
Egito faz história, mas lesão de Salah ameaça duelo com Austrália
Com um empate diante do Irã, os Faraós avançam pela primeira vez às oitavas de final, enquanto o astro trata uma distensão muscular às vésperas do confronto em Dallas.
O Egito garantiu na madrugada de sábado a primeira classificação de sua história à fase eliminatória de uma Copa do Mundo, mas a festa em Cairo foi imediatamente temperada pela apreensão: Mohamed Salah, capitão e referência técnica da equipe, deixou o empate em 1 a 1 com o Irã ainda no segundo tempo, substituído aos 12 minutos da etapa final por dores na coxa direita. O lance que selou a vaga — um gol iraniano anulado por impedimento nos acréscimos, que teria alterado a ordem do Grupo G — manteve os egípcios na segunda colocação, com cinco pontos, atrás da Bélgica. A imagem de Salah caminhando cabisbaixo para o banco, no entanto, dominou as manchetes e acendeu o sinal de alerta para o duelo de sexta-feira contra a Austrália, em Dallas.
A campanha que levou os Faraós às oitavas de final foi construída sem derrotas: vitória por 3 a 1 sobre a Nova Zelândia, empate sem gols com a Bélgica e a igualdade diante do Irã. O técnico Hossam Hassan, em declarações recolhidas pela imprensa egípcia, exaltou o “sacrifício” do grupo e agradeceu aos jogadores por levarem “felicidade extraordinária” aos torcedores. Na perspetiva de observadores em Lisboa e no Rio de Janeiro, onde a Copa é acompanhada com lupa, o Egito entrega uma mescla de solidez defensiva e talento ofensivo concentrado em Salah e no atacante do Manchester City Omar Marmoush, mas a dependência do camisa 10 ficou evidente quando a equipe perdeu profundidade após sua saída.
O diagnóstico oficial divulgado pela Federação Egípcia de Futebol confirmou um estiramento no músculo posterior da coxa, lesão que, segundo o vice-presidente da entidade, Khaled Al-Dandali, é “leve” e motivou uma substituição preventiva. Salah já iniciou tratamento intensivo, e um membro da direção afirmou à televisão local que o jogador estará apto para enfrentar a Austrália. Contudo, o comunicado não estipulou prazo de recuperação, e a comissão técnica australiana, na voz do auxiliar Hayden Foxe, adota cautela: “Não parecia bom ele sair num jogo tão importante empatado em 1 a 1. Vamos nos preparar para o melhor Salah”. O Egito ainda perdeu o lateral Ahmed Fattouh, com ruptura na mesma região muscular, e corre para recuperar o zagueiro Mohamed Abdel Moneim, que sofreu uma contusão no tornozelo.
Para a Austrália, que jamais venceu um jogo de mata-mata em Mundiais — caiu diante da Itália em 2006 e da Argentina em 2022 —, o cenário é de oportunidade histórica, mas também de respeito a um adversário que não perde há 13 partidas oficiais e que, nos preparatórios, enfrentou Brasil e Espanha. O duelo será disputado no estádio AT&T, em Dallas, com teto retrátil e ar condicionado, o que neutraliza o calor texano e equaliza as condições físicas. Em Luanda e Maputo, onde o futebol egípcio desperta interesse crescente, a expectativa é de que Salah esteja em campo para um confronto que pode projetar ainda mais o continente africano no torneio.
O Egito chega às oitavas de final com a moral de quem superou a fase de grupos pela primeira vez, mas com a incerteza sobre seu principal artilheiro — Salah soma um gol e duas assistências no torneio e se tornou o maior goleador egípcio em Copas. A partida contra a Austrália, marcada para sexta-feira, 3 de julho, às 15h de Brasília, definirá se os Faraós seguirão escrevendo capítulos inéditos ou se a lesão do camisa 10 interromperá o sonho de uma nação que, pela primeira vez, se vê entre as 16 melhores do mundo.
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