
Ford readmite engenheiros experientes após fracasso da IA no controle de qualidade
Após sistemas de IA falharem na inspeção de veículos, Ford readmite 350 engenheiros experientes e alcança topo em ranking de qualidade, ecoando recuos semelhantes na Europa e Ásia.
A Ford readmitiu mais de 350 engenheiros experientes nos últimos três anos, revertendo sua aposta em sistemas de controle de qualidade baseados em inteligência artificial. A mudança já produziu efeitos mensuráveis: a montadora norte-americana saltou para a liderança entre as marcas generalistas no estudo de qualidade inicial da J.D. Power, posição que não alcançava desde 2010, e registrou redução de custos de produção.
A estratégia anterior incluía a instalação de cerca de 900 câmeras inteligentes nas fábricas para detetar defeitos em tempo real. Contudo, segundo Charles Poon, vice-presidente de engenharia de hardware de veículos, a empresa subestimou a importância do conhecimento prático dos técnicos veteranos. “Pensámos, erradamente, que bastava introduzir a inteligência artificial e carregar os requisitos de projeto para obter produtos de alta qualidade”, afirmou. Muitos desses profissionais deixaram a companhia antes que a sua experiência pudesse ser transferida para os algoritmos, e os sistemas automatizados revelaram-se incapazes de identificar falhas que só a vivência de chão de fábrica permite antecipar.
Os engenheiros readmitidos, apelidados internamente de “barbas cinzentas”, assumiram a liderança das revisões obrigatórias de qualidade, treinam os colegas mais jovens e alimentam as ferramentas de IA com o conhecimento empírico que lhes faltava. O diretor de operações, Kumar Galhotra, sublinhou que a empresa trocou a lógica de “detetar e corrigir” pela de “prevenir desde o início”. A Ford não abandonou a IA — mantém mais de 100 mil testes de verificação automatizados —, mas passou a subordiná-la à supervisão humana. O recuo da montadora ecoa movimentos semelhantes na Europa, onde a fintech sueca Klarna voltou a contratar pessoal para atendimento ao cliente após deceções com chatbots, e na América do Norte, onde o McDonald’s suspendeu o seu sistema de pedidos por voz baseado em IA devido a erros frequentes. Na imprensa asiática, o episódio é lido como um sinal de que a automação industrial ainda tropeça em tarefas que exigem julgamento contextual.
Apesar dos ganhos em qualidade, a Ford enfrenta ventos contrários: a divisão de veículos elétricos acumulou perdas de 4,8 mil milhões de dólares em 2025, e a empresa continua a liderar o número de recalls nos EUA, embora atribua esses chamados a problemas herdados. O próximo estudo de qualidade inicial da J.D. Power, previsto para 2027, servirá como teste à sustentabilidade do modelo híbrido que combina inteligência artificial e conhecimento humano. Enquanto isso, o setor observa como a Ford equilibrará as suas ambições tecnológicas com a sabedoria acumulada dos engenheiros que regressaram.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A Ford está a reduzir a dependência excessiva da inteligência artificial e do controlo de qualidade automatizado, readmitindo mais de 350 engenheiros experientes em três anos. A empresa relata que esta correção de rumo já está a resultar numa melhor qualidade dos produtos e em custos mais baixos.
A grande aposta da indústria automóvel na inteligência artificial encontrou um obstáculo, com a Ford forçada a inverter o rumo e a readmitir engenheiros humanos após a falha dos seus sistemas de qualidade automatizados. A empresa admitiu que a tecnologia não conseguia cumprir os seus padrões, levando a um regresso ao talento experiente.
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