
Irão condena declaração dos EUA e do Golfo e reafirma controlo do Estreito de Ormuz
Teerão classificou o comunicado conjunto como “intervencionista, irresponsável e provocatório”, alertando que a segurança coletiva regional não se constrói com presença militar externa.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão rejeitou esta sexta-feira, em comunicado oficial, a declaração conjunta emitida no dia anterior pelo secretário de Estado norte-americano e pelos ministros dos Negócios Estrangeiros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG). O texto, aprovado em Manama, apelava ao combate às “ameaças iranianas”, incluindo mísseis balísticos, drones e o apoio a grupos armados na região, e defendia a liberdade de navegação sem restrições no Estreito de Ormuz. Teerão considerou as posições “intervencionistas, irresponsáveis e provocatórias” e advertiu contra a continuação de tais políticas.
Na argumentação iraniana, a presença militar dos EUA no Golfo é descrita como “um fardo para os povos da região e uma fonte de insegurança e divisão”. O comunicado recorda que, entre 28 de fevereiro e 8 de abril de 2026, bases e instalações militares norte-americanas em países do CCG foram utilizadas para atos de agressão contra o Irão, no quadro do que Teerão designa como “guerra imposta pelos agressores americanos e sionistas”. Por isso, o Irão insta os Estados vizinhos cujos territórios foram usados nesses ataques a reverem as suas posições e sublinha a “obrigação clara” dos membros do CCG, ao abrigo do direito internacional e do princípio da boa vizinhança, de impedirem que terceiros utilizem o seu solo para ações militares ilegais contra a República Islâmica.
A questão do Estreito de Ormuz ocupa um lugar central na troca de declarações. Enquanto a declaração EUA-CCG defende uma navegação “incondicional e sem restrições”, Teerão insiste que o estreito se situa em águas territoriais do Irão e de Omã e que a gestão da circulação marítima se regerá pelo parágrafo 5 do memorando de entendimento que pôs fim à guerra recente. O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, afirmou que qualquer quadro de segurança que ignore a coordenação com o Irão enquanto Estado costeiro resultará na “suspensão da rota paralela estabelecida”. A posição iraniana surge num momento em que Teerão já anunciara um período de 60 dias para o regresso do estreito ao status quo anterior ao conflito, findo o qual serão aplicados novos mecanismos de controlo.
O comunicado iraniano rejeita ainda a caracterização dos grupos de resistência palestiniana e libanesa como “forças delegadas do Irão”, contrapondo que “a única entidade delegada na região é o regime sionista”. Teerão recomenda aos membros do CCG que se juntem à iniciativa de uma Ásia Ocidental livre de armas nucleares, em vez de alinharem com a “narrativa de ameaça” de Washington sobre o programa nuclear pacífico iraniano. Na perspetiva de analistas regionais, a dureza da resposta reflete o agravamento das tensões após a guerra de fevereiro-abril e a tentativa dos EUA de mobilizar os aliados do Golfo em torno do memorando bilateral com o Irão. A diplomacia iraniana deixa claro que a sua capacidade defensiva e a soberania nacional não são negociáveis, ao mesmo tempo que apela a uma arquitetura de segurança coletiva regional sem interferência externa. O dossiê permanece em aberto, com os países do CCG a ponderarem os próximos passos e os canais de comunicação entre Teerão e Washington ainda ativos, mas sob forte pressão.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Os Estados do Golfo e os EUA reafirmaram sua aliança estratégica, saudando o memorando EUA-Irã, mas condicionando qualquer comércio com o Irã a garantias de segurança abrangentes. A liberdade de navegação no Estreito de Ormuz e impedir um Irã com armas nucleares permanecem condições inegociáveis. A reunião de Manama destacou o papel de mediação do Catar e do Paquistão e a necessidade de manter as negociações para um fim duradouro das hostilidades.
Os Estados Unidos e o Conselho de Cooperação do Golfo declararam que a paz duradoura no Oriente Médio exige confrontar todas as ameaças do regime iraniano, incluindo mísseis balísticos, drones e apoio a procuradores. A declaração de Manama condiciona qualquer acordo com Teerã à cessação das atividades hostis e insiste na reabertura do Estreito de Ormuz e na liberdade de navegação.
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