
Emirados Árabes Unidos desmentem transferência de fundos para o Irão em meio a tensões regionais
Abu Dhabi nega categoricamente notícias de que teria libertado até 3 mil milhões de dólares congelados, enquanto fontes em Teerão e no Ocidente divergem sobre alegado acordo.
O governo dos Emirados Árabes Unidos emitiu um desmentido categórico no sábado, 23 de maio, às notícias veiculadas por órgãos de comunicação internacionais de que teria transferido ou facilitado a libertação de fundos congelados para a República Islâmica do Irão. Em comunicado oficial, o Ministério dos Negócios Estrangeiros classificou como «totalmente falsas e sem fundamento» as alegações, incluindo as que mencionavam uma transferência de 3 mil milhões de dólares, e sublinhou que «nenhum ativo iraniano congelado foi libertado, transferido ou facilitado através dos EAU». A nota, reproduzida pela agência noticiosa estatal WAM e por vários diários árabes, instou igualmente os meios de comunicação a basearem-se em fontes oficiais e a não difundir informações não verificadas.
O desmentido surge horas depois de a Reuters ter noticiado, citando quatro fontes anónimas, que Abu Dhabi teria concordado em desbloquear entre 10 e 20 mil milhões de dólares congelados detidos por entidades iranianas, no quadro de um eventual acordo político e de segurança. Segundo essas fontes, cerca de 3 mil milhões já teriam sido entregues a Teerão — precisamente o valor refutado pelos Emirados. A imprensa em língua persa, tanto a partir do Irão como da diáspora, deu amplo eco à negação e ao contexto de negociações mais vastas que poderão envolver também o fim de ataques com mísseis por parte de grupos apoiados por Teerão.
Na perspetiva de Brasília, a controvérsia reflete a complexidade das relações no Golfo, região crucial para a estabilidade dos preços do petróleo e, por conseguinte, para as exportações brasileiras do setor energético. Observadores em Lisboa recordam os laços históricos de Portugal com ambas as margens do Golfo e sublinham o equilíbrio delicado que a União Europeia procura manter entre o apoio aos aliados do Médio Oriente e a preservação do acordo nuclear com o Irão. Nas capitais da África lusófona, como Luanda e Maputo, o episódio é acompanhado com discrição, mas com atenção às implicações para os mercados de matérias-primas que sustentam as economias da região.
Analistas internacionais apontam que a negação frontal de Abu Dhabi visa, por um lado, tranquilizar os parceiros ocidentais — em particular os Estados Unidos, que mantêm sanções contra o Irão — e, por outro, preservar a via diplomática com Teerão, num momento em que se multiplicam os sinais de uma possível retoma das negociações sobre o programa nuclear iraniano. A falta de confirmação oficial de qualquer transferência e a firmeza do desmentido sugerem que o alegado acordo poderá ainda estar em fase de discussão ou ter sido sobrestimado pelas fontes citadas pela Reuters. A evolução deste dossiê será determinante para o delicado equilíbrio de poderes no Médio Oriente.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Os Emirados Árabes Unidos negaram veementemente as notícias de transferência de fundos para o Irã, classificando as alegações como infundadas. Enfatizaram que nenhum ativo iraniano congelado foi liberado ou transferido através dos EAU, pedindo que a mídia se baseie em fontes oficiais.
Fontes anônimas relataram que os EAU concordaram em liberar US$ 10 bilhões de fundos iranianos, coincidindo com as negociações finais para encerrar a guerra. Os EAU negaram categoricamente depois, chamando os relatos de infundados, aumentando a neblina diplomática na região do Golfo.
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