Entrar
Edição das 20:00 CETquinta-feira, 16 de julho de 2026
311 veículos · 17 idiomas230 briefing hoje
Defesa e Segurançaquinta-feira, 16 de julho de 2026

Ex-agente marroquino revela uso do Pegasus contra alvos políticos na Europa e África

Consórcio Forbidden Stories divulga depoimento inédito e análises técnicas que ligam serviços de Rabat à vigilância de ministros franceses, do presidente espanhol e de opositores, enquanto Paris estudava adquirir o mesmo software.

Uma nova frente de revelações do consórcio internacional Pegasus Project, baseada no testemunho de um ex-agente dos serviços secretos marroquinos e em documentos internos, indica que a Direção Geral de Vigilância do Território (DGST) de Marrocos utilizou o spyware israelita Pegasus a partir de 2017 para vigiar jornalistas, defensores de direitos humanos, membros dos governos de França e Espanha e opositores políticos. O antigo operacional, identificado pelo pseudónimo Safir, descreveu uma estrutura hierarquizada em que as decisões de alto nível eram atribuídas ao conselheiro real Fouad Ali El Himma e a execução técnica cabia ao aparelho dirigido por Abdellatif Hammouchi. As informações, corroboradas por análises forenses do Security Lab da Amnistia Internacional, surgem num momento de reaproximação diplomática entre Paris e Rabat e reacendem o escrutínio sobre as práticas de cibervigilância no Norte de África.

Segundo os elementos agora publicados, Marrocos nega qualquer utilização do Pegasus e contesta a fiabilidade das investigações, mas uma nota confidencial da Direção-Geral de Segurança Externa francesa, datada de novembro de 2022, avalia que o reino e os Emirados Árabes Unidos recorrem a produtos da NSO Group desde, pelo menos, 2017. Em Espanha, relatórios do Centro Nacional de Inteligência citados pelo consórcio associam a infeção do telemóvel do primeiro-ministro Pedro Sánchez, em maio de 2021, à crise migratória em Ceuta e a uma estratégia de pressão para alterar a posição de Madrid sobre o Saara Ocidental — mudança que se concretizou meses depois. Para Argel, um dos países mais visados, as novas provas confirmam uma prática de vigilância hostil que há muito denuncia.

O testemunho de Safir detalha que o software foi oferecido pelos Emirados como uma “prenda”, contornando a aquisição direta à empresa israelita, e que a sua capacidade de infeção remota era reservada a alvos de alto valor. Em paralelo, a investigação revela que os próprios serviços franceses — incluindo a Direção-Geral de Segurança Interna e a Direção do Renseignamento Militar — exploraram a compra do Pegasus entre 2019 e 2020 para operações de contraterrorismo e narcotráfico, com discussões que atingiram um estádio avançado e um montante estimado entre 60 e 80 milhões de euros. O projeto foi abandonado após arbitragem do Eliseu, que invocou soberania tecnológica e risco reputacional, facto que, na perspetiva de observadores em Paris, adensa a ambiguidade da posição francesa.

A investigação judicial aberta em França em 2021 identificou indicadores técnicos de comprometimento nos telemóveis de pelo menos sete antigos ministros, mas a atribuição formal a Marrocos permanece bloqueada pela ausência de cooperação das autoridades marroquinas e israelitas. As queixas por difamação apresentadas por Rabat contra órgãos de comunicação social em França e Espanha foram rejeitadas pela justiça. O dossiê continua ativo, e os novos elementos deverão alimentar o debate parlamentar europeu sobre a regulação da exportação de tecnologias de vigilância, sem que, até ao momento, tenham sido anunciadas novas diligências processuais.

Divergência — quem conta como
23%Baixa
4 blocos · posições de −0.90 a −0.30
CríticoFavorável
EURATLALMLAT
Divergência entre blocos de imprensa
Imprensa europeia continental−0.30critical
Imprensa atlântica / anglosfera−0.80critical
Imprensa árabe Levante-Magrebe−0.90critical
Imprensa latino-americana−0.60critical
Imprensa europeia continental−0.30
Voz

A França explora a compra do Pegasus mas recusa por soberania tecnológica, enquanto Marrocos nega as acusações de espionagem.

Mecanismobilanciamento

O equilíbrio entre o interesse francês e as acusações marroquinas cria uma narrativa de ambiguidade mútua, suavizando a condenação direta.

Omissão

Não menciona o papel de Israel como produtor nem as vítimas específicas entre jornalistas e ativistas.

CeticismoPragmatismo
Imprensa atlântica / anglosfera−0.80
Voz

O ex-agente marroquino descreve operações de vigilância em massa, confirmando o envolvimento do reino.

Mecanismotestimonianza diretta

O uso de uma fonte interna credível confere autoridade e detalhe operacional, tornando a acusação difícil de negar.

Omissão

Não discute a possibilidade de outros países também terem usado o Pegasus, nem o papel da França ou de Israel.

AlarmeIndignação
Imprensa árabe Levante-Magrebe−0.90
Voz

Marrocos, através dos seus chefes de inteligência, orquestrou uma espionagem sistemática contra opositores e aliados.

Mecanismopersonificazione dello stato

Nomear especificamente os chefes de segurança marroquinos personaliza a culpa, transformando uma instituição num alvo moral.

Omissão

Não menciona que a França também considerou comprar o Pegasus, nem o contexto geopolítico das relações franco-marroquinas.

IndignaçãoRevanchismo
Imprensa latino-americana−0.60
Voz

A investigação internacional documenta as operações de espionagem marroquinas com provas forenses e testemunhos.

Mecanismogiudizializzazione

A ênfase em provas técnicas e testemunhos cria um quadro judicial que legitima as acusações como factos estabelecidos.

Omissão

Não aprofunda as motivações políticas por trás da espionagem nem as reações diplomáticas em curso.

AlarmeCeticismo

Amplie o olhar

Ler mais
Últimas notícias
EUA lançam quinta vaga de ataques ao Irão e atingem pontes, portos e defesas aéreas·Tumulto em festival hindu na Índia deixa mortos e dezenas de feridos·EUA bombardeiam Irã pelo sexto dia consecutivo e atingem pontes, aeroporto e estação ferroviária·Agentes de segurança sob investigação após agressões filmadas no Brasil, Malásia e Suíça·Trump acusa China de obter dados de 220 milhões de eleitores e reacende tese de fraude em 2020·Red Bull recua em asa polêmica e Verstappen mantém futuro incerto na Bélgica·FIFA escolhe esloveno Slavko Vincic para arbitrar final do Mundial 2026 entre Argentina e Espanha·Catar nega categoricamente participação em ação militar contra o Irã e denuncia campanha para sabotar sua mediação·EUA lançam quinta vaga de ataques ao Irão e atingem pontes, portos e defesas aéreas·Tumulto em festival hindu na Índia deixa mortos e dezenas de feridos·EUA bombardeiam Irã pelo sexto dia consecutivo e atingem pontes, aeroporto e estação ferroviária·Agentes de segurança sob investigação após agressões filmadas no Brasil, Malásia e Suíça·Trump acusa China de obter dados de 220 milhões de eleitores e reacende tese de fraude em 2020·Red Bull recua em asa polêmica e Verstappen mantém futuro incerto na Bélgica·FIFA escolhe esloveno Slavko Vincic para arbitrar final do Mundial 2026 entre Argentina e Espanha·Catar nega categoricamente participação em ação militar contra o Irã e denuncia campanha para sabotar sua mediação·
Atualizado 14:143 idiomas · 7 veículos
AnteriorDefesa e SegurançaPróximo
7 veículos|3 idiomas|3 min de leitura
quinta-feira, 16 de julho de 2026

Ex-agente marroquino revela uso do Pegasus contra alvos políticos na Europa e África

Consórcio Forbidden Stories divulga depoimento inédito e análises técnicas que ligam serviços de Rabat à vigilância de ministros franceses, do presidente espanhol e de opositores, enquanto Paris estudava adquirir o mesmo software.

Uma nova frente de revelações do consórcio internacional Pegasus Project, baseada no testemunho de um ex-agente dos serviços secretos marroquinos e em documentos internos, indica que a Direção Geral de Vigilância do Território (DGST) de Marrocos utilizou o spyware israelita Pegasus a partir de 2017 para vigiar jornalistas, defensores de direitos humanos, membros dos governos de França e Espanha e opositores políticos. O antigo operacional, identificado pelo pseudónimo Safir, descreveu uma estrutura hierarquizada em que as decisões de alto nível eram atribuídas ao conselheiro real Fouad Ali El Himma e a execução técnica cabia ao aparelho dirigido por Abdellatif Hammouchi. As informações, corroboradas por análises forenses do Security Lab da Amnistia Internacional, surgem num momento de reaproximação diplomática entre Paris e Rabat e reacendem o escrutínio sobre as práticas de cibervigilância no Norte de África.

Segundo os elementos agora publicados, Marrocos nega qualquer utilização do Pegasus e contesta a fiabilidade das investigações, mas uma nota confidencial da Direção-Geral de Segurança Externa francesa, datada de novembro de 2022, avalia que o reino e os Emirados Árabes Unidos recorrem a produtos da NSO Group desde, pelo menos, 2017. Em Espanha, relatórios do Centro Nacional de Inteligência citados pelo consórcio associam a infeção do telemóvel do primeiro-ministro Pedro Sánchez, em maio de 2021, à crise migratória em Ceuta e a uma estratégia de pressão para alterar a posição de Madrid sobre o Saara Ocidental — mudança que se concretizou meses depois. Para Argel, um dos países mais visados, as novas provas confirmam uma prática de vigilância hostil que há muito denuncia.

O testemunho de Safir detalha que o software foi oferecido pelos Emirados como uma “prenda”, contornando a aquisição direta à empresa israelita, e que a sua capacidade de infeção remota era reservada a alvos de alto valor. Em paralelo, a investigação revela que os próprios serviços franceses — incluindo a Direção-Geral de Segurança Interna e a Direção do Renseignamento Militar — exploraram a compra do Pegasus entre 2019 e 2020 para operações de contraterrorismo e narcotráfico, com discussões que atingiram um estádio avançado e um montante estimado entre 60 e 80 milhões de euros. O projeto foi abandonado após arbitragem do Eliseu, que invocou soberania tecnológica e risco reputacional, facto que, na perspetiva de observadores em Paris, adensa a ambiguidade da posição francesa.

A investigação judicial aberta em França em 2021 identificou indicadores técnicos de comprometimento nos telemóveis de pelo menos sete antigos ministros, mas a atribuição formal a Marrocos permanece bloqueada pela ausência de cooperação das autoridades marroquinas e israelitas. As queixas por difamação apresentadas por Rabat contra órgãos de comunicação social em França e Espanha foram rejeitadas pela justiça. O dossiê continua ativo, e os novos elementos deverão alimentar o debate parlamentar europeu sobre a regulação da exportação de tecnologias de vigilância, sem que, até ao momento, tenham sido anunciadas novas diligências processuais.

Divergência — quem conta como
23%Baixa
4 blocos · posições de −0.90 a −0.30
CríticoFavorável
EURATLALMLAT
Divergência entre blocos de imprensa
Imprensa europeia continental−0.30critical
Imprensa atlântica / anglosfera−0.80critical
Imprensa árabe Levante-Magrebe−0.90critical
Imprensa latino-americana−0.60critical
Imprensa europeia continental−0.30
Voz

A França explora a compra do Pegasus mas recusa por soberania tecnológica, enquanto Marrocos nega as acusações de espionagem.

Mecanismobilanciamento

O equilíbrio entre o interesse francês e as acusações marroquinas cria uma narrativa de ambiguidade mútua, suavizando a condenação direta.

Omissão

Não menciona o papel de Israel como produtor nem as vítimas específicas entre jornalistas e ativistas.

CeticismoPragmatismo
Imprensa atlântica / anglosfera−0.80
Voz

O ex-agente marroquino descreve operações de vigilância em massa, confirmando o envolvimento do reino.

Mecanismotestimonianza diretta

O uso de uma fonte interna credível confere autoridade e detalhe operacional, tornando a acusação difícil de negar.

Omissão

Não discute a possibilidade de outros países também terem usado o Pegasus, nem o papel da França ou de Israel.

AlarmeIndignação
Imprensa árabe Levante-Magrebe−0.90
Voz

Marrocos, através dos seus chefes de inteligência, orquestrou uma espionagem sistemática contra opositores e aliados.

Mecanismopersonificazione dello stato

Nomear especificamente os chefes de segurança marroquinos personaliza a culpa, transformando uma instituição num alvo moral.

Omissão

Não menciona que a França também considerou comprar o Pegasus, nem o contexto geopolítico das relações franco-marroquinas.

IndignaçãoRevanchismo
Imprensa latino-americana−0.60
Voz

A investigação internacional documenta as operações de espionagem marroquinas com provas forenses e testemunhos.

Mecanismogiudizializzazione

A ênfase em provas técnicas e testemunhos cria um quadro judicial que legitima as acusações como factos estabelecidos.

Omissão

Não aprofunda as motivações políticas por trás da espionagem nem as reações diplomáticas em curso.

AlarmeCeticismo

Esta notícia apareceu em

7 veículos · 3 idiomas

Amplie o olhar

De Geopolitics & Politics

Trump acusa China de obter dados de 220 milhões de eleitores e reacende tese de fraude em 2020

12 idiomas · 60 veículos

De Economy & Markets

EUA impõem tarifa de 25% a produtos brasileiros; Brasil aciona lei de reciprocidade

2 idiomas · 14 veículos

De Technology

SpaceX aborta voo do Starship no último segundo e adia teste crucial após IPO

8 idiomas · 25 veículos

Ler mais