
EUA suspendem sanções à Venezuela para permitir ajuda humanitária após sismos
Licença temporária do Tesouro americano autoriza transações de socorro, mas mantém ativos congelados, enquanto equipas internacionais chegam ao país.
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos emitiu uma licença que suspende temporariamente as sanções financeiras contra a Venezuela para todas as transações relacionadas com as operações de socorro às vítimas dos dois sismos que atingiram o país na noite de 24 de junho. A autorização, válida até 23 de outubro de 2026, permite movimentações que de outra forma estariam proibidas pelo Regulamento de Sanções à Venezuela, mas não desbloqueia bens congelados nem se aplica a outras ordens executivas. A decisão foi acompanhada pelo anúncio de um pacote de 150 milhões de dólares em assistência — 100 milhões para o escritório da ONU de coordenação humanitária (OCHA) e 50 milhões para operações no terreno — e pelo envio de equipas de busca e salvamento, recursos médicos e efetivos militares do Comando Sul, incluindo o tenente-general Joseph Jarrard, para coordenar a resposta.
Na perspetiva de Washington, a medida constitui uma janela humanitária limitada, não uma revisão da política de pressão contra o governo interino de Delcy Rodríguez. O Tesouro sublinhou que a licença não autoriza o descongelamento de ativos estatais venezuelanos mantidos no exterior, e o Departamento de Estado enquadrou a operação como resposta a um pedido formal de Caracas. Observadores em Washington notam que a mobilização de recursos militares e a coordenação direta com as autoridades venezuelanas representam um grau de cooperação bilateral pouco habitual, num contexto em que o ex-presidente Nicolás Maduro foi capturado em janeiro por forças americanas e aguarda julgamento por narcotráfico em Nova Iorque.
Em Caracas, a presidente interina Delcy Rodríguez declarou estado de emergência e agradeceu publicamente ao presidente Donald Trump pela solidariedade. O último balanço oficial aponta para pelo menos 589 mortos e cerca de 3.000 feridos, mas plataformas cidadãs de registo de desaparecidos contabilizam mais de 50 mil pessoas sem contacto, um número não confirmado pelas autoridades. Os sismos, de magnitude 7,2 e 7,5, ocorreram com 39 segundos de intervalo e foram sentidos até à Amazónia brasileira, sendo considerados os mais destrutivos na história recente do país. A ajuda internacional começou a chegar com equipas do Chile, Colômbia, El Salvador, Itália, México, Suíça e de vários outros Estados, num esforço que, segundo fontes diplomáticas em Brasília, poderia ter sido comprometido pelas sanções financeiras sem a licença agora emitida.
O Brasil, que confirmou a morte de dois cidadãos nos desabamentos, enviou uma missão humanitária com 36 bombeiros, nove toneladas de equipamentos e um hospital de campanha, além de purificadores de água movidos a energia solar. A operação, coordenada pela Força Aérea Brasileira, insere-se num quadro mais amplo de resposta regional que inclui um contingente colombiano de 63 especialistas e cães de busca. Analistas em Lisboa sublinham que a suspensão temporária das sanções, embora estritamente humanitária, ocorre num momento de reconfiguração das relações entre Washington e Caracas após a detenção de Maduro, com a administração americana a emitir licenças pontuais para o setor petrolífero. A licença expira em outubro de 2026, e não há indicação de que o alívio se estenda a outras áreas do embargo económico em vigor desde 2017.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O Tesouro dos EUA emitiu uma licença temporária para permitir transações financeiras relacionadas com a ajuda após os dois sismos na Venezuela. A autorização, válida até 23 de outubro de 2026, suspende de forma seletiva as restrições existentes. A cobertura permanece seca e factual, limitando-se a registar a decisão técnica sem comentar o regime de sanções.
Os Estados Unidos suspenderam as sanções para não dificultar as operações de resgate após os sismos que causaram centenas de mortos e milhares de desaparecidos. A medida, embora bem-vinda como necessária, chega após anos de restrições que isolaram o país. A imprensa regional destaca o drama humanitário e o alívio tardio, com uma crítica subtil às políticas punitivas de Washington.
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