
EUA neutralizam petroleiro no Golfo de Omã por violar bloqueio naval imposto ao Irão
Incidente é o segundo desde a retoma do cerco marítimo e ocorre num contexto de escalada militar e contactos diplomáticos entre Washington e Teerão.
As forças armadas dos Estados Unidos dispararam contra a casa das máquinas do petroleiro “MT Lavin” no Golfo de Omã, na última sexta-feira, depois de este ter tentado pelo menos quatro vezes furar o bloqueio naval imposto aos portos iranianos. A ação, confirmada pelo Comando Central norte-americano (CENTCOM), desativou a embarcação e constitui o segundo incidente do género desde a retoma do cerco marítimo, anunciada por Washington em meados de julho. Fontes iranianas citadas pelas agências Fars e IRIB acrescentam que o ataque foi executado com dois mísseis e causou a morte de dois tripulantes, suspeitando as autoridades de Teerão que o navio transportava gás iraniano. Doze outros navios comerciais já haviam sido reencaminhados pelo CENTCOM, que mantém a operação de interdição como instrumento de pressão económica sobre o Irão.
Na perspetiva de Washington, o restabelecimento do bloqueio naval visa asfixiar a capacidade iraniana de financiar proxies regionais e de sustentar o seu programa nuclear, infligindo danos estimados em cerca de 4,8 mil milhões de dólares em receitas petrolíferas bloqueadas. A administração Trump, que condiciona o levantamento do cerco a concessões substanciais nas negociações nucleares, insiste que a medida é preferível a bombardeamentos diretos. No entanto, analistas na Europa e no Médio Oriente observam que a estratégia eleva o risco de um confronto alargado, sobretudo depois de o Irão ter retaliado com ataques a bases americanas na Jordânia, Iraque, Kuwait e Qatar, alegadamente destruindo caças e sistemas de defesa aérea. O próprio presidente norte-americano reconheceu não ter ainda decidido se avançará para operações militares mais amplas, mas advertiu que, na ausência de um acordo, o nível da resposta será «muito mais violento».
Para observadores em Lisboa e Brasília, a perturbação da navegação no Estreito de Ormuz — via por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial — constitui uma ameaça à estabilidade dos mercados energéticos globais, com impacto potencial nos preços dos combustíveis e na segurança das cadeias de abastecimento. Diplomatas lusófonos acompanham com preocupação a escalada, que ocorre num momento em que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa procura reforçar a cooperação marítima no Atlântico Sul. O incidente sucede a um período de relativa acalmia iniciado em fevereiro, aquando da guerra no estreito, e demonstra a centralidade da hidrovia como teatro de disputa entre as duas potências.
O estado atual do dossiê permanece incerto. Enquanto o Irão declara que responderá proporcionalmente a cada baixa civil ou militar, os Estados Unidos mantêm posicionados mais de cinquenta mil efetivos na região e garantem estar prontos para atuar. A diplomacia prossegue com contactos indiretos, e espera-se para os próximos dias uma eventual clarificação do alcance das operações de bloqueio e da margem negocial que Washington está disposto a conceder.
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