
Cabo Verde empata com Arábia Saudita e escreve página inédita nos 16 avos do Mundial
A seleção africana, estreante em Copas, segurou o 0 a 0 em Houston e garantiu o segundo lugar do Grupo H; Vozinha, guarda-redes de 40 anos, já sonha com Messi e a Argentina.
O apito final no NRG Stadium confirmou um desfecho que parecia improvável antes do torneio: Cabo Verde, país insular com pouco mais de 500 mil habitantes, está nos 16 avos de final do Mundial de 2026. O empate sem golos diante da Arábia Saudita, na noite de sábado (27), selou a segunda posição do Grupo H, atrás apenas da Espanha. A equipa africana somou três pontos em três jornadas, todas terminadas em igualdade — 0-0 com os espanhóis, 2-2 com o Uruguai e o novo 0-0 —, e beneficiou do tropeço uruguaio frente à Espanha (1-0) para avançar com uma defesa que só foi batida duas vezes na fase de grupos.
A solidez defensiva teve rosto e nome: Vozinha. O guarda-redes de 40 anos, que atua no Chaves, em Portugal, manteve a baliza inviolada pela segunda vez no torneio e tornou-se uma das figuras mediáticas da competição. “Muitos achavam que não éramos suficientemente bons, mas viemos mostrar que temos qualidade para competir a este nível”, afirmou após a partida, em declarações recolhidas pela imprensa internacional. O veterano, cujo nome de batismo quase foi Valdano — o pai tentou homenagear o avançado argentino do Mundial de 1986, mas o registo civil cabo-verdiano recusou —, não escondeu a emoção com o próximo adversário: “Enfrentar a Argentina e o Messi é um sonho para qualquer jogador. Ele é o melhor de todos os tempos.”
Enquanto Cabo Verde celebrava, a jornada também definiu os outros grupos. No Grupo G, a Bélgica dissipou as dúvidas com uma goleada de 5-1 sobre a Nova Zelândia, em Vancouver, com dois golos de Leandro Trossard e exibições de Kevin De Bruyne e Romelu Lukaku, garantindo o primeiro lugar com cinco pontos. O Egito, com o mesmo total, acompanhou os belgas após empatar 1-1 com o Irão, que ainda sonha com uma vaga como um dos melhores terceiros. No Grupo I, a França, já apurada, venceu a Noruega por 4-1 com um hat-trick de Ousmane Dembélé — o terceiro do torneio, depois dos de Lionel Messi e Jonathan David —, enquanto o Senegal goleou o Iraque por 5-0 e também seguiu em frente.
A classificação cabo-verdiana ecoa com particular intensidade no mundo lusófono. Observadores em Lisboa e na Praia sublinham o feito de uma seleção que, até há poucos anos, era vista como coadjuvante no panorama africano. A presença de Vozinha no futebol português e a ligação afetiva com a Argentina, que remonta ao nascimento do guardião, acrescentam camadas a uma narrativa que já entrou para a história do desporto. O próximo capítulo está marcado para 4 de julho, em Miami, quando os Tubarões Azuis defrontarão a campeã mundial Argentina, de Lionel Messi, num duelo que opõe a maior surpresa do torneio à mais consagrada das potências.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A classificação de Cabo Verde para os 16 avos é celebrada como prova de que pertencem à elite mundial. O guarda-redes manifestou ansiedade por defrontar a Argentina e Messi, transformando o jogo num momento de orgulho e afirmação.
O avanço histórico de Cabo Verde é retratado como um conto de fadas, com o guarda-redes a classificar um jogo contra Messi como um sonho. A narrativa do 'underdog' está imbuída de romantismo, e a equipa ousa acreditar numa surpresa monumental.
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