
Ex-agente marroquino revela uso do Pegasus contra alvos políticos na Europa e África
Consórcio Forbidden Stories divulga depoimento inédito e análises técnicas que ligam serviços de Rabat à vigilância de ministros franceses, do presidente espanhol e de opositores, enquanto Paris estudava adquirir o mesmo software.
Uma nova frente de revelações do consórcio internacional Pegasus Project, baseada no testemunho de um ex-agente dos serviços secretos marroquinos e em documentos internos, indica que a Direção Geral de Vigilância do Território (DGST) de Marrocos utilizou o spyware israelita Pegasus a partir de 2017 para vigiar jornalistas, defensores de direitos humanos, membros dos governos de França e Espanha e opositores políticos. O antigo operacional, identificado pelo pseudónimo Safir, descreveu uma estrutura hierarquizada em que as decisões de alto nível eram atribuídas ao conselheiro real Fouad Ali El Himma e a execução técnica cabia ao aparelho dirigido por Abdellatif Hammouchi. As informações, corroboradas por análises forenses do Security Lab da Amnistia Internacional, surgem num momento de reaproximação diplomática entre Paris e Rabat e reacendem o escrutínio sobre as práticas de cibervigilância no Norte de África.
Segundo os elementos agora publicados, Marrocos nega qualquer utilização do Pegasus e contesta a fiabilidade das investigações, mas uma nota confidencial da Direção-Geral de Segurança Externa francesa, datada de novembro de 2022, avalia que o reino e os Emirados Árabes Unidos recorrem a produtos da NSO Group desde, pelo menos, 2017. Em Espanha, relatórios do Centro Nacional de Inteligência citados pelo consórcio associam a infeção do telemóvel do primeiro-ministro Pedro Sánchez, em maio de 2021, à crise migratória em Ceuta e a uma estratégia de pressão para alterar a posição de Madrid sobre o Saara Ocidental — mudança que se concretizou meses depois. Para Argel, um dos países mais visados, as novas provas confirmam uma prática de vigilância hostil que há muito denuncia.
O testemunho de Safir detalha que o software foi oferecido pelos Emirados como uma “prenda”, contornando a aquisição direta à empresa israelita, e que a sua capacidade de infeção remota era reservada a alvos de alto valor. Em paralelo, a investigação revela que os próprios serviços franceses — incluindo a Direção-Geral de Segurança Interna e a Direção do Renseignamento Militar — exploraram a compra do Pegasus entre 2019 e 2020 para operações de contraterrorismo e narcotráfico, com discussões que atingiram um estádio avançado e um montante estimado entre 60 e 80 milhões de euros. O projeto foi abandonado após arbitragem do Eliseu, que invocou soberania tecnológica e risco reputacional, facto que, na perspetiva de observadores em Paris, adensa a ambiguidade da posição francesa.
A investigação judicial aberta em França em 2021 identificou indicadores técnicos de comprometimento nos telemóveis de pelo menos sete antigos ministros, mas a atribuição formal a Marrocos permanece bloqueada pela ausência de cooperação das autoridades marroquinas e israelitas. As queixas por difamação apresentadas por Rabat contra órgãos de comunicação social em França e Espanha foram rejeitadas pela justiça. O dossiê continua ativo, e os novos elementos deverão alimentar o debate parlamentar europeu sobre a regulação da exportação de tecnologias de vigilância, sem que, até ao momento, tenham sido anunciadas novas diligências processuais.
| Imprensa europeia continental | −0.30 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.80 | critical |
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.90 | critical |
| Imprensa latino-americana | −0.60 | critical |
A França explora a compra do Pegasus mas recusa por soberania tecnológica, enquanto Marrocos nega as acusações de espionagem.
O equilíbrio entre o interesse francês e as acusações marroquinas cria uma narrativa de ambiguidade mútua, suavizando a condenação direta.
Não menciona o papel de Israel como produtor nem as vítimas específicas entre jornalistas e ativistas.
O ex-agente marroquino descreve operações de vigilância em massa, confirmando o envolvimento do reino.
O uso de uma fonte interna credível confere autoridade e detalhe operacional, tornando a acusação difícil de negar.
Não discute a possibilidade de outros países também terem usado o Pegasus, nem o papel da França ou de Israel.
Marrocos, através dos seus chefes de inteligência, orquestrou uma espionagem sistemática contra opositores e aliados.
Nomear especificamente os chefes de segurança marroquinos personaliza a culpa, transformando uma instituição num alvo moral.
Não menciona que a França também considerou comprar o Pegasus, nem o contexto geopolítico das relações franco-marroquinas.
A investigação internacional documenta as operações de espionagem marroquinas com provas forenses e testemunhos.
A ênfase em provas técnicas e testemunhos cria um quadro judicial que legitima as acusações como factos estabelecidos.
Não aprofunda as motivações políticas por trás da espionagem nem as reações diplomáticas em curso.
Amplie o olhar
Trump acusa China de obter dados de 220 milhões de eleitores e reacende tese de fraude em 2020
12 idiomas · 60 veículos
De Economy & MarketsEUA impõem tarifa de 25% a produtos brasileiros; Brasil aciona lei de reciprocidade
2 idiomas · 14 veículos
De TechnologySpaceX aborta voo do Starship no último segundo e adia teste crucial após IPO
8 idiomas · 25 veículos