
Tarifas da UE não travam elétricos chineses, que ganham espaço global apesar de desaceleração na China
Enquanto as vendas de veículos eletrificados disparam em mercados como Brasil, Reino Unido e Austrália, a China regista queda nas entregas internas, e o Brasil vê as importações de automóveis chineses baterem recorde.
As tarifas compensatórias impostas pela União Europeia desde outubro de 2024 não contiveram o avanço das montadoras chinesas no mercado europeu. Dados de registos mostram que as marcas chinesas superaram as japonesas na Europa Ocidental em maio, com uma quota de 8,7% no primeiro trimestre de 2026, um salto de 3,9 pontos percentuais em um ano. A estratégia de adaptação incluiu a ampliação da oferta de híbridos plug-in, não abrangidos pelas sobretaxas, e o início da produção local por fabricantes como GAC e Xpeng. Em Bruxelas, avalia-se estender as tarifas aos híbridos, mas a eficácia da medida é posta em causa pela capacidade de contorno das empresas.
O impulso dos elétricos chineses ecoa em vários continentes. Nas Filipinas, as vendas de eletrificados subiram 36,2% no primeiro trimestre, com a vietnamita VinFast a liderar entre os elétricos puros. Na Austrália, os elétricos a bateria representaram quase um quarto das vendas de automóveis novos em junho, impulsionados pelo choque dos preços dos combustíveis e pela evidência de maior durabilidade das baterias. No Reino Unido e em Itália, os elétricos também ganharam quota de mercado, enquanto no México as vendas totais de automóveis bateram recorde no semestre, puxadas por marcas chinesas que ampliam a sua presença.
No Brasil, o mercado automóvel cresceu 20% no primeiro semestre, com o BYD Dolphin Mini entre os dez mais vendidos. Contudo, a balança comercial do setor registou um défice recorde de 5,32 mil milhões de dólares, com 72% das importações a virem da China. Em contrapartida, as exportações de carne de frango atingiram um máximo histórico de 2,94 milhões de toneladas no semestre, gerando 5,7 mil milhões de dólares, um aumento de 17%, com a China como principal destino. Já as exportações de carne bovina aproximam-se da cota anual para o mercado chinês, levando frigoríficos a reduzir abates.
Na China, porém, o mercado interno de elétricos dá sinais de arrefecimento. As entregas de veículos elétricos e híbridos plug-in caíram 7% em junho face ao ano anterior, para 1,04 milhões de unidades, refletindo a fraca confiança dos consumidores e a expectativa de novas reduções de preços. A consultora AlixPartners projeta uma quebra de 27,7% nas vendas de veículos ligeiros na China em 2026. Este contraste entre a expansão internacional e a retração doméstica sublinha a dependência das fabricantes chinesas dos mercados externos para escoar a produção, num momento em que as tensões comerciais com a Europa e a pressão competitiva global se intensificam.
| Imprensa russa e CEI | +0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | +0.80 | aligned |
| Imprensa chinesa | −0.70 | critical |
| Imprensa do Sudeste Asiático | −0.30 | critical |
A Rússia apresenta a desaceleração como uma fase natural e conta com os híbridos para manter o crescimento.
Ao citar dados de mercado e a compensação dos híbridos, a queda é normalizada como uma fase temporária.
Omite a desaceleração chinesa e o boom australiano, isolando o caso russo.
A Austrália celebra o colapso do mito da bateria e o aumento das vendas de veículos elétricos.
Ao apresentar evidências de longevidade da bateria e dados de vendas recordes, o ceticismo é desmantelado.
Omite o declínio chinês e a compensação híbrida russa, isolando o sucesso australiano.
A China denuncia a espiral descendente das entregas e a fraqueza do consumidor.
Ao enfatizar a queda ano a ano e os comentários de um vendedor, constrói-se um quadro de crise.
Omite o boom australiano e a compensação híbrida russa, isolando o declínio chinês.
A Indonésia adverte contra falsas esperanças nos incentivos e apela ao realismo.
Ao relatar o atraso dos incentivos e o conselho do CEO, a prudência é legitimada.
Omite o crescimento global de veículos elétricos na Austrália e na Rússia, concentrando-se apenas nas dificuldades locais.
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