
Morre Chuck Russell, o realizador que criou a magia de ‘O Máscara’
O cineasta americano, que faleceu inesperadamente aos 74 anos na Califórnia, transformou a comédia com efeitos visuais revolucionários e lançou as carreiras de Jim Carrey e Cameron Diaz.
Nas filmagens de “O Máscara”, em 1994, pairava no set uma atmosfera de espanto e cumplicidade. O ator Jim Carrey recordaria, décadas depois, o “ambiente ebuliente e infantil de maravilha” que o realizador Chuck Russell soube criar – um espaço onde a trupe e a equipa se sentiam tocadas pela sua energia lúdica. A própria Cameron Diaz, então com 21 anos e sem qualquer experiência, estreava-se diante das câmaras sob o olhar atento de um diretor que, contra muitas reticências, apostara na química imediata entre os dois protagonistas.
Esse espírito de jogo conheceu um ponto inesperado na quarta-feira, 22 de julho, quando Russell foi encontrado sem resposta pela mulher, Ania Zeyne, na sua casa nos arredores de San Diego. Tinha 74 anos. Os serviços de emergência ainda tentaram reanimá-lo, em vão. A causa da morte permanece por determinar, aguardando-se os resultados da autópsia. “Era uma pessoa maravilhosa, significava tudo para mim”, disse a viúva ao The Hollywood Reporter.
Russell estreara-se na realização em 1987 com “A Nightmare on Elm Street 3: Dream Warriors”, uma lufada de ar fresco na franquia de Freddy Krueger, e logo se notabilizou pela fusão de efeitos práticos e um humor sombrio no remake de “The Blob” (1988). Contudo, foi com “O Máscara” que o seu nome se entrelaçou com a cultura pop global. Adaptado de um comic originalmente mais negro, o filme tornou-se uma comédia familiar que faturou mais de 350 milhões de dólares e valeu uma nomeação ao Oscar de melhores efeitos visuais, graças à tecnologia pioneira da Industrial Light & Magic, de George Lucas.
Para o público lusófono, “O Máscara” chegou num momento em que o cinema de efeitos digitais ainda causava assombro, e a dobragem brasileira ajudou a fixar o personagem como ícone da Sessão da Tarde. A aposta em Diaz foi um risco que Russell mais tarde justificaria: “A química entre ela e o Jim nas leituras era tão forte que tive de lutar para a ter no papel”, confessou em 2002. Dali para a frente, o cineasta orientaria Arnold Schwarzenegger no explosivo “Eraser” (1996) e daria a Dwayne “The Rock” Johnson o seu primeiro grande protagonismo em “O Rei Escorpião” (2002). Após uma pausa, regressaria com filmes de ação de orçamento contido, até encerrar o ciclo no ano passado com o remake do clássico de terror “Witchboard”, que escreveu e dirigiu.
As causas da morte permanecem por esclarecer, enquanto a família aguarda respostas. Mas o que fica, na memória de quem testemunhou os seus filmes, é a imagem de um homem comum a calçar uma máscara verde e a transformar-se num tornado de charme e caos – metáfora, talvez, do próprio poder do cinema sob a batuta de um artesão que acreditava na maravilha.
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