
Farnborough 2026: Riyadh Air firma encomendas e Boeing coloca produção à frente de novos pedidos
A companhia saudita elevou para 67 os Dreamliner e 31 os A350-1000 encomendados, num salão marcado pelo foco na estabilização das cadeias de abastecimento.
A abertura do Salão Aeronáutico de Farnborough, no Reino Unido, foi dominada pela confirmação de encomendas de longo curso pela Riyadh Air e por um discurso invulgar da Boeing: a prioridade não são novos contratos, mas sim aumentar e estabilizar a produção. A transportadora da Arábia Saudita, detida pelo fundo soberano PIF, ativou opções para mais 28 Boeing 787 Dreamliner e seis Airbus A350-1000, elevando as carteiras firmes para 67 e 31 aeronaves, respetivamente. A estes somam-se 60 Airbus A321, num plano de frota que visa ligar Riade a mais de 100 destinos até 2030, em linha com a Visão 2030 do reino.
A ênfase na produção reflete os constrangimentos que persistem nas cadeias de fornecimento. A presidente da unidade de aviões comerciais da Boeing, Stephanie Pope, afirmou que os motores fornecidos pela GE Aerospace continuam a ser um fator determinante para o ritmo de montagem. A empresa pretende elevar a cadência do 737 MAX das atuais 42 unidades mensais para 47, depois 52, antes de avaliar novos aumentos. A Airbus, por seu lado, beneficia da procura sustentada, mas também enfrenta limites de capacidade, num contexto em que as duas fabricantes acumulam encomendas por entregar que superam as 6.200 aeronaves só no caso da Boeing.
O dia inaugural trouxe ainda outros movimentos relevantes. A locadora SMBC Aviation Capital encomendou 100 unidades do 737 MAX, incluindo a primeira compra da versão -10, elevando a sua exposição ao modelo para 450 aviões. A Philippine Airlines assinou um memorando para até 20 Boeing 787-10, a sua primeira aquisição direta à fabricante norte-americana desde 2007, num sinal de diversificação face à frota atual, maioritariamente Airbus. No Norte de África, a Air Algérie obteve autorização para lançar voos diretos entre Argel e Seul — será a segunda ligação aérea regular entre o continente africano e a Coreia do Sul — e colocou em serviço o primeiro de dez Boeing 737 MAX 8, no âmbito de um programa de renovação que inclui ainda oito MAX 9, dez Airbus A330-900neo e dezasseis ATR 72-600.
Permanecem em negociação operações de maior escala. A Turkish Airlines condiciona uma encomenda de 150 Boeing 737 MAX à celebração de contratos de manutenção de motores de longo prazo, enquanto a Etihad e a Flynas também avaliam ampliações de frota. O salão, que decorre até 24 de julho, terá como próximos marcos a confirmação ou não desses acordos e a atualização das projeções de entregas por parte dos fabricantes, num momento em que a cadência industrial dita o ritmo da retoma.
| Imprensa russa e CEI | −0.30 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa do Golfo árabe | +0.80 | aligned |
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | +0.30 | aligned |
A Rússia observa com ceticismo as dificuldades de produção da Boeing, enfatizando que as cadeias de suprimentos permanecem frágeis.
Ao focar em problemas técnicos e de fornecimento, a narrativa minimiza a importância dos pedidos anunciados, deslocando a atenção para as fraquezas ocidentais.
Omite qualquer menção aos pedidos da Riyadh Air ou à expansão saudita, que são o cerne da notícia.
A Arábia Saudita celebra seu sucesso: a Riyadh Air dobra sua frota e se projeta para 100 destinos, demonstrando a força do Reino.
A linguagem do triunfo e da visão estratégica é usada para apresentar o pedido como um passo inevitável em direção à liderança global.
Não menciona as dificuldades de produção da Boeing ou atrasos nas entregas, que poderiam minar a credibilidade do plano.
O mundo árabe apresenta-se como um ator dinâmico: enquanto a Riyadh Air se expande, a Air Algérie moderniza sua frota e abre novas rotas, demonstrando um crescimento regional equilibrado.
Notícias positivas de diferentes países são misturadas para criar uma imagem de progresso coletivo, evitando aprofundar questões críticas individuais.
Não discute tensões geopolíticas que poderiam afetar as rotas aéreas, nem os problemas de produção da Boeing que também preocupam a Air Algérie.
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