
Reino Unido prepara sétimo primeiro-ministro em dez anos e anuncia novo regime de refugiados
Com a demissão de Keir Starmer, Andy Burnham emerge como sucessor provável, enquanto o governo lança um esquema de patrocínio de refugiados inspirado no modelo canadiano.
A demissão do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, na segunda-feira, abriu caminho para que o recém-eleito deputado trabalhista Andy Burnham se torne o sétimo chefe de governo do Reino Unido numa década. Em paralelo, o Ministério do Interior anunciou um novo regime de patrocínio de refugiados que permitirá a universidades, organizações comunitárias e empregadores acolher requerentes de asilo, com as primeiras chegadas previstas para o outono de 2027. A medida, inspirada no sistema canadiano em vigor desde 1979, surge num momento de profunda fragmentação política, agravada pela pressão migratória e pelo crescimento do partido Reform UK, de direita radical.
O líder do Reform UK, Nigel Farage, afirmou em entrevista à Fox News que a migração em massa alterou o país “literalmente para além do reconhecimento” e defendeu a convocação de eleições gerais imediatas, alegando que o seu partido tem “todas as hipóteses de vencer”. No seio do Partido Trabalhista, contudo, vários deputados instam Burnham a não antecipar o escrutínio, receando perdas substanciais para o Reform e para os Verdes, sobretudo em círculos com maiorias frágeis. A ministra do Interior, Shabana Mahmood, justificou o novo esquema como forma de apoiar “refugiados genuínos” e fechar “lacunas” no sistema, enquanto o ministro-sombra conservador, Chris Philp, condicionou qualquer entrada humanitária à eliminação total da imigração ilegal. O Reform UK já declarou que anulará o programa se chegar ao poder.
Na perspetiva de Moscovo, o senador Alexei Pushkov considerou improvável que Burnham altere a política de apoio financeiro e militar a Kiev, recordando que Londres se comprometeu a conceder 23,8 mil milhões de libras para fins bélicos e a manter uma verba anual de três mil milhões até 2031. Comentadores no mundo árabe, por seu turno, descrevem o ciclo de substituições de primeiros-ministros como um “governo por impulsos emocionais”, em que figuras políticas são alçadas ao poder com entusiasmo para depois serem derrubadas perante as dificuldades estruturais. A própria ascensão de Burnham, que poderá chegar a Downing Street sem ter passado pela oposição nem apresentado um programa eleitoral, é vista por analistas em Londres como sintoma de um sistema político “completamente quebrado”, na expressão de Farage.
O projeto de lei que concretiza o novo regime de asilo será debatido na Câmara dos Comuns ainda esta semana, enquanto Burnham prepara um discurso programático centrado na descentralização de poderes para os municípios e na transferência de receitas fiscais. A eleição interna do Partido Trabalhista deverá começar a 9 de julho, mas a ausência de um mandato direto das urnas mantém em aberto a questão da legitimidade do próximo executivo. O dossier migratório, que alimenta a ascensão do Reform UK, continuará a condicionar a margem de manobra do novo governo, num contexto de estagnação económica e de serviços públicos sob pressão que, segundo observadores em Lisboa e Brasília, ecoa desafios comuns a outras democracias ocidentais.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A migração em massa tornou o Reino Unido irreconhecível e o sistema político está completamente avariado. Com a demissão de Starmer, o país caminha para o sétimo primeiro-ministro em dez anos, enquanto aumenta a pressão para fechar as brechas do asilo e travar a imigração ilegal.
Mais uma troca de primeiro-ministro em Londres é recebida com sarcasmo: a experiência do favorito Burnham a gerir autocarros não lhe servirá com Putin, Xi ou Trump. Moscovo assinala que a política de apoio militar e financeiro à Ucrânia permanecerá inalterada, pelo que a crise governativa britânica não muda nada.
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