
FBI investiga fuga de informação sobre falhas de segurança no novo Air Force One de Trump
Departamento de Justiça intima jornalistas do New York Times e tenta aceder a telemóveis de funcionários que viajaram com o presidente.
O FBI abriu uma investigação para identificar as fontes de notícias que revelaram preocupações de segurança com o Boeing 747-8 oferecido pelo Qatar e utilizado por Donald Trump como Air Force One. Agentes federais tentaram contactar membros do Serviço Secreto e outros passageiros que acompanharam o presidente na viagem à cimeira da NATO em Ancara, na semana passada, e solicitaram acesso aos seus telemóveis, segundo fontes próximas da investigação citadas pela imprensa norte-americana. O Departamento de Justiça emitiu intimações para que três jornalistas do The New York Times testemunhem perante um grande júri federal, numa tentativa de os obrigar a revelar as fontes confidenciais.
A administração Trump sustenta que as fugas de informação põem em causa a segurança do presidente e constituem uma ameaça à segurança nacional. O diretor de comunicação da Casa Branca, Steven Cheung, afirmou que a nova aeronave dispõe de “protocolos de segurança de alto nível”. O procurador-geral interino, Todd Blanche, defendeu as intimações durante a sua audição de confirmação no Senado, argumentando que os jornalistas são “testemunhas materiais” e não alvos da investigação. Em contrapartida, o The New York Times apresentou uma moção para anular as intimações, classificando-as como um ato de “má-fé” destinado a punir o jornal pela sua cobertura. O advogado do jornal, David McCraw, considerou que as exigências violam os direitos constitucionais dos jornalistas e representam uma retaliação política.
A controvérsia decorre de duas reportagens do The New York Times que indicavam que o avião doado pelo Qatar não dispunha de todos os sistemas defensivos do modelo anterior, incluindo capacidades antimíssil, e que o Serviço Secreto recomendara a Trump que utilizasse o Air Force One mais antigo no regresso da Turquia para o Reino Unido, num contexto de reacendimento das hostilidades entre os Estados Unidos e o Irão. Trump negou que a troca de avião tivesse sido motivada por razões de segurança, afirmando ter viajado no modelo antigo “por nostalgia”. O aparelho, avaliado em 400 milhões de dólares, foi doado em 2025 e está a ser alvo de modificações para reforçar a sua proteção.
Na perspetiva de organizações de defesa da liberdade de imprensa, o caso insere-se num padrão de pressão da administração Trump sobre jornalistas e fontes anónimas, acentuado pela reversão, em abril, de uma política da era Biden que limitava a apreensão de registos de comunicação de repórteres. A investigação é liderada pelo diretor do FBI, Kash Patel, e pela chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, o que, para analistas em Washington, sinaliza um envolvimento direto do núcleo político na condução de um inquérito judicial. O tribunal federal de Manhattan deverá pronunciar-se nas próximas semanas sobre o pedido de anulação das intimações, enquanto o FBI prossegue as diligências para identificar os responsáveis pela fuga de informação.
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa iraniana e afins | −0.70 | critical |
| Imprensa indiana e sul-asiática | −0.40 | critical |
The FBI investigation is a routine security procedure, not a witch hunt.
By presenting the action as technical and apolitical, it avoids discussing the political motivations behind the leak.
It does not mention the confiscation of officials' phones or the summoning of journalists, elements that would suggest a repressive climate.
The Trump government angrily represses any criticism, using the FBI to intimidate dissidents.
By emphasizing Trump's emotional reaction and invasive measures, it builds the image of an authoritarian state.
It does not report that the leak concerned real security weaknesses of the aircraft, shifting attention to the reaction rather than the substance.
Press freedom is under attack from an executive that uses courts to silence journalists.
By framing the story as a legal battle for a universal principle, it legitimizes the New York Times' resistance.
It does not discuss the validity of the security concerns, focusing only on the judicial procedure.
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