
França joga por Deschamps enlutado em duelo que define liderança do grupo
Com o técnico ausente devido ao funeral da mãe, os Bleus enfrentam a Noruega já classificados, mas determinados a honrar o seu líder e garantir o primeiro lugar do Grupo I.
O abraço entre Didier Deschamps e o seu adjunto Guy Stéphan, na manhã de terça-feira em Boston, selou um momento de dor que atravessa a seleção francesa no Mundial de 2026. Horas depois da vitória por 3-0 sobre o Iraque, que garantiu a qualificação para os oitavos de final, o treinador recebeu a notícia da morte da mãe e partiu para França a fim de assistir ao funeral. Stéphan, de 69 anos, assumiu o comando da equipa e revelou a missão deixada por Deschamps: “Ele pediu-me que liderasse a equipa até ao seu regresso, no sábado”. O médio Aurélien Tchouaméni resumiu o sentimento coletivo: “É um momento complicado para todos. Ele deu-nos uma missão. Queremos deixá-lo o mais orgulhoso possível”.
A França chega ao jogo desta sexta-feira, no Gillette Stadium em Foxborough, com seis pontos em dois jogos, tal como a Noruega, mas com melhor diferença de golos. Um empate basta para fechar o Grupo I na primeira posição, o que, segundo Stéphan, representa “a melhor” via por razões logísticas e de prestígio. A imprensa francesa sublinha que a vontade de vencer transcende a mera classificação: há um “suplemento de alma” que afasta qualquer risco de relaxamento antes da fase a eliminar. Observadores em Paris notam que a comoção é amplificada pela repetição de um cenário vivido em 2022, quando Stéphan já substituíra Deschamps após a morte do seu pai, num jogo da Liga das Nações.
Do ponto de vista tático, a França sofrerá a baixa de William Saliba, central do Arsenal com uma lesão nas costas, devendo ser substituído por Maxence Lacroix, do Crystal Palace. Espera-se também alguma rotação na equipa, mas a mensagem dos jogadores é de compromisso total. “A situação é cruel para o Didier e para a família, temos de assegurar este terceiro jogo”, afirmou Stéphan, visivelmente emocionado por ocupar um lugar que sente não ser o seu. Na perspetiva de Lagos, a determinação dos Bleus é lida como um sinal de maturidade competitiva, capaz de transformar a adversidade emocional num impulso para o rendimento coletivo.
A comoção em torno de Deschamps ganha contornos ainda mais simbólicos por se tratar do seu último torneio à frente da seleção, como anunciado antes da competição. A imprensa árabe recorda que o treinador, campeão do mundo em 2018 e finalista em 2022, procura encerrar um ciclo de catorze anos com o título que lhe falta neste continente, enquanto o nome de Zinédine Zidane surge como provável sucessor. A narrativa de uma despedida gloriosa mistura-se agora com o luto pessoal, e os jogadores assumem o papel de guardiões desse legado.
O desfecho do jogo contra a Noruega definirá o rumo imediato da equipa: o primeiro lugar do grupo conduz a um confronto com um terceiro classificado em New Jersey, a 30 de junho, enquanto o segundo lugar obriga a uma viagem a Dallas para defrontar o vice-líder do Grupo E. Deschamps regressará a Boston no sábado para reassumir o comando e preparar a eliminatória, com a certeza de que, independentemente do resultado, a sua equipa já cumpriu a primeira parte da missão que ele próprio lhes confiou.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A França enfrenta um teste de resiliência ao jogar sem o seu treinador, que está no funeral da mãe. O elenco garante que vai canalizar as emoções numa exibição que o honre, mas a preparação foi afetada. O jogo contra a Noruega ganha agora uma camada adicional de complexidade psicológica.
A seleção francesa fica sem o seu treinador principal para um jogo decisivo do grupo devido a um luto familiar. Enquanto os jogadores falam de união, a situação expõe a fragilidade de um sistema construído em torno de uma só figura. O adjunto assumirá o comando, mas o pano de fundo emocional pode revelar-se mais um entrave do que uma motivação.
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