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Mídia e Entretenimentosexta-feira, 26 de junho de 2026

Do palco ao livro: a semana em que a música pop reescreveu o seu passado

Enquanto Justin Bieber revisitava a sua adolescência no Coachella e Dua Lipa inaugurava uma biblioteca de livros proibidos no Porto, Bruno Mars e Michael Jackson consolidavam recordes de longevidade nas tabelas.

Sobre uma estrutura oval, de capuz vermelho e óculos escuros, Justin Bieber abriu o seu regresso aos palcos de grande escala com “All I Can Take”, no primeiro fim de semana do festival Coachella, a 11 de abril. O momento, o primeiro espetáculo de dimensão comparável em quatro anos, ganhou uma camada inesperada quando o cantor pousou um portátil no palco e começou a projetar vídeos antigos do YouTube — “Baby”, “Favorite Girl”, “Beauty and a Beat” — enquanto os cantava ao vivo, como se convidasse o público para uma sessão de nostalgia num quarto privado. A atuação, descrita por observadores norte-americanos como minimalista para um cabeça de cartaz, foi imediatamente editada num álbum ao vivo, Swag Live From Coachella (Weekend I), e o efeito nas plataformas de streaming foi imediato: Bieber colocou sete álbuns em simultâneo na Billboard 200, um recorde pessoal que supera as quatro entradas de janeiro de 2012.

A milhares de quilómetros dali, no mesmo sábado, outra estrela pop materializava uma relação diferente com a memória. Dua Lipa inaugurou no Porto a Biblioteca Manifesto, um espaço permanente instalado no novo auditório cultural da Livraria Lello, projetado pelo arquiteto Álvaro Siza. A coleção, primeira sede física do clube de leitura Service95, reúne uma centena de títulos organizados em torno dos eixos poder, controlo, voz e memória — obras que, segundo a cantora, “foram questionadas ou que levantam perguntas”. Entre elas estão O Conto da Aia, de Margaret Atwood, e textos de Salman Rushdie e Olga Tokarczuk, muitos deles banidos em distritos escolares por abordarem raça ou sexualidade, ou escondidos por se dirigirem a leitores LGBTIQ+. “Esta biblioteca é um santuário para os livros desaparecidos”, afirmou Dua Lipa, sublinhando que, por vezes, o ato mais subversivo é ler um livro e falar sobre ele. Em Portugal, a colaboração entre uma estrela pop britânico-albanesa e uma das livrarias mais emblemáticas do país foi lida como uma ponte entre a cultura de massas e o património literário.

Enquanto Bieber e Dua Lipa construíam pontes com o passado — ele através do ecrã de um portátil, ela com as prateleiras de uma biblioteca centenária —, Bruno Mars e Michael Jackson viam o seu catálogo consolidar uma presença quase silenciosa nas tabelas. O single “I Just Might”, do álbum The Romantic, completou dezoito semanas no topo da Radio Songs da Billboard, igualando “Flowers”, de Miley Cyrus, e “Iris”, dos Goo Goo Dolls, como o quarto tema com o reinado mais longo na história daquela lista. A canção, que já liderou várias tabelas pop e de R&B, continua a ser reproduzida em estações de rádio de todos os formatos, um feito que, na perspetiva de analistas da indústria nos Estados Unidos, reflete uma rara capacidade de atravessar gerações e géneros sem se desgastar.

Do lado dos legados póstumos, Off the Wall, o álbum de 1979 de Michael Jackson, atingiu duzentas semanas na Billboard 200, impulsionado pelo renovado interesse que se seguiu ao biopic Michael, líder de bilheteira nos EUA e com quase mil milhões de dólares de receita global. O disco, que regressou ao top 10 da tabela de vinil, junta-se a Thriller (723 semanas), The Essential Michael Jackson (547) e Number Ones (242) no clube das obras com mais de duzentas presenças na lista. Ao todo, seis álbuns e dezasseis canções do cantor ocupam esta semana as tabelas da Billboard, um eco que, para observadores na América do Norte, mostra como o cinema pode reativar catálogos inteiros.

A semana deixou a imagem de um laptop aberto sobre um palco de festival, a projetar videoclipes com a textura do início do século, enquanto, a poucos passos dali, uma biblioteca recém-inaugurada guardava livros que alguém tentou fazer desaparecer. Entre o ecrã e a estante, a música pop parecia menos interessada em inventar o futuro do que em cuidar do seu próprio arquivo.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Imprensa atlântica / anglosfera/ Econômica
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As estrelas pop continuam a dominar as tabelas: Bruno Mars iguala um recorde de Miley Cyrus, enquanto o álbum ao vivo de Dua Lipa mantém vendas fortes. O catálogo de Michael Jackson também atingiu um novo marco, provando o poder comercial duradouro dos artistas de catálogo.

Imprensa europeia continental/ Nórdica
IndignaçãoPragmatismo

Dua Lipa expande o seu ativismo literário ao abrir uma biblioteca permanente no Porto, dedicada a livros contestados ou proibidos por temas de raça, sexualidade e LGBTQ+. Com base no seu clube de leitura, a iniciativa procura dar visibilidade a vozes censuradas e autores perseguidos.

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sexta-feira, 26 de junho de 2026

Do palco ao livro: a semana em que a música pop reescreveu o seu passado

Enquanto Justin Bieber revisitava a sua adolescência no Coachella e Dua Lipa inaugurava uma biblioteca de livros proibidos no Porto, Bruno Mars e Michael Jackson consolidavam recordes de longevidade nas tabelas.

Sobre uma estrutura oval, de capuz vermelho e óculos escuros, Justin Bieber abriu o seu regresso aos palcos de grande escala com “All I Can Take”, no primeiro fim de semana do festival Coachella, a 11 de abril. O momento, o primeiro espetáculo de dimensão comparável em quatro anos, ganhou uma camada inesperada quando o cantor pousou um portátil no palco e começou a projetar vídeos antigos do YouTube — “Baby”, “Favorite Girl”, “Beauty and a Beat” — enquanto os cantava ao vivo, como se convidasse o público para uma sessão de nostalgia num quarto privado. A atuação, descrita por observadores norte-americanos como minimalista para um cabeça de cartaz, foi imediatamente editada num álbum ao vivo, Swag Live From Coachella (Weekend I), e o efeito nas plataformas de streaming foi imediato: Bieber colocou sete álbuns em simultâneo na Billboard 200, um recorde pessoal que supera as quatro entradas de janeiro de 2012.

A milhares de quilómetros dali, no mesmo sábado, outra estrela pop materializava uma relação diferente com a memória. Dua Lipa inaugurou no Porto a Biblioteca Manifesto, um espaço permanente instalado no novo auditório cultural da Livraria Lello, projetado pelo arquiteto Álvaro Siza. A coleção, primeira sede física do clube de leitura Service95, reúne uma centena de títulos organizados em torno dos eixos poder, controlo, voz e memória — obras que, segundo a cantora, “foram questionadas ou que levantam perguntas”. Entre elas estão O Conto da Aia, de Margaret Atwood, e textos de Salman Rushdie e Olga Tokarczuk, muitos deles banidos em distritos escolares por abordarem raça ou sexualidade, ou escondidos por se dirigirem a leitores LGBTIQ+. “Esta biblioteca é um santuário para os livros desaparecidos”, afirmou Dua Lipa, sublinhando que, por vezes, o ato mais subversivo é ler um livro e falar sobre ele. Em Portugal, a colaboração entre uma estrela pop britânico-albanesa e uma das livrarias mais emblemáticas do país foi lida como uma ponte entre a cultura de massas e o património literário.

Enquanto Bieber e Dua Lipa construíam pontes com o passado — ele através do ecrã de um portátil, ela com as prateleiras de uma biblioteca centenária —, Bruno Mars e Michael Jackson viam o seu catálogo consolidar uma presença quase silenciosa nas tabelas. O single “I Just Might”, do álbum The Romantic, completou dezoito semanas no topo da Radio Songs da Billboard, igualando “Flowers”, de Miley Cyrus, e “Iris”, dos Goo Goo Dolls, como o quarto tema com o reinado mais longo na história daquela lista. A canção, que já liderou várias tabelas pop e de R&B, continua a ser reproduzida em estações de rádio de todos os formatos, um feito que, na perspetiva de analistas da indústria nos Estados Unidos, reflete uma rara capacidade de atravessar gerações e géneros sem se desgastar.

Do lado dos legados póstumos, Off the Wall, o álbum de 1979 de Michael Jackson, atingiu duzentas semanas na Billboard 200, impulsionado pelo renovado interesse que se seguiu ao biopic Michael, líder de bilheteira nos EUA e com quase mil milhões de dólares de receita global. O disco, que regressou ao top 10 da tabela de vinil, junta-se a Thriller (723 semanas), The Essential Michael Jackson (547) e Number Ones (242) no clube das obras com mais de duzentas presenças na lista. Ao todo, seis álbuns e dezasseis canções do cantor ocupam esta semana as tabelas da Billboard, um eco que, para observadores na América do Norte, mostra como o cinema pode reativar catálogos inteiros.

A semana deixou a imagem de um laptop aberto sobre um palco de festival, a projetar videoclipes com a textura do início do século, enquanto, a poucos passos dali, uma biblioteca recém-inaugurada guardava livros que alguém tentou fazer desaparecer. Entre o ecrã e a estante, a música pop parecia menos interessada em inventar o futuro do que em cuidar do seu próprio arquivo.

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As estrelas pop continuam a dominar as tabelas: Bruno Mars iguala um recorde de Miley Cyrus, enquanto o álbum ao vivo de Dua Lipa mantém vendas fortes. O catálogo de Michael Jackson também atingiu um novo marco, provando o poder comercial duradouro dos artistas de catálogo.

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IndignaçãoPragmatismo

Dua Lipa expande o seu ativismo literário ao abrir uma biblioteca permanente no Porto, dedicada a livros contestados ou proibidos por temas de raça, sexualidade e LGBTQ+. Com base no seu clube de leitura, a iniciativa procura dar visibilidade a vozes censuradas e autores perseguidos.

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