florestais no sul da Europa forçam evacuações e alteram etapa do Tour de France
Mais de 10 mil pessoas foram retiradas de suas casas nos Pirenéus Orientais, enquanto a terceira etapa da prova ciclística será disputada sem público em território francês.
Vagas de incêndios florestais de grandes proporções atingem o sul da Europa, com focos ativos em França, Espanha, Portugal e Grécia, obrigando à evacuação de milhares de residentes e alterando o plano de grandes eventos. Na região dos Pirenéus Orientais, no sudoeste francês, as chamas que deflagraram na noite de sábado já consumiram 4.600 hectares e continuam fora de controlo, segundo o delegado do governo local, Pierre Regnault de la Mothe. Cerca de 10 mil pessoas foram retiradas de 26 municípios do maciço de Les Aspres e de Ille-sur-Têt, numa operação que as autoridades descrevem como ordenada. Cinco feridos foram confirmados, entre os quais dois bombeiros em estado grave.
A progressão do fogo, alimentada por vento forte e temperaturas acima dos 36°C, levou à adaptação da terceira etapa do Tour de France, que esta segunda-feira liga Granollers, em Espanha, a Les Angles, em território francês. A caravana publicitária não circulará nos últimos 40 quilómetros do percurso e o acesso do público à estrada e à meta está proibido, permitindo que os meios de emergência se concentrem no combate às chamas. “A incêndio excecional, medidas excecionais”, resumiu o diretor da prova, Christian Prudhomme, citado pela imprensa francesa.
Na vizinha Catalunha, o incêndio que lavra desde sexta-feira na região de Girona queimou cerca de 2.200 hectares e foi estabilizado, mas as altas temperaturas e o fumo denso continuam a dificultar a extinção completa, indicam os bombeiros catalães. Em Portugal, o fogo que deflagrou na quinta-feira na zona de Vouzela, no centro do país, já devastou entre 12 mil e 13 mil hectares de floresta e mato. A proteção civil portuguesa informou que 80% do perímetro está controlado, mas subsistem pontos quentes. Reforços aéreos e terrestres chegaram de Espanha e Itália, no quadro do mecanismo europeu de proteção civil.
Na Grécia, as chamas atingiram uma unidade de reciclagem nos subúrbios de Salónica, libertando fumo tóxico que obrigou as autoridades a recomendar à população que permanecesse em casa com janelas fechadas. Um homem de 76 anos foi detido por suspeita de ter iniciado o fogo por negligência, ao gerar faíscas com o seu veículo. O porta-voz dos bombeiros gregos afirmou que 85% dos incêndios no país têm origem em comportamentos negligentes, como o uso de máquinas agrícolas ou cigarros mal apagados. Outro foco de grandes dimensões lavra a oeste de Atenas, mobilizando mais de duas centenas de operacionais e meios aéreos.
A vaga de incêndios ocorre no rescaldo de uma onda de calor excecional que, segundo o grupo científico World Weather Attribution, teria sido “virtualmente impossível” sem as alterações climáticas. O serviço meteorológico francês colocou sete departamentos do sudeste em alerta vermelho de risco de incêndio, enquanto as temperaturas podem voltar a ultrapassar os 40°C nos próximos dias. As autoridades dos vários países insistem que a prioridade absoluta é a proteção de pessoas e bens, e que as operações de combate às chamas prosseguem no terreno, sem que seja possível, para já, antecipar o regresso dos evacuados às suas casas.
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