
EUA devem recusar extensão do T-MEC e ativar revisões anuais a partir de 1 de julho
A decisão esperada de Washington inicia um período de incerteza de até dez anos para o acordo comercial norte-americano, enquanto México e Canadá defendem a renovação por mais 16 anos.
A administração Trump deve formalizar nesta quarta-feira, 1 de julho, a recusa em prorrogar o Tratado entre México, Estados Unidos e Canadá (T-MEC) por um novo período de 16 anos. A posição, antecipada por fontes em Washington, aciona a cláusula de caducidade negociada no primeiro mandato de Trump e dá início a um ciclo de revisões anuais que pode prolongar-se até 2036, data em que o acordo expirará caso não haja consenso para uma extensão. México e Canadá já manifestaram por escrito o desejo de renovação até 2042.
O mecanismo previsto no artigo 34.7 do tratado estabelece que, na ausência de confirmação unânime pela extensão, o T-MEC permanece em vigor, mas passa a ser submetido a avaliações conjuntas a cada ano. A cláusula de saída unilateral, que exige aviso prévio de seis meses, segue disponível para qualquer um dos signatários. Na perspetiva de analistas em Washington, a recusa em renovar não equivale ao abandono do acordo, mas introduz um estado de incerteza regulatória que pode travar decisões de investimento em setores integrados, como o automóvel e o manufactureiro.
As negociações revelam divergências estruturais entre os três países. Do lado americano, o Representante de Comércio Jamieson Greer sinaliza abertura para acordos bilaterais separados e pressiona por regras de origem mais restritivas, com exigência de 50% de conteúdo especificamente americano nos veículos produzidos na América do Norte. Washington também quer usar a revisão para abordar importações agrícolas mexicanas e o sistema de gestão de oferta de laticínios do Canadá. Enquanto as conversas formais com o México já decorrem, Ottawa permanece à margem de rondas negociais estruturadas, num contexto de atritos comerciais bilaterais que incluem tarifas sobre aço, alumínio e bebidas alcoólicas.
Na perspetiva da Cidade do México, o setor privado mexicano, articulado pelo Conselho Coordenador Empresarial, aposta que a extensão definitiva poderá ser alcançada após as eleições intercalares americanas, e trabalha com homólogos nos EUA e no Canadá para preservar o princípio de tarifa zero para produtos que cumpram as regras de origem. Em Ottawa, o governo de Mark Carney enfrenta o desafio de gerir a imprevisibilidade de Trump, enquanto prepara o terreno para uma eventual cimeira bilateral. A indefinição prolongada, nota-se em círculos académicos canadianos, funciona como uma espada de Dâmocles sobre a economia norte-americana integrada.
A reunião virtual de 1 de julho entre Greer, o secretário mexicano Marcelo Ebrard e o ministro canadiano Dominic LeBlanc marca o arranque formal do processo. A próxima ronda negocial está agendada para a semana de 20 de julho na Cidade do México, com a participação de delegações empresariais dos três países, enquanto o diálogo entre Washington e Ottawa continua sem calendário definido.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Os Estados Unidos devem deixar expirar o prazo de 1º de julho para a prorrogação do USMCA, iniciando uma contagem regressiva de dez anos em vez de um colapso imediato. Autoridades canadenses encaram isso como uma etapa processual que mantém o acordo em vigor enquanto as negociações prosseguem, embora introduza incerteza de longo prazo para as cadeias de suprimentos norte-americanas.
A recusa em prorrogar o tratado marca uma mudança estrutural na forma como Washington vincula comércio, indústria e segurança nacional, deixando México e Canadá no limbo. O setor empresarial pressiona para limitar as revisões anuais e ainda espera uma extensão completa de 16 anos após as eleições americanas, mas o cenário imediato é de incerteza administrada e um tratado reduzido a contrato anual.
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