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Crime e Desastressábado, 4 de julho de 2026

Êxodo de africanos da África do Sul eleva tensão diplomática e pedidos de compensação

Milhares de estrangeiros deixam o país após prazo de grupos anti-imigração; Nigéria busca indenização por bens abandonados, rechaçada por Pretória, enquanto evacuações prosseguem.

Mais de 850 nigerianos e pelo menos 200 quenianos foram repatriados da África do Sul nas últimas semanas, num êxodo provocado por vagas de violência xenófoba e pela imposição de um prazo — 30 de junho — por grupos anti-imigração como o March and March. Segundo autoridades dos países de origem, milhares de outros cidadãos de Moçambique, Zimbabué, Malawi e Gana também abandonaram o território sul-africano, muitos deles deixando para trás negócios, casas e famílias.

A crise gerou um contencioso diplomático entre Lagos e Pretória. O alto comissário interino da Nigéria, Temitope Ajayi, anunciou que o governo federal começou a documentar perdas materiais dos retornados para exigir compensações. A ministra sul-africana da Presidência, Khumbudzo Ntshavheni, rejeitou a hipótese, afirmando que apenas propriedades legalmente registadas podem ser vendidas no mercado, não indenizadas, e que construções em assentamentos informais são ilegais. As suas declarações, que incluíram uma referência polémica a "antros de droga" alegadamente ligados a nigerianos, foram criticadas pelo ex-senador nigeriano Shehu Sani e tornaram o diálogo mais áspero.

Analistas brasileiros, com base em relatos da imprensa local, apontam que a hostilidade contra imigrantes africanos tem raízes estruturais. O desemprego juvenil superior a 45%, a corrupção no Congresso Nacional Africano e a degradação dos serviços públicos alimentam o discurso de que estrangeiros "roubam empregos". A economia informal, onde muitos imigrantes se destacam, tornou-se alvo de milícias que invadiram hospitais e residências. Para especialistas ouvidos em São Paulo, a crise expõe a incapacidade do Estado sul-africano em conter a violência de grupos com motivações políticas.

Diante do impasse, as operações de repatriação continuam. O Quénia anunciou que o último voo gratuito partirá a 9 de julho, exigindo registo até dia 7. Entretanto, as autoridades sul-africanas aprovaram novas medidas para evitar a reconstrução de assentamentos informais demolidos e o Governo nigeriano insiste que tratará do assunto "ao mais alto nível", sem especificar prazos. O caso da morte de um ganês na Cidade do Cabo permanece em disputa factual entre os dois países, enquanto a maioria dos retornados aguarda, sem certezas, por uma solução para os bens perdidos.

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Êxodo de africanos da África do Sul eleva tensão diplomática e pedidos de compensação

Milhares de estrangeiros deixam o país após prazo de grupos anti-imigração; Nigéria busca indenização por bens abandonados, rechaçada por Pretória, enquanto evacuações prosseguem.

Mais de 850 nigerianos e pelo menos 200 quenianos foram repatriados da África do Sul nas últimas semanas, num êxodo provocado por vagas de violência xenófoba e pela imposição de um prazo — 30 de junho — por grupos anti-imigração como o March and March. Segundo autoridades dos países de origem, milhares de outros cidadãos de Moçambique, Zimbabué, Malawi e Gana também abandonaram o território sul-africano, muitos deles deixando para trás negócios, casas e famílias.

A crise gerou um contencioso diplomático entre Lagos e Pretória. O alto comissário interino da Nigéria, Temitope Ajayi, anunciou que o governo federal começou a documentar perdas materiais dos retornados para exigir compensações. A ministra sul-africana da Presidência, Khumbudzo Ntshavheni, rejeitou a hipótese, afirmando que apenas propriedades legalmente registadas podem ser vendidas no mercado, não indenizadas, e que construções em assentamentos informais são ilegais. As suas declarações, que incluíram uma referência polémica a "antros de droga" alegadamente ligados a nigerianos, foram criticadas pelo ex-senador nigeriano Shehu Sani e tornaram o diálogo mais áspero.

Analistas brasileiros, com base em relatos da imprensa local, apontam que a hostilidade contra imigrantes africanos tem raízes estruturais. O desemprego juvenil superior a 45%, a corrupção no Congresso Nacional Africano e a degradação dos serviços públicos alimentam o discurso de que estrangeiros "roubam empregos". A economia informal, onde muitos imigrantes se destacam, tornou-se alvo de milícias que invadiram hospitais e residências. Para especialistas ouvidos em São Paulo, a crise expõe a incapacidade do Estado sul-africano em conter a violência de grupos com motivações políticas.

Diante do impasse, as operações de repatriação continuam. O Quénia anunciou que o último voo gratuito partirá a 9 de julho, exigindo registo até dia 7. Entretanto, as autoridades sul-africanas aprovaram novas medidas para evitar a reconstrução de assentamentos informais demolidos e o Governo nigeriano insiste que tratará do assunto "ao mais alto nível", sem especificar prazos. O caso da morte de um ganês na Cidade do Cabo permanece em disputa factual entre os dois países, enquanto a maioria dos retornados aguarda, sem certezas, por uma solução para os bens perdidos.

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