
Sondas do Japão e da China revelam detalhes inéditos de asteroides próximos da Terra
Hayabusa2 sobrevoa Torifune a poucas centenas de metros e Tianwen-2 alcança o asteroide 2016 HO3, fornecendo dados cruciais para a defesa planetária e o estudo da formação do Sistema Solar.
Duas missões espaciais asiáticas alcançaram marcos simultâneos na exploração de asteroides próximos da Terra, divulgando imagens e dados que alteram o conhecimento sobre estes corpos. A sonda japonesa Hayabusa2, da JAXA, realizou no domingo um sobrevoo rasante do asteroide Torifune, passando a uma distância estimada de poucas centenas de metros e a uma velocidade relativa de cinco quilómetros por segundo. No mesmo período, a sonda chinesa Tianwen-2, da Administração Espacial Nacional da China, concluiu uma viagem de 400 dias e cerca de mil milhões de quilómetros, posicionando-se a 20 quilómetros do asteroide 2016 HO3 para iniciar a fase de exploração científica.
As imagens obtidas revelam características morfológicas que surpreenderam os investigadores. A fotografia de Torifune, captada um segundo antes da máxima aproximação, mostra um corpo com forma de boneco de neve e superfície repleta de rochas, sugerindo que o asteroide resultou da colisão e fusão de dois pequenos corpos celestes. Já a primeira imagem de 2016 HO3, divulgada pela agência chinesa, indica que o objeto é significativamente menor do que as estimativas anteriores: em vez dos 40 a 100 metros de diâmetro previstos, a escala da imagem aponta para uma dimensão entre 20 e 30 metros, segundo Zhang Pengfei, investigador do Instituto de Geoquímica da Academia Chinesa de Ciências.
Do ponto de vista da defesa planetária, as duas missões fornecem ensaios tecnológicos complementares. A JAXA sublinhou que a precisão do sobrevoo da Hayabusa2 — que já recolhera amostras do asteroide Ryugu em 2020 — valida técnicas de navegação essenciais para futuras operações de desvio de objetos perigosos. A China, por seu lado, prepara a primeira recolha de amostras de um asteroide com a Tianwen-2, que após a fase de observação deverá pousar na superfície irregular de 2016 HO3 e, mais tarde, enviar uma cápsula com o material para a Terra. Observadores em Tóquio e Pequim enquadram estes avanços no contexto do teste de redirecionamento DART, da NASA, que em 2022 alterou com sucesso a órbita do asteroide Dimorfo.
Os próximos passos das missões estendem-se por anos. A Hayabusa2 continuará a transmitir dados de espetrometria e infravermelhos de Torifune e tem como destino seguinte o asteroide 1998 KY26, que deverá alcançar em julho de 2031. A Tianwen-2 realizará observações progressivamente mais detalhadas da composição e estrutura interna de 2016 HO3 antes da colheita de amostras, prevista para uma fase posterior ainda não calendarizada publicamente. Ambos os programas ilustram a intensificação da capacidade asiática de acesso a corpos menores do Sistema Solar, com implicações tanto para a ciência planetária como para a proteção do planeta.
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O Japão celebra o sucesso de sua sonda Hayabusa2, confirmando sua liderança na exploração espacial.
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