
Eliminação do Uruguai expõe crise, e Bielsa assume: "Não deixei nada"
Após derrota para a Espanha, técnico argentino faz autocrítica feroz, enquanto imprensa e ex-jogadores uruguaios apontam para um ambiente contaminado e uma campanha sem vitórias.
O Uruguai despediu-se do Mundial de 2026 com uma derrota por 1-0 frente à Espanha, em Guadalajara, que selou a eliminação na fase de grupos pela segunda Copa consecutiva. Um erro do guarda-redes Fernando Muslera, que saiu ao intervalo por decisão própria, permitiu a Álex Baena marcar o único golo da partida. A Celeste, que antes empatara com Arábia Saudita e Cabo Verde, somou apenas dois pontos no Grupo H, ficando entre os piores terceiros colocados e sem qualquer vitória no torneio.
Na zona mista, Marcelo Bielsa surgiu visivelmente irritado, gritando "Dale de una vez" aos produtores televisivos, e depois assumiu a responsabilidade pelo fracasso. "Sou o responsável por esta deceção", afirmou, acrescentando que a sua passagem de três anos "não deixou nada" ao futebol uruguaio. O treinador argentino defendeu que a equipa merecia sete pontos, mas só obteve dois, e justificou as substituições polémicas: Muslera decidiu sair, e a troca de Federico Valverde por Federico Viñas visou dar mais potência ao ataque.
A eliminação expôs fraturas profundas no balneário. O conflito com Luis Suárez, que se ofereceu para regressar e foi ignorado, marcou o início de um declínio após o terceiro lugar na Copa América de 2024. Ex-jogadores como Diego Lugano foram contundentes: "Bielsa contaminou o ambiente, nunca entendeu onde estava", disse o antigo capitão, em comentários repercutidos pela imprensa brasileira. No Uruguai, os jornais classificaram a campanha como "um banho de realidade" e "a deceção da América do Sul", enquanto na Argentina se destacava a fúria e a autocrítica do técnico.
Com o regresso antecipado a Montevideu — a federação terá cancelado o voo charter, obrigando os jogadores a viajar em voos comerciais —, o Uruguai inicia um período de introspeção. A eliminação precoce deixa a América do Sul com menos um representante nas fases a eliminar e reabre o debate sobre o comando técnico: nas ruas de Guadalajara, adeptos já pediam um treinador uruguaio. Bielsa, por seu lado, encerra um ciclo de 37 jogos com 14 vitórias, 15 empates e 8 derrotas, e a sensação de que o legado prometido se desvaneceu.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Uruguay's collapse is portrayed as a national drama, with Bielsa taking the blame but unable to quell fierce criticism. Latin American media emphasize the hunt for a scapegoat and public pressure, drawing parallels to other disgraced coaches. The narrative is charged with emotion and a sense of injustice.
The Atlantic press treats the case with analytical detachment, describing Uruguay's defeat as just another sporting episode. Bielsa is presented as a coach who accepts responsibility, but questions remain. The tone is measured, without emotional emphasis, and looks at implications for the team's future.
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