
Inflação dos EUA cai para 3,5% em junho, mas núcleo resistente mantém alerta global
A queda mensal de 0,4% no IPC americano, puxada pela energia, contrasta com a rigidez dos serviços e com as dificuldades fiscais da Argentina, enquanto o bitcoin se valoriza.
O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos recuou 0,4% em junho na comparação mensal, levando a taxa anual de 4,2% em maio para 3,5% — o menor patamar em dois anos e a terceira queda mensal desde o início da pandemia. O resultado surpreendeu analistas, que projetavam retração de 0,2%, e foi impulsionado sobretudo pelo colapso dos preços de gasolina e petróleo após o memorando de entendimento entre Washington e Teerã. Contudo, o núcleo da inflação, que exclui energia e alimentos, permaneceu em 2,9% em maio, evidenciando a rigidez dos preços de serviços, cujos salários tendem a não recuar. Esse quadro reforça a leitura de que a desinflação será lenta e de que os consumidores americanos continuarão a enfrentar preços elevados por anos.
A dinâmica dos preços de energia está diretamente ligada à volátil relação com o Irã, que também pressiona a aprovação do presidente Donald Trump. Pesquisa The Economist/YouGov divulgada nesta semana mostra que apenas 36% dos americanos aprovam a gestão, o menor índice de seus dois mandatos, com 59% de desaprovação. A confiança é particularmente baixa na condução da inflação e dos preços, cujo saldo líquido de aprovação é de -43 pontos. A escalada do conflito no Oriente Médio e a inconsistência das declarações oficiais alimentam o ceticismo, enquanto o galão de gasolina saltou de menos de US$ 3 para US$ 4,48. A insatisfação se alastra inclusive em estados que votaram no republicano em 2024, acendendo um sinal de alerta para as eleições legislativas de meio de mandato ainda este ano.
Na Argentina, o alívio inflacionário americano encontra eco, mas com matizes. O IPC de junho rompeu a barreira dos 2% e o núcleo ficou em 1,6%, o segundo registro mais baixo da era Milei, alimentando a expectativa de novas desacelerações. Entretanto, consultoras em Buenos Aires advertem que o bom desempenho dos preços contrasta com a deterioração do mercado de trabalho — o emprego privado registrado caiu pelo décimo primeiro mês consecutivo — e com o resultado fiscal. O Tesouro registrou um déficit primário de 696,8 mil milhões de pesos em junho, o terceiro mês no vermelho, e descumpriu a meta acordada com o FMI para o semestre em 0,57 bilhões de dólares. Embora não se espere uma punição do Fundo, o episódio obriga a monitorar de perto receitas e gastos no segundo semestre, num contexto em que a mora creditícia segue elevada.
Nos mercados de criptoativos, o arrefecimento da inflação americana e a distensão geopolítica parcial deram suporte às cotações. O bitcoin era negociado a US$ 64.600 e o ether a US$ 1.900 nas praças asiáticas, com a atenção voltada para o ETH Genesis Day de 30 de julho, data que historicamente mobiliza a comunidade de desenvolvedores. Ainda assim, operadores na Indonésia lembram que os preços dos ativos digitais respondem a múltiplos fatores, não apenas a indicadores macroeconômicos. Os próximos marcos a observar são a reação do Federal Reserve à inflação de serviços, a execução fiscal argentina no segundo semestre e o desenrolar da campanha para o Congresso americano.
| Imprensa latino-americana | −0.20 | neutral |
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| Imprensa do Sudeste Asiático | +0.50 | aligned |
Os mercados e analistas latino-americanos alertam: a queda da inflação é um alívio temporário, mas os verdadeiros problemas fiscais e de emprego persistem.
Ao justapor os dados positivos da inflação com os dados fiscais e trabalhistas negativos, cria-se uma narrativa 'sim, mas' que refreia o otimismo.
Não menciona o otimismo dos mercados cripto nem as possíveis implicações de afrouxamento monetário do Fed.
Os mercados cripto do Sudeste Asiático celebram o dado: a queda da inflação dos EUA abre caminho para novas altas no Bitcoin e Ethereum.
Ao focar exclusivamente na reação positiva dos preços e ignorar a persistência da inflação subjacente e as preocupações fiscais, constrói uma narrativa de puro otimismo.
Deixa de lado as preocupações fiscais e trabalhistas, bem como os avisos sobre preços elevados persistentes.
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