
Em Maiorca, numa tina de parto ou com um lenço de papel: a maternidade exposta nas redes
De Tati Machado a Isabella Ladera, celebridades de quatro continentes partilham gravidezes, partos e primeiros passos, reacendendo o debate sobre os limites entre o público e o privado.
No passado domingo, a bordo de uma embarcação ao largo de Maiorca, a jornalista brasileira Tati Machado fotografou-se a acariciar a barriga de grávida, com a legenda “Eu e neném curtindo as férias”. A imagem, partilhada com milhões de seguidores, é um dos muitos retratos contemporâneos de uma maternidade que já não se esconde, mas se exibe como narrativa pessoal e conteúdo digital. Na mesma semana, outras figuras públicas de diferentes latitudes transformaram as suas experiências de gestação, parto e primeiros passos dos filhos em acontecimentos mediáticos.
A cantora brasileira Lauana Prado, grávida de oito meses, gravava em estúdio o projeto “Cantos da Casa”, incluindo a canção “Dom”, composta para o filho que está para nascer. “É um registo histórico que vou poder mostrar para ele”, disse. Do outro lado do Atlântico, a modelo venezuelana Isabella Ladera publicava imagens do seu parto natural numa piscina, com o recém-nascido Koa nos braços e o companheiro, o peruano Hugo García, ao lado. A sequência, que incluía sangue e a primeira amamentação, foi acompanhada de um texto sobre a transformação da dor em vida. Na Alemanha, Loredana Wollny, de 22 anos, anunciava a terceira gravidez apenas seis meses após o nascimento da segunda filha, exibindo um teste positivo e as mãos da família. Na Indonésia, o influenciador Thariq Halilintar celebrava o primeiro passo do filho de 13 meses com um vídeo em que usa um lenço de papel para o atrair.
A exposição da maternidade em fases tão íntimas não é uniforme. Na América Latina, as imagens do parto de Isabella Ladera dividiram opiniões: enquanto figuras como Georgina Rodríguez felicitavam o casal, outros seguidores consideraram que o momento ultrapassava a fronteira do privado. No Brasil, a partilha de gravidezes e projetos artísticos ligados à gestação é frequentemente recebida com naturalidade, inserindo-se numa cultura de celebridade que valoriza a autenticidade e a proximidade com o público. No espaço lusófono, onde as carreiras de Tati Machado e Lauana Prado ecoam também em Portugal e em países africanos de língua oficial portuguesa, a exposição da gravidez é integrada numa narrativa de sucesso profissional e pessoal. Já na Alemanha, o anúncio de Loredana Wollny é mais um capítulo da longa exposição mediática do clã Wollny, cuja matriarca, Silvia, contará em breve com vinte netos.
Estes fragmentos, que vão do balanço das ondas em Maiorca ao choro do recém-nascido na tina de parto, compõem um mosaico de uma maternidade vivida em público. A fronteira entre o diário íntimo e o espetáculo dilui-se, mas o que persiste é a imagem de um corpo que se transforma e de um primeiro passo que, mesmo encenado para a câmara, guarda a sua carga de assombro.
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| Imprensa do Sudeste Asiático | +0.90 | aligned |
A maternidade é uma jornada para ser compartilhada com alegria.
Ao mostrar imagens íntimas e positivas de celebridades, a experiência da gravidez é normalizada como um evento público e desejável.
A família cresce mais rápido do que o esperado, mas é uma bênção.
Ao enfatizar a surpresa, mas imediatamente tranquilizar com felicidade, evita-se qualquer crítica sobre a rapidez das gestações.
Cada primeiro passo é um presente de Deus.
Ao colocar o marco em um contexto religioso, o evento é elevado a uma bênção divina, tornando-o indiscutível.
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